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12/01/15 - 10h51 - atualizada em 13/01/15 às 10h54

Más condições da PR 364 oferecem riscos aos motoristas

Pedido de pavimentação da rodovia vem sendo feito há pelo menos 30 anos
Paulo Henrique Sava

Usuários dizem que estrada não oferece condições de tráfego nem de segurança
Cansados de promessas e de esperar por melhorias, motoristas e moradores das comunidades próximas a PR 364 procuraram a reportagem da Najuá para reclamar das péssimas condições da estrada que liga Irati a São Mateus do Sul.

Os moradores pedem a pavimentação da rodovia, que é prometida há mais de 30 anos, mas até agora não foi realizada. As más condições da estrada causam prejuízos aos motoristas que dependem deste trecho para se deslocar para o trabalho, para as suas residências, para escoar a produção agrícola ou até mesmo para estudar em Irati.

Existem outras opções de deslocamento entre as duas cidades, mas o trajeto aumentaria em mais de 140 km e a viagem, que deveria durar aproximadamente 40 minutos, pode levar cerca de uma hora e meia a duas horas.

O agricultor José Batista afirma que a manutenção realizada pelo DER não é suficiente para deixar a estrada em boas condições de tráfego. “Em vez de colocarem um cascalho firme, eles colocam um cascalho podre, e a estrada fica péssima”, comenta.

Agricultor teve diversos prejuízos ao trafegar pela estrada
O agricultor, que teve o pára-lama do seu veículo danificado ao trafegar pela estrada, diz que os prejuízos que teve são incalculáveis. “Eu moro a 500 metros da estrada  há 40 anos e faz tempo que ela não é cascalhada”, relata.

José afirma que os moradores vêm solicitando a pavimentação da rodovia há vários anos. “Já era para ela estar asfaltada, eu não sei o que fizeram que ainda não asfaltaram”, comenta. De acordo com o agricultor, quando chove, a situação fica ainda pior. “É um sofrimento muito grande”, destaca.

A pedagoga Maria Cecília Carvalho reside em Irati, mas utiliza a estrada pelo menos três vezes por semana, para visitar o marido, que trabalha em São Mateus e para visitar clientes de sua empresa, que atende indústrias da região.  Ela comenta que a situação da estrada sempre foi muito ruim.

“Quando chove, é impossível trafegar por conta da lama e dos buracos, e em dias de sol e calor, é tanta poeira que você não enxerga um palmo à sua frente”, comenta.

Cecília conta ainda que a situação fica mais grave porque, em alguns pontos da estrada, formam-se atoleiros, nos quais a ajuda de outros motoristas e moradores das proximidades torna-se necessária.

“A gente muitas vezes tem que passar por situações de constrangimento e depender de favor dos moradores para conseguir ajudar a desatolar os carros, ou muitas vezes tem prejuízos financeiros por conta da perda de peças dos carros, pneus, rodas e inúmeros outros prejuízos que você tem por conta da situação da estrada”, afirmou.

Além disso,  Cecília comenta que a estrada não oferece segurança nenhuma para os motoristas. “Primeiro, porque ela não tem fiscalização nenhuma, e segundo porque você fica à mercê de ser assaltado a qualquer momento”, ressalta.

Segundo a Assessoria de Comunicação do DER, pavimentação está em fase de elaboração do projeto de execução
De acordo com moradores das proximidades, cascalho colocado na estrada é de má qualidade

Para quem utiliza a estrada há mais de 20 anos e reside nas proximidades, a situação vem piorando a cada ano. A guarda municipal de Irati, Eliana Soares Fillus, que utiliza a PR 364 diariamente para se deslocar para o trabalho, diz que é muito difícil enfrentar os riscos que a estrada oferece. 

“A gente só tem duas situações: ou é a poeira, ou é a lama. Eu, que utilizo moto, em dia de chuva não posso nem pensar em fazer isso, porque ela desliza, entope e não consegue seguir. Então, quem mora aqui ou passa diariamente sabe relatar bem a situação desta rodovia”, ressalta.

Eliana comenta que reside na região desde 1989 e que já ouviu relatos dos seus avós e de seus pais sobre os pedidos de pavimentação da PR 364. “Este trecho não tem fiscalização nenhuma, ou seja, qualquer pessoa pode passar pela rodovia com o que quiser que não é fiscalizado”, frisou.

Más condições da rodovia prejudicam comércio da região

O comércio existente as margens da estrada também acaba sendo prejudicado, isso porque muitas pessoas preferem utilizar outras rotas e aumentar o tempo de viagem do que passar pela rodovia. Em entrevista a reportagem da RPCTV, o comerciante Paulo Zvir, que possui uma banca às margens da rodovia, falou sobre o seu descontentamento com as condições da estrada.

“Isso desanima a gente, e eu só estou com o comércio aberto porque já sou aposentado. Aqui acontecem muitos acidentes, e vem gente até do Mato Grosso, e o pessoal fica perdido, porque vê que a estrada, no mapa, tem asfalto, mas na realidade não tem”, comenta.

Segundo funcionários do DER, obras de manutenção da estrada devem ser concluídas esta semana

Moradores fazem protesto contra as más condições da PR 364

Na última quarta-feira, 07 , moradores da região de São Mateus do Sul realizaram um protesto contra a falta de manutenção da rodovia. Na oportunidade, eles fecharam a estrada a 4 km do trevo de acesso ao município. A Polícia Militar precisou intervir na manifestação, que teve início por volta das 13 horas e foi encerrada cerca de uma hora e meia depois.

Manutenção

Na oportunidade, a assessoria do Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER) informou que as obras de recuperação da estrada foram paralisadas porque uma motoniveladora utilizada nos serviços apresentou problemas. Ainda de acordo com funcionários do DER, a máquina foi consertada e retomou os trabalhos ainda na tarde de quarta-feira. 

De acordo com funcionários do DER de Irati, o trabalho de patrolamento e cascalhamento da rodovia vem sendo realizado e deve ser concluído ainda nesta semana.

Sobre a pavimentação da PR 364, a Assessoria de Comunicação do DER informou que os recursos necessários para a execução das obras já estão incluídos na Lei Orçamentária Anual de 2015. A obra ainda está em fase de elaboração do projeto de execução. O investimento no projeto será de aproximadamente R$1,5 milhão.



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