Irati e Região / Notícias

23/03/12 - 00h40 - atualizada em 23/03/12 às 00h50

Construção de Centro para tratamento de doença mental deve demorar a sair do papel

Saúde Mental esteve novamente na pauta da reunião da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente, que se reuniu pela segunda vez este ano
Marli Traple                                                       *Edição: Rodrigo Zub


Michelo Cervo falou da importância de ser construído Centro de Atendimento Psicossial em Irati
Reunião contou com a participação de membros da sociedade, instituições ligadas ao atendimento à criança e adolescente e órgãos municipais


Foi realizada no último dia 12, a reunião mensal da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente. Novamente a discussão sobre a Saúde Mental do município voltou a ser o assunto mais comentado. A professora da Unicentro, Michele Cervo, uma das representantes da comissão disse que o atendimento oferecido no município, não é o suficiente para inserir os pacientes dentro da sociedade. Uma das alternativas, segundo ela, é construir um Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS).

Reunião

A segunda reunião da Rede de Proteção a Criança e ao Adolescente deste ano contou com a participação de membros da sociedade; instituições ligadas ao atendimento à criança e adolescente; Ministério Público, secretarias municipais de Bem Estar Social, de Saúde e de Educação; Núcleo Regional de Educação;  4ª Regional de Saúde; Unicentro; Conselho Tutelar; Policia Militar; Corpo de Bombeiro; Câmara Municipal; OAB; representantes de escolas municipais e estaduais e ONGs da área social.

Durante sua explanação, Cervo comentou sobre a Lei 10.216/2001 – que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. Além disso, ela mostrou o modelo de atenção em saúde mental no Brasil, dentro da Portaria 336/2002, a qual dispõe sobre os CAPS.

Os municípios da região centro-sul que fazem parte do Consórcio Intermunicipal de Saúde, já possuem o CAPS, ao contrário de Irati que não participa do sistema.

Segundo a Assistente Social Ana Rute Dalzoto, o desligamento de Irati do Consórcio é favorável. Para ela, isso mostra que o município é capaz de atender a sua própria demanda. Dalzoto relata ainda que a Secretaria de Saúde está com o Projeto do CAPS – Irati encaminhado. A elaboração do projeto contou a colaboração do Dr. Ladislau Obrzut. “Tudo indica que se concretizará, mas, isso pode demorar um pouco, pois, há uma serie de exigências e itens a serem considerados, mas com o apoio da Secretária de Saúde de Irati e também do Prefeito Sérgio Stoklos, é só uma questão de tempo”, analisa.

A assistente social destacou que a Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente possui uma comissão técnica diversificada, com Psicólogos, Assistentes Sociais, Pedagogos,Conselheiros Tutelares, entre outros, que trabalham efetivamente para encontrar soluções diretas e práticas para o fortalecimento pessoal dos jovens, para que esses sejam protagonistas de sua historia, incentivando o desenvolvimento pleno do cidadão.

Funcionamento do CAPS

Cervo explicou que os municípios com até 20 mil habitantes podem oferecer oficinas terapêuticas, equipes especializadas em saúde mental, leitos em hospital e um serviço residencial terapêutico com orientador. As equipes devem ser compostas de psicólogas, terapeutas ocupacionais que vão trabalhar as oficinas que podem funcionar dentro das unidades de saúde, ou em locais da própria comunidade, como salões de igrejas, escolas, entre outras opções. Cidades que possuem de 20 a 70 mil habitantes já podem ter o CAPS tipo 1 que é responsável por articular a Saúde Mental do município, e que pode atender a demanda adulta, infantil e até mesmo usuários de drogas. Municípios com mais de 70 mil habitantes podem ter o CAPS 2, que trabalha questões como o alcoolismo, drogas e o atendimento a criança e adolescente.

O CAPS álcool e drogas já esta sendo instituído em municípios de porte como o de Irati através do Ministério da Saúde, conforme a professora relatou. Cervo diz que este apoio é oferecido pela Santa Casa através dos leitos que são disponibilizados no setor de psiquiatria e algumas iniciativas na atenção básica.

“O que a gente não tem é o CAPS, o único que existe é vinculado ao consórcio de saúde, mas o município já tem condições para ter o seu próprio Centro de Assistência Psicossocial”, avalia.

Outras necessidades

A professora relatou a necessidade de ser criada uma Rede de Atenção Básica, pois cada setor/departamento precisa estar diretamente envolvido para o desenvolvimento saudável do paciente com dificuldades. Cervo diz que o município já possui atendimento na atenção básica e leito hospitalar. Desta forma, Irati se enquadra no chamado “Centro de Atenção Psicossocial I”, que oferece oficinas terapêuticas, equipe especializada, leito em hospital geral e serviço residencial terapêutico. 

Cervo entende que os recursos para compra de medicamentos para os portadores de doenças mentais devem ser prioritários. Ela destacou também que as instituições devem garantir o direito de convívio social aos pacientes.

“O sujeito não pode ser retirado do mundo onde ele vive, e os tratamentos devem funcionar como adaptação na vida social. Eu digo pra ele o que ele deve fazer e ele vai se adequar aquilo que está prescrito como sendo o melhor pra ele”, explicou Cervo.

Segundo ela, o trabalho psicossocial deve ser entendido como “modelo palpável” nas políticas de saúde mental ou até mesmo de maneira geral. De acordo com Cervo, os problemas sociais também devem ser analisados, a fim de verificar os programas oferecidos pelo município para melhorar a condição de vida do cidadão/paciente. Por isso a importância do CAPS, onde o tratamento é de recondicionamento através de diferentes áreas de atuação.

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