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30/05/12 - 02h05 - atualizada em 31/05/12 às 19h06

Em 4 meses, registro de acidentes de trabalho supera índices de 2011

Mais de 100 acidentes de trabalho foram notificados de janeiro a abril de 2012. No ano passado foram registrados 28 casos
Da Redação, com reportagem de Marli Traple

União cobra restituição de gastos com acidentes de trabalho

A atuação busca a restituição aos cofres do INSS, dos valores que foram pagos em benefícios previdenciários a funcionários que sofreram acidentes de trabalho em empresas que não respeitaram as normas de segurança.

De acordo com a Previdência Social, ocorre uma morte a cada 3,5 horas de jornada diária e são gastos no País mais de R$ 14 bilhões por ano com acidentes de trabalho.

Dados

Uma pesquisa realizada pelo Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR), mostra que em todo o Estado foram registrados mais de 5 mil acidentes de trabalho com óbitos nos últimos 20 anos. Os dados revelam ainda, que o Paraná é o quarto estado no ranking nacional de acidentes de trabalho.

Para o chefe da 4ª regional de Saúde de Irati, João Almeida Jr. estes números têm avançado nas últimas décadas não apenas por culpa das empresas, mas em alguns casos pelo próprio trabalhador que mostra muita resistência ao utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIS).

Equipamentos de Proteção Individual (EPIS)

•Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares;

•Proteção respiratória: máscaras e filtro;

•Proteção visual e facial: óculos e viseiras;

•Proteção da cabeça: capacetes;

•Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes;

•Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas;

•Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões.

Números

Na região, o maior número de acidentes de trabalho ocorre no setor de construção civil devido ao desenvolvimento do segmento nos últimos anos. Outros setores bastante afetados são a indústria madeireira, automobilística e setor de serviços (motoboys).

* Rodrigo Zub

Mais de 100 acidentes de trabalho foram notificados de janeiro a maio deste ano
As notificações de acidentes de trabalho são feitas através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan. A informação de que o número de notificações de janeiro a maio deste ano foi 11 vezes maior, se comparadas com o mesmo período do ano passado, foi divulgada durante a reunião da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador, CIST, que aconteceu na semana passada. Em 2011 foram notificados 28 casos. De janeiro a abril deste ano já foram computados 107 casos.

O comparativo que mostrou o aumento de registros causou preocupação entre todos os membros do CIST. O representante da 4ª Regional de Saúde, Marcos Antonio Hassen, que atua no Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador – Cerest alertou sobre a necessidade de fazer uma investigação para identificar os casos graves e fatais. Este tipo de ação é de responsabilidade da Vigilância Sanitária Municipal que é responsável pela fiscalização. O órgão deve elaborar um relatório para ser levado na próxima reunião da Comissão, entre agosto e setembro. “É preciso saber o porquê destes acidentes, e quais empresas que tiveram mais casos, se é apenas uma máquina [que está causando os acidentes]”, disse.

Mudanças

Hassen ainda comentou sobre as recentes mudanças nos atestados do INSS que agora também servem para fiscalizar o que causou o afastamento do trabalhador. Por exemplo, se ficar constatado que a causa é a falta de equipamento de proteção (EPI) ou a falta de proteção de máquinas, a empresa deverá pagar pelo tempo de afastamento daquele funcionário por um período de até um ano.

Segundo ele, a aplicação desta medida, fez retornar R$ 199 milhões aos cofres públicos somente no ano passado. Neste valor estão incluídos os ressarcimentos por acidentes de trajeto na volta ou na ida para o trabalho, com a diferença de quem paga a conta é o infrator. “Se na via em que é permitido 60 km/hora e você entrar a 80 km e atropelar um trabalhador ou um moto boy e ele ficar afastado por 60 ou 90 dias, o INSS vai investigar essas causas e você vai pagar também. Você afastou o funcionário do serviço, você vai pagar a despesa” – finalizou Hassen.


Histório do número de acidentes do trabalho grave de 2007 a 2012 (jan a abril)



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