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04/12/19 - 19h49 - atualizada em 04/12/19 às 20h07

Comerciantes decidem não realizar atividades natalinas no fim de ano

Transferência da Casa do Papai Noel para longe da área comercial gerou insatisfação entre os lojistas

Da Redação, com reportagem de Ademar Bettes 

 

Empresários se reuniram na ACIAI para discutir possibilidade de organizar atividades paralelas as que serão desenvolvidas pelo município durante o fim de ano

A transferência da Casa do Papai Noel, que antes ficava próxima à Rua da Cidadania, para o Parque Aquático de Irati gerou insatisfação entre os lojistas do centro da cidade, que se dizem prejudicados pela mudança da atração natalina. Uma reunião foi convocada na Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI), na terça (3), para sugerir e discutir quais tipos de ações poderiam ser realizadas na Rua da Cidadania para atrair o público durante o período de compras de Natal.

A falta de tempo hábil para organizar essas apresentações artísticas levou o empresariado a desistir de realizar uma programação especial durante o período de férias. Ficou decidido que, neste ano, cada loja adotará iniciativas próprias a fim de atrair o público durante o horário especial de atendimento estendido. Para o ano que vem, já ficou marcada uma reunião em maio de 2020 para debater quais ações o comércio deve realizar para o próximo Natal.

A maior parte dos empresários que participaram da reunião assinou um documento a ser encaminhado ao prefeito Jorge Derbli, em que manifestam a insatisfação com a mudança da Casa do Papai Noel para um local afastado da área de maior concentração da atividade comercial da cidade.

“Achei muito boa a iniciativa da Associação de reunir os empresários, porém um pouco tardia. É complicada a decisão do município, sem ter consultado o empresariado, em levar as festividades para o Parque Aquático. Acho que poderia ter havido um planejamento antecipado para que conseguíssemos fazer, na nossa cidade, um Natal mais bonito, mais iluminado”, lamenta a empresária Amanda Gryczynski.

Ela considera um avanço o fato de que a reunião gerou consenso sobre a necessidade de planejar, antecipadamente, as ações para o Natal de 2020. “Parte muito do poder público, junto com a iniciativa privada. Em todas as cidades que temos visto fazer uma campanha bonita de Natal, sabemos que houve envolvimento das duas partes e é isso o que queremos”, diz.

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A empresária destaca, ainda, que todo o comércio precisa se articular para a elaboração dessas iniciativas para atrair o consumidor para as compras de fim de ano. Segundo ela, cerca de 170 empresários foram convidados para a reunião e aproximadamente 35 conseguiram participar. Amanda acredita que precisa haver participação tanto dos lojistas da rua Munhoz da Rocha e adjacências, quanto da 19 de Dezembro e dos bairros, pois todos eles dividem um objetivo em comum.

“Independente de a Casa do Papai Noel ser lá [no Parque Aquático], teriam outras ações que poderíamos ter conversado para trazer, para iluminar mais a cidade, deixá-la mais bonita, fazer algumas ações pontuais aqui no Centro também. O que realmente faltou não é apenas o fato de o Natal ser no Parque Aquático, mas outras questões envolvendo os empresários também daqui do Centro e da região em si”, avalia. Mesmo assim, Amanda acha que faltou o prefeito consultar o empresariado antes de efetuar a mudança.

O empresário Adão Natalino da Silva opina que o município deveria pensar em realizar ações na área central para atrair os consumidores e visitantes. Assim como Amanda, ele aponta que outras cidades da região, como Rebouças e Imbituva, costumam enfeitar as ruas neste período para chamar atenção das pessoas.

“Para esse ano, o que resta é cada um enfeitar sua loja a seu modo e, para o ano que vem, discutir uma parceria entre a Associação Comercial e a Prefeitura. Mas temos que começar bem mais cedo, pois se deixar tudo para a última hora, não se resolve nada”, lamenta.

Adão avalia que a mudança de endereço da Casa do Papai Noel desvia potenciais clientes das lojas do Centro, que poderiam aproveitar esse momento que saem passear para ver as atrações natalinas para comprar os presentes.

Entre outros aspectos, o vereador e empresário Rogério Luiz Kuhn elogia a iniciativa de os empresários se reunirem mais cedo em 2020 para debater o que pretendem fazer para estimular as vendas de Natal e de, possivelmente, se reunirem em coletivo para a compra de enfeites e adornos para as ruas e fachadas. Kuhn observa que o poder público não tem obrigação em iluminar as ruas com motivos natalinos para fortalecer o comércio. Ele estima que o custo dessa iluminação para uma rua seja de aproximadamente R$ 200 mil.

Reunião contou com a participação de 35 empresários

Em seu entendimento, sobrariam críticas ao prefeito e aos vereadores se esse tipo de gasto fosse aprovado. “Nós empresários temos que nos reunir e investir, já que a maior parte do retorno é para nós mesmos. Acredito que, em maio, tudo isso será pontuado e feito um cronograma de ações e um cronograma financeiro. Se deixar para dezembro, muitos empresários não terão esse suporte financeiro para poder investir, de uma vez só”, opina.

Diferente de outros empresários, Rogério Kuhn avalia que a mudança da Casa do Papai Noel para o Parque Aquático democratiza o acesso dos moradores dos bairros às festividades natalinas. “É um espaço extremamente aberto, sossegado, seguro. Para o público em geral, fica legal. Para mim, como empresário, não faz muita diferença”, afirma. Kuhn justifica que, no caso de uma família que sai passear e levar a criança para ver o Papai Noel, os pais ou responsáveis vão comprar um doce ou algum tipo de comida para a criança. De acordo com ele, isso não resulta na venda de roupas, eletroeletrônicos ou outro item que demande o filho ficar parado aguardando os pais. “Não acho que isso venha a refletir em vendas maiores ou menores”, conclui.


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