Irati e Região / Notícias

11/06/19 - 16h44 - atualizada em 12/06/19 às 01h03

Falta de estrutura prejudica trabalho da ONG SOS Amigo Bicho

Falta de dinheiro e espaço físico inviabilizam o cuidado.Presidente da entidade diz que é preciso identificar os animais e incentivar adoções

Paulo Henrique Sava

Presidente da ONG SOS Amigo Bicho diz que entidade não recebe recursos municipais desde 2018

A superpopulação de animais domésticos é um problema que atinge Irati há vários anos. Na maioria dos casos, pessoas acabam abandonando cães e gatos nas ruas da cidade e nas estradas do interior.

Muitos abandonam acreditando que a ONG SOS Amigo Bicho cuidará deles. Mas segundo a presidente da organização, Bernadete Joffe, os voluntários da ONG não tem condições de abrigar mais animais.

“De todas as voluntárias, duas estão com 57 cães em casa e recebem a ração, a um custo de R$ 2,5 mil mensais. As demais, em torno de 16, bancam os custos sozinhas. Não temos como levar mais cachorros para casa. Estes que encontramos na rua, deixamos internados, mas em alguns dias precisamos dar uma solução para eles, porque não temos dinheiro para manter o internamento”, desabafou.

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Não adianta só doar ração

A Guarda Municipal colabora com o recolhimento dos animais de rua. Segundo Bernadete, cerca de 400 cães estão distribuídos em casas de voluntários. “Estamos numa situação bastante complexa. Sem o chip ficamos sem saber quem é o dono. Precisamos de pessoas de coração generoso e que queiram acolher estes cães em casa para ajudar a ONG. Não envolve só a questão financeira, mas também do bem-estar destes animais, se não vão ficar em pátio fechado, se não correm o risco de serem atropelados, se terão alimentação e água. Às vezes a pessoa simplesmente deixa [o cachorro] amarrado em uma corrente de meio metro que o cãozinho não pode nem se mover".

A presidente contou a história de uma senhora de 94 anos que morava em uma casa cedida pela prefeitura no bairro Pedreira e cuidava de 20 cachorros. Depois que ela foi levada para o Asilo Santa Rita os novos moradores não querem ficar com eles. “O que a gente precisa é dar um lar para estes cãezinhos. Três são fêmeas e o resto são machos de porte médio (com peso abaixo de 12 kg). Precisamos resolver esta situação, através da doação. Não vai adiantar continuarmos com pedidos de ração", frisa.

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A maior parte da arrecadação vem do programa Nota Paraná, mas não se pode contar com uma quantia fixa por mês. “Nós precisamos cadastrar mais de 30 mil notas. Vai depender do valor e da quantidade de notas cadastradas. Nos últimos meses estávamos apenas com duas voluntárias cadastrando. Em janeiro conseguimos mais pessoas", conta Bernadete e informa que em março a ONG recebeu R$ 6,4 mil do programa Nota Paraná e mais R$ 800 em prêmios.

“Às vezes as pessoas ligam e perguntam se podemos castrar animais. Eu pergunto com quanto a pessoa pode contribuir e ela diz que não tem condições. Eu digo que não temos como castrar porque não há um programa municipal de castração. A pessoa ou desliga na minha cara ou fala um monte de coisas e diz que doa a nota no mercado. Um ticket que ela doa vai contribuir, mas não a ponto de castrar uma cachorra pela ONG”, afirmou.

Na semana passada, o secretário de Planejamento e Coordenação, João Almeida Júnior, confirmou em entrevista ao programa Meio Dia em Notícias que uma nova licitação deve ser feita para compra de um castramóvel. Os recursos, na ordem de R$ 200 mil, já estão garantidos e disponíveis em conta.

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Além da Nota Paraná, algumas caixas de doação foram espalhadas por diversos pontos comerciais da cidade, inclusive na Rádio Najuá. No entanto, é insuficiente, o déficit da ONG chega a R$ 4 mil por mês. A dívida, que era de R$ 99 mil, foi reduzida, mas mesmo assim está alta, R$ 60 mil que foram gastos com alimentação, atendimento veterinário e medicamentos.

Para reduzir a dívida são organizados bazares como  a feira do Cacareco. Durante o mês de maio, foram vendidas camisetas da ONG e, mais recente, foi criado um bazar online, denominado “Brechó da ONG SOS Amigo Bicho”.

Outra fonte importante de recursos é o poder público municipal. Porém, a presidente reclama que a ONG não vem recebendo desde 2018. “Se tinha um projeto de subvenção de R$ 5 mil mensais, mas há muito tempo foi cortado. A população precisa se movimentar e ajudar a buscar uma solução para Irati. Muitos municípios à nossa volta têm projetos e já castraram todos os animais de rua. Eu peço ajuda da população neste sentido também”, frisou.

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A presidente chama o município para assumir o controle de zoonoses e da população dos animais. “Não adianta pressionar a ONG neste sentido, tem que cobrar os órgãos municipais para que saiam estes projetos de castrações e que possam atender principalmente as pessoas que não têm condições. O preço varia de acordo com o tamanho de animal: pequeno, médio e grande. Se você castra um animal de porte grande, vai gastar mais de R$ 1 mil com medicação, roupinhas e tudo o que precisa”.

Para mais informações sobre como fazer doações para a ONG SOS Amigo Bicho, você pode entrar em contato pelo telefone ou via WhatsApp: (42) 99927-1600


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