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11/07/10 - 22h45

“Estradas e águas não combinam” – Secretária faz balanço do trabalho no interior

Secretária de Viação e Serviços Rurais de Irati fala das diretrizes da secretaria e das atividades realizadas neste último ano.
Da Redação, com Rose Harmuch e Paulo Secco

“90% dos problemas das estradas estão relacionados às águas que correm do jeito que querem nas estradas, o dia em que isso for resolvido, talvez nem precise tanto cascalho. É preciso considerar outras soluções que fazem parte do contexto de como devemos trabalhar a conservação do solo”. Rozenilda Romaniw Bárbara.

A Secretária de Viação e Serviços Rurais, Rozenilda Romaniw Bárbara e o procurador do município, Silmar Ditrich
A Secretária de Viação e Serviços Rurais, Rozenilda Romaniw Bárbara participou, a convite da Rádio Najuá, do Programa Meio Dia em Notícias, na última sexta-feira (9), para explicar o que foi feito neste último ano, período em que responde pela secretaria. Rozenilda já havia apresentado um relatório de atividades da secretaria na sessão da Câmara de Vereadores do dia 5. 

O serviço para manter as estradas do interior em boa conservação é pesado e a demanda é muito grande. Segundo a secretária, os pedidos dos agricultores não param de chegar e muitas vezes se transformam em decepções porque exigem o que não pode ser feito. “Raramente as pessoas vêm pedir pelo coletivo. De três mil pedidos neste primeiro ano de trabalho, apenas 30 ou 40 eram direcionados para melhorias na estrada geral, a maioria é para arrumar estradas dentro das propriedades”, disse. Há duas semanas foi concluído um trabalho no Rio da Prata em 16 bueiros; 4 de reforma na estrada geral e os outros 12 para os proprietários.

Estrada do Rio do Couro (Foto: arquivo PMI)
A chuva contribui muito para estragar a estrada e dificultar o trabalho de conservação. Rozenilda conta com a colaboração de uma pessoa com amplo conhecimento em estradas, a equipe chegou ao consenso de que estradas e águas não combinam. Precisa-se trabalhar para retirar as águas dos leitos das estradas. A partir deste pensamento, iniciou-se um trabalho usando as retro-escavadeiras para fazer as saídas de água, limpando os bueiros e fazendo as valetas para fluir a água sem afundar o leito.

Paralelamente ao problema das chuvas, as estradas estavam muito abandonadas na questão da limpeza – roçada. “É nítido, por onde se passa há muito sombreamento - por árvores nativas, floresta plantada de pinos e eucalipto ou pela própria mata que vai tomando conta das laterais. Obtivemos autorização ambiental para começar a limpar as estradas. Uma hora depois de limpa a estrada já está enxuta”, explicou a secretária.

Rozenilda conseguiu imprimir um diferencial no trabalho que está dando resultado positivo: os agricultores estão sendo chamados para trabalhar junto. Através de mutirão é feita a limpeza ou, no final do patrolamento, sempre que precisa terminar de abrir uma sarjeta; as pessoas das comunidades estão ajudando.

Estrada de Itapará. (Arquivo google)
A secretaria busca dar prioridade por onde trafegam mais veículos e por onde passa o transporte escolar. Cerca de 400 Km de estradas receberam melhorias. A estrada de Itapará é a principal, uma artéria central, coletora de todas as comunidades - cerca de 30. Manter esta estrada transitável é prioritário para a secretaria.

Uma novidade nesta semana foi à instalação de uma base para monitoramento da chuva no pátio da prefeitura que auxiliará no planejamento com a racionalização do trabalho, procurando dar maior rendimento ao serviço, que até então não era possível. Muitas vezes a equipe deixava de ir a algum lugar porque estava chovendo na sede, porém no local de execução não chovia, comentou Rozenilda.

Além das estradas, a questão do abastecimento rural também preocupa. Uma empresa foi contratada com a finalidade de realizar as obras referentes ao abastecimento de água no interior. Graças a um acerto de contas do prefeito Sérgio Stoklos, foi possível executar algumas obras. A prefeitura tinha uma dívida de R$ 170 mil com a Sanepar e o prefeito conseguiu negociar com o presidente da Sanepar, Stênio Jacob, para que esta conta fosse paga em obras. Desta maneira, comunidades consideradas como sistemas urbanos – de Guamirim até Governador Ribas; e Pinho de Baixo, entre São Miguel e Caratuva – foram beneficiadas.

Algumas situações foram detectadas e estão em estudo. Em Itapará há necessidade de ampliar o abastecimento. Gonçalves Junior usa uma água com odor característico e de vez em quando ocorre desabastecimento. Neste caso, a Sanepar está cedendo material para que se faça uma ligação da água de Irati a Gonçalves Junior. Com isso vai se resolver também o problema de falta de água em Barra Mansa que, apesar de ter sistema, ainda deixa algumas famílias sem água na região de Barra Velha. Outra obra que beneficia Faxinal do Rio do Couro está desacelerada porque a prefeitura descompromissou o empreiteiro para que ele termine antes, o trabalho começado na cidade.

Também foi implantado um tratamento por zonas de raízes na comunidade de Gonçalves Junior. A água que sai da pia, lavanderia e do banheiro acaba enchendo demais as fossas e vazando para o ambiente aberto. A secretaria aplicou o sistema para 17 famílias. Este trabalho fez parte de um projeto apresentado há dois anos no Ministério de Ciência e Tecnologia que teve parecer positivo agora em 2010. Os recursos já estão empenhados e deve atender 317 famílias na região de Volta Grande, Gonçalves Junior, Pirapó, Boa Vista do Pirapó e Campina de Gonçalves Junior. “Deste momento em diante os demais moradores do município podem se apropriar desta técnica”, falou Rozenilda.

Irati dispõe de um recurso empenhado no Ministério da Integração Nacional, através da Defesa Civil Nacional. Na enchente de 8 de setembro de 2009, a administração registrou a consequência das chuvas na cidade, no Pinho de Baixo, Serra dos Nogueiras e Coxinhos. Do montante que será recebido, R$ 300 mil serão aplicados em óleo diesel, brita, tubos e insumos para fazer as estradas na região.

As comunidades de Barra do Gavião, Faxinal dos Ferreiras, Papuã dos Fiori, há tempo pedem abastecimento de água. Há três anos, foi adotada uma solução paliativa: descoberta de minas em cada local e construção de um sistema, com recursos próprios. Porém estas águas não atendem os teores minerais exigidos. Por enquanto, a secretaria acumula tentativas sem êxito, de buscar recursos na Sanepar e na Funasa – Fundação Nacional de Saúde. 

Em trabalho conjunto entre secretaria e procuradoria geral do município, está sendo elaborada uma lei especialmente para o interior. "Tomamos conhecimento de como outros municípios trabalham e percebemos a necessidade de ter uma contrapartida do agricultor, uma parceira financeira para algumas demandas". Rozenilda citou um exemplo: “Uma vez por ano a prefeitura faz a estrada de roça para o agricultor que vai fazer parte do apoio no desenvolvimento rural, se tiver que entrar outra vez, aí terá custo, isto forçando para que ele conserve o seu pedaço”.

O Procurador do município, Dr. Silmar Ditrich, que acompanhou a entrevista, comentou sobre o projeto de lei, falou da necessidade de mudança de cultura para fazer uma co-responsabilidade entre prefeitura e agricultores. “O projeto de Lei busca disciplinar as situações; os serviços e a utilização do maquinário da prefeitura na zona rural. O interior é carente disso. O projeto visa dar condições para separar o serviço privado do bem comum e situar as situações em que será dado o benefício ao privado, por exemplo, para propriedades produtores que dependem da agricultura familiar”, disse o procurador. Dr. Silmar garante que o projeto será amplamente discutido com os agricultores.

Durante as explicações da secretária houve diversas participações dos ouvintes com perguntas e uma, em especial, de agradecimento, reconhecimento pelos bons serviços e também pedindo que ela permaneça no cargo por muito mais tempo. Ouça no final desta matéria a participação do Sr Ismael Custódio da Cruz de Faxinal dos Neves.

Uma última pergunta chegou aos estúdios, sobre o britador móvel, se é a solução para as estradas. Rozenilda respondeu dizendo que é mais um componente para trabalhar melhor, mas não é a solução de tudo: “90% dos problemas das estradas estão relacionados às águas que correm do jeito que querem nas estradas, o dia em que isso for resolvido, talvez nem precise tanto cascalho. É preciso considerar outras soluções que fazem parte do contexto de como devemos trabalhar a conservação do solo.” 

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