Irati e Região / Notícias

02/11/11 - 21h14 - atualizada em 03/11/11 às 10h05

Em meio à crise do fumo, cebola surge como alternativa de renda para os agricultores

Irati continua sendo a cidade no Paraná com maior número produtores individuais do legume, enquanto que Fernandes Pinheiro está em 11º lugar neste ranking
Rodrigo Zub, com reportagem de Jussara H. Bendhack

Cebola surge como alternativa de renda para produtores da região centro-sul
Fernandes Pinheiro tem uma população de 5.932 habitantes. A maioria deles concentra-se no meio rural, ou seja, 3.838 pessoas ainda vivem no campo e dependem da agricultura para sobreviver. Uma fonte de renda para esses produtores é a cebola, atividade que envolve pequenos e médios produtores, que
diminui o êxodo rural e contribui para a geração de empregos.

Segundo o prefeito de Fernandes Pinheiro, Nei Renê Schuck, Irati continua sendo a cidade no Paraná com maior número produtores individuais do legume, enquanto que Fernandes Pinheiro está em 11º lugar neste ranking.

O prefeito destaca que a comunidade que mais produz cebola na cidade é o Assungui, localidade formada em sua maioria por colonizadores italianos, poloneses e ucranianos.

Segundo o prefeito Nei Schuck, a parceria entre os municípios de Fernandes Pinheiro e Irati é importante
“Uma boa parte de nossa produção é contabilizada por Irati mesmo. Muitas vezes, por desinformação de nosso próprio produtor que não tira sua nota integral. Nós somos um pouco desprestigiados nisso e deveríamos ter outra colocação no ranking estadual, mas isto não vem ao caso, porque fizemos uma boa parceria com Irati e região”, complementa Schuck.

Alternativa de renda

O presidente da Associação de moradores do Assungui, João Taioki diz que o modo de pensar dos agricultores têm mudado nos últimos anos. Até algum tempo, a cebola era considerada como a segunda fonte de renda de uma propriedade rural, mas hoje ela se expandiu depois que muitas pessoas começar a agregar valores. Segundo ele, o cultivo do leite e também da cebola são duas alternativas de renda que garantem a subsistência dos agricultores no campo.

“O pequeno agricultor na verdade não pode ficar baseado numa cultura só, ele tem que intercalar com outras culturas, para que ele possa ter uma vida mais tranquila no meio rural”, enfatiza Taioki.

O crescimento de outras atividades tem feito inclusive com que o fumo, principal fonte de renda de muitos agricultores da região Centro-Sul, seja deixado de lado.  Para Taioki, muitos fatores têm contribuído para que isso aconteça. Entre os principais motivos estão as campanhas do governo federal para erradicação do fumo e principalmente o momento de instabilidade vivido na safra passada, quando o produto foi comercializado abaixo do valor de mercado.

“A cultura do fumo já foi um plantio com maiores produtores em anos anteriores, hoje a cultura de fumo, está sendo substituída pelo leite e a cebola e outros produtos que possam ser cultivados pelos agricultores que possuem pequenas propriedades”, destaca Taiocki.

Plantio, colheita e preço da cebola

Vale lembrar que o plantio da cebola nas propriedades do Paraná vai de maio a junho. Já a colheita do produto tem início no mês de outubro.

Taioki afirma que a expectativa dos produtores da região é para que o tempo colabore, pois na safra passada o excesso de chuvas foi um favor negativo para os agricultores. Muito deles, acumularam prejuízos principalmente durante o período de colheita do produto.

João Taioki é o presidente da associação do Assungui, região que reune o maior número de produtores de cebola de Fernandes Pinheiro
“Ao contrário do ano passado esse ano o tempo está colaborando. Até o preço o comentário é de que aumente em relação aos outros anos. Isso é importante para que o agricultor possa ter uma renda maior do que nas últimas safras”, comemora.

De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), entidade que faz parte da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), atualmente o Kg de cebola é comercializado entre R$ 0,60 e R$ 0,70.

Nos últimos anos, em função da evolução tecnológica, a produção paranaense de cebola subiu de 4.164 quilos por hectare para 17.048 quilos/hectare. Esses números mostram que os produtores estão cada vez mais conscientizados sobre a importância de preparar a terra, aplicar adubo e calcário e usufruir dos recursos tecnológicos.

“Em nossa região mesmo podemos perceber uma evolução, o agricultor tem colhido até 100 toneladas de cebola por alqueire ou mais dependendo das condições climáticas", diz o produtor.

Participação das mulheres

Ao contrário de outras culturas, a cebola geralmente é manipulada pela mulher e filhos, conforme explica Taioki.

“As mulheres trabalham juntos com seus esposos, desde o início do preparo da terra, no transplante da cebola e na limpeza. Então as mulheres são as companheiras e a família toda, tem esta parcela de contribuição para que esta cultura possa dar resultado”, comenta.

Perguntado sobre que tipos de iguarias e receitas podem ser feitas com a cebola, o presidente da Associação dos moradores do Assungui não soube responder limitando-se a dizer que as mulheres da comunidade “sabem muito bem lutar com isso”.


*Com colaboração de Sassá Oliveira e Elizabete Budel

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