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19/04/16 - 15h03 - atualizada em 19/04/16 às 19h17

Chefe da 4ª Regional diz que situação da dengue em Irati está crítica

João Almeida Junior criticou atuação dos agentes de endemias no município. Cobertura das visitas não atingiu 20% das residências

Paulo Henrique Sava

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Nos últimos meses, a situação da dengue vem se tornando cada vez mais preocupante no Paraná. De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), divulgado no dia 12 de abril, o número de casos da doença subiu para 24.393, ou seja, houve um acréscimo de 2.093 casos em comparação à semana anterior. Mais de 290 municípios já têm casos confirmados de dengue.

Já os casos de febre chikungunya passaram de 46 para 49 em uma semana, sendo que, destes, apenas cinco são autóctones, ou seja, foram contraídos dentro do próprio município. Os casos de zika vírus confirmados passaram para 245, sendo que 90 deles foram contraídos por pessoas que viajaram 15 dias antes de manifestar os sintomas da doença.

Casos em Irati

Em Irati, até o momento, foram confirmados três casos importados de dengue e dois casos de zika vírus, segundo o boletim da Secretaria Municipal de Saúde. Em um dos casos, a gestante sofreu um aborto. Outras 74 pessoas estão com suspeita de dengue, sendo que destas, 34 já foram descartadas e 42 estão sob investigação. Há ainda dois casos suspeitos de febre chikungunya.

Diante desta situação, o chefe da 4ª Regional de Saúde, João Almeida Junior, utilizou a Tribuna Popular, na sessão do dia 11 de abril da Câmara de Vereadores, para falar sobre a situação do mosquito Aedes Aegypti em Irati.

De acordo com Almeida, desde o fim do ano passado, quando os casos de dengue, da febre chikungunya e do zika vírus começaram a ficar preocupantes, os estados e municípios receberam a determinação de que fossem feitas contratações de agentes de endemias para visitar mensalmente todas as residências e demais imóveis, públicos ou particulares, com o objetivo de combater possíveis focos do mosquito. No entanto, ele lamenta que Irati, nos meses de fevereiro e março, quando houve o início da campanha, não conseguiu atingir sequer 20% da cobertura. “Isto nos causa uma preocupação no momento em que fazemos uma pesquisa vetorial, quando colocamos armadilhas em determinados pontos do município”, comentou.

Falta de agentes

Chefe da 4ª Regional alerta para a possibilidade do município ter epidemia de dengue nos próximos meses
Almeida comenta que há uma preocupação muito grande com a falta de agentes de endemias atuando em Irati. Segundo a 4ª Regional, o município precisaria ter, no mínimo, 28 agentes, mas conta apenas com 11, sendo que alguns deles ainda estão em desvio de função e outros estão sob atestado médico. Desta forma, o município conta com somente oito agentes. O Chefe da Regional reclamou da falta de apoio da gestão municipal e defende a coordenação da Vigilância Sanitária, dizendo que o órgão não conta com pessoal suficiente para cobrir 100% do município. Ele reclamou da falta de comprometimento dos agentes com o trabalho, dizendo que eles realizaram 15 visitas em apenas 48 minutos.

Repasse do Governo do Estado

Almeida lembrou que, no fim do ano passado, o Governo do Estado repassou R$10 milhões para os municípios investirem no combate ao Aedes Aegypti. Deste montante, R$102 mil foram repassados para Irati e R$55 mil para Imbituva, que contratou temporariamente oito agentes, a um custo de R$2 mil por agente, adquiriu 150 tubos de repelentes, de protetores solares, botinas e luvas para os agentes. Irati contratou 12 agentes, a um custo de R$ 2.635,00 por pessoa, através de uma empresa de Ponta Grossa. 

Última vistoria

De acordo com Almeida, durante a última vistoria, realizada no mês de março, foram encontrados focos do Aedes em todos os bairros e na região central da cidade. Além disso, há pacientes com suspeita de dengue também em comunidades do interior do município, na localidade de Caratuva. Em apenas uma residência, localizada no bairro Galicioli, na primeira semana, foram encontrados 136 ovos do mosquito, e na segunda semana, o número de ovos subiu para 351. Na mesma residência, em uma terceira vistoria, foram encontrados 374 ovos. Na última visita dos agentes, foram encontrados 268 ovos. No total, foram encontrados 1.137 ovos do Aedes em apenas uma residência.

“Hoje nós temos, em Irati, as condições propícias, mosquitos em todos os bairros e fluxo de pessoas em todas as regiões do Brasil que vêm para a nossa cidade e de iratienses que vão para fora do município, onde encontram no município as condições propícias para ter uma epidemia de dengue”, frisou.

Possibilidade de epidemia


Almeida afirmou que, devido a estas condições, Irati terá em breve uma epidemia de dengue. Ele destacou que o município não estará preparado para atender um número grande de pacientes, quando isso ocorrer. Almeida comenta que, atualmente, a situação de Irati está pior que a de Paranaguá, que já registrou mais de 3 mil casos e 23 mortes, de acordo com dados do setor de entomologia do Ministério da Saúde. “Nós, enquanto Governo do Estado, nos preocupamos muito com a situação do município”, comentou. 

De acordo com Almeida, se Irati registrar uma epidemia de dengue, rapidamente ela se espalhará por toda a região. “Nós estamos hoje com mosquitos, temos as condições, e não temos principalmente agentes para cuidar das nossas residências e da nossa saúde”, comentou.

“Enquanto não tivermos agentes treinados, condições para estes agentes trabalharem, porque hoje eles não têm Equipamentos de Proteção Individual suficientes para eles trabalharem, nós vamos encontrar, no próximo verão, uma epidemia grave de dengue. Se nós formos levar proporcionalmente, queremos evitar, no mínimo, a morte de 5 a 10 pessoas, se levarmos a mesma proporção que estamos levando em Paranaguá”, complementou.

Almeida relembrou que, de acordo com a legislação estadual, todo dia 09 de cada mês deve ser dedicado ao combate à dengue. No entanto, em Irati, nenhuma ação foi realizada neste dia, ao passo que Ponta Grossa teve quase 800 funcionários envolvidos no mutirão. 

O Chefe da 4ª Regional solicitou o apoio de toda a população no combate a dengue. “Enquanto nós podemos trabalhar para que estas doenças, seja dengue, febre chikungunya ou zika, não estejam nas nossas famílias, na nossa comunidade, nós estamos trabalhando”, finalizou.

Falta de Secretário de Saúde em Irati


Almeida também alertou para a necessidade de indicar uma pessoa para responder pelo setor de saúde do município. “A Secretaria Municipal de Saúde de Irati está acéfala, faz dez dias que não tem secretário. Eu precisava encaminhar um expediente, um ofício para a secretaria, e a resposta que nos veio foi que não tem secretário (a) e que ninguém estava autorizado, naquele momento, a responder pela secretaria”, frisou.

A ex-secretária de Saúde, Emanuelly Pinheiro, deixou o cargo no início de abril. Desde então, o Ouvidor Municipal da Saúde, Agostinho Basso, está respondendo provisoriamente pela pasta.





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