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13/05/19 - 22h28 - atualizada em 14/05/19 às 15h08

Estudantes e professores da Unicentro e do IFPR organizam paralisação nesta quarta-feira

Entre as pautas da manifestação, estão a luta contra a Reforma da Previdência e o corte de recursos para a educação

Paulo Henrique Sava

Paralisação será realizada nesta quarta-feira, 15, em Irati e Guarapuava

Em assembleia realizada na tarde desta segunda-feira, 13, professores e estudantes da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Irati, decidiram promover uma paralisação nas aulas das instituições na quarta-feira, 15. Entre as pautas do movimento, estão a luta contra a Reforma da Previdência e o corte de recursos para a área da educação, anunciados pelo Governo Federal.

Conforme a professora Michele Fernandes Lima, do Departamento de Pedagogia da Unicentro, o movimento também fará manifestações por uma educação pública gratuita e de qualidade e em favor do fortalecimento da ciência e da tecnologia. “Aprovamos paralisação das atividades normais da universidade e estaremos com atividades de mobilização em Irati e Guarapuava”, comentou.

As atividades serão realizadas a partir das 07h30 nos campus do IFPR e da Unicentro. Depois das 9 horas, haverá panfletagem na esquina das ruas Munhoz da Rocha e XV de Novembro. Alunos das escolas da rede pública estadual também vão participar do movimento. Nos períodos da tarde e da noite, a panfletagem será realizada no campus da Unicentro. Nas duas instituições, atividades de atendimento ao público serão realizadas normalmente.

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Cortes de recursos para a educação

Recentemente, o ministro da educação, Abraham Weintraub, anunciou um contingenciamento de 3,5% nos recursos aplicados pelo Ministério da Educação (MEC) nas universidades e institutos federais. Segundo reportagem do Jornal O Globo, este percentual é menor que os 30% que o próprio ministério havia anunciado em nota oficial. O jornal ressalta que os 30% de bloqueio se referem somente a verbas discricionárias, ou seja, aquelas que não são obrigatórias, que incluem pagamentos de contas de água, luz, telefone e de empresas terceirizadas. O corte também inclui investimentos em pesquisas.

Em entrevista a nossa reportagem, o professor Raphael Pagliarini, técnico educacional do IFPR Campus Irati, explica que estes cortes afetarão diretamente o custeio da instituição. De acordo com Raphael, os recursos liberados até agora foram suficientes apenas para pagamento da empresa terceirizada que cuida da limpeza e segurança do campus. "Eles usam nome bonito, dizendo que são gastos discricionários, que o reitor pode gastar como quiser, mas não é bem assim. O reitor e os diretores dos campi fazem este planejamento orçamentário no ano anterior, ele vai para o MEC, depois para o Congresso, compõe a Lei Orçamentária e é aprovado para pensarmos como vamos nos manter durante o ano", frisou.

Conforme Pagliarini, o orçamento aprovado pelo Congresso para o campus de Irati do IFPR é de R$ 1,5 milhão. Porém, ele ressalta que somente a conta de luz da unidade ultrapassa R$ 10 mil por mês, além dos demais custos já citados. "Na prática, deste R$1,5 milhão, se cortou mais de R$ 600 mil, que é o que teremos no IFPR para trabalhar neste ano", comentou.

Estudantes do IFPR chegaram a fazer algumas formas de protesto, como o bloqueio de alguns blocos dentro do campus. A presidente do Grêmio Estudantil, Yasmin Caetano, explica que a maioria dos alunos concorda com a manifestação. "Concordamos que isto (corte de recursos) vai acarretar em coisas negativas para a gente, para a nossa educação. Temos uma visão de educação de qualidade que não está sendo contemplada. Já discutimos sobre o que pensamos que é uma educação de qualidade, e este corte não entra no que temos de objetivos para nossa instituição", afirmou.

Conforme Michele, nas universidades estaduais, os cortes de orçamento vêm ocorrendo desde 2015, o que vem causando uma série de dificuldades na manutenção de serviços básicos, como pagamento de terceirizados, por exemplo. "É importante a gente entender que há um discurso contrário às universidades e institutos federais, e nós estamos aqui para pedir para comunidade entender que estes espaços são direitos dos filhos da classe trabalhadora com uma educação de qualidade. De toda a produção científica e pesquisa do país, 90% está concentrada nas instituições públicas. Sabemos do impacto do IFPR para o município, o que a Unicentro representa para Irati, tanto no âmbito educacional, cultural e econômico. Pedimos para a população conhecer um pouco mais das instituições, ouça os alunos e saiba sobre as qualidades dos cursos, dos projetos e ações que realizamos tanto no IFPR quanto na Unicentro", finalizou.

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De acordo com o MEC, as despesas discricionárias correspondem a 20% do orçamento das instituições. O bloqueio do Ministério, segundo o ministro, foi sobre este percentual. O valor corresponde a R$ 1,7 bilhão, que, segundo Wentraub, devem permanecer congelados até que a economia apresente sinais de melhora.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil afirmou, em nota enviada ao jornal O Globo, que o MEC vem fazendo seguidos bloqueios desde 2014, porém nenhum dos anteriores teve esta dimensão. Para mais detalhes, acesse a matéria na página do Jornal O Globo.


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