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13/06/19 - 00h32 - atualizada em 13/06/19 às 11h31

Audiência pública em Irati discutirá uso de agrotóxicos

Dados da Seagro e do IBGE indicam que cada habitante consome, por ano, o equivalente a 14 litros de agrotóxicos

Da Redação

Audiência tem a finalidade de informar a quantidade de agrotóxico consumida pela população e tratar dos impactos para a saúde e meio ambiente

Uma audiência pública na Câmara de Irati vai discutir o uso de agrotóxicos nas lavouras e seus riscos à saúde humana, na próxima quarta (19), às 14 h. Dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que cada habitante consome o equivalente a 14 litros de agrotóxico por ano.

A audiência faz parte de uma campanha promovida pelo Ministério Público do Paraná (MP/PR), através do Fórum Estadual de Combate aos Agrotóxicos, Associação Paranaense dos Expostos ao Amianto (APREAA) e Observatório do Amianto.

“A audiência tem por objetivo informar a quantidade de agrotóxico consumida pela população local, os impactos à saúde e ao meio ambiente. E também propor políticas públicas de enfrentamento, que sejam adotadas pelos próprios municípios, através de lei municipal, decretos do próprio Poder Executivo ou mesmo pela instituição de um Fórum Regional”, explicou a procuradora Regional do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho, durante entrevista concedida para a Rádio Onda Sul, de Francisco Beltrão.

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Margaret salienta que o Brasil é, de fato, o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e, ao mesmo tempo, questiona essa constatação ao apontar que o Brasil não é o maior País do mundo nem em extensão territorial nem em população e, além disso, não tem a maior produção agrícola do mundo, ficando atrás de países como os Estados Unidos, por exemplo, nesse quesito. “Isso tem um significado muito importante, porque nos indica que nós não protegemos nossa população, mas protegemos os interesses econômicos das empresas que lucram comercializando esses produtos”, analisa.

“Podemos afirmar que os brasileiros estão sendo envenenados propositalmente, com o objetivo de enriquecimento de poucos e, principalmente, das poucas indústrias de agrotóxicos. Se olharmos de uma forma mais aproximada, vamos perceber que são cinco empresas que dominam a produção e o comércio de agrotóxicos no mundo. No Brasil, aceitamos o uso de agrotóxicos que foram proibidos em todos os outros países, como se nós tivéssemos uma saúde diferente dos moradores de outros países e pudéssemos resistir mais ao envenenamento”, salienta.

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Margaret reforça que é importante discutir junto à sociedade os motivos que tornam aceito o consumo de tantos agrotóxicos e o motivo de os agrotóxicos que foram banidos nos demais países tenham livre aplicação nas lavouras daqui. “Por que permitimos a pulverização aérea, que já se demonstrou uma metodologia de imprecisão? Mais de 60% do produto não chega à planta-alvo aí dispersa para o ar, para a água, para o solo, envenenando não só o ambiente, mas também a água que consumimos. O Ministério da Saúde acabou divulgando dados importante a respeito de resíduos de agrotóxicos encontrados na água que sai das nossas torneiras. É importante debater por que o Brasil se encontra nessa situação e o que precisamos fazer para mudar esse cenário”, observa a procuradora.

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