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01/09/12 - 03h04 - atualizada em 01/09/12 às 21h07

Narguile: o "doce" amargo na saúde dos adolescentes

Fumaça do narguile pode causar doenças cardíacas, enfisemas e câncer de pulmão, mesmo entre os usuários que não tragam a substância
Rodrigo Zub


Uso do narguile é comum entre os jovens
“Fumar faz mal para você e para o planeta”. Na quarta-feira, dia 29 de agosto, foi comemorado o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo dedicado para enfatizar os males do fumo, suas formas de prevenção e combate do vício.
100 mil crianças por dia entram no mundo do tabagismo, sendo que a metade delas cria o hábito e vira dependente do vício. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam uma triste realidade que afeta a população.

Segundo especialistas, uma das armadilhas são os cigarros aromatizados que atraem os jovens pelo sabor, mas que contém um número elevado de substâncias tóxicas. Um dos perigos é o Narguile, espécie de cachimbo de água, por meio do qual o tabaco é fumado com o acréscimo de substâncias derivadas do açúcar. 

O enfermeiro Leandro Ditzel e Maria Aparecida Havresko Rutina, que fazem parte do programa Irati Livre do Tabaco, revelam que a fumaça do narguile pode causar doenças cardíacas, enfisemas e câncer de pulmão, mesmo entre os usuários que não tragam a substância. Outras consequências decorrem do uso compartilhado do narguile, como a transmissão de hepatite, herpes e tuberculose.

“Imagine que, em 15 minutos você consiga fumar 100 cigarros. Isso parece impossível, mas não com o narguilé porque a concentração de nicotina equivale a 100 cigarros. Sem contar à água que não filtra e a adição de metais pesados como chumbo. Sem contar que alguns adolescentes usam bebidas alcoólicas e droga. Por isso, é bom que os pais fiquem atentos ao narguile”, alerta Ditzel.

"Irati Livre do Tabaco"

Em Irati, há cinco anos foi criado o Programa “Irati Livre do Tabaco” onde são desenvolvidas atividades que auxiliam o tratamento aos fumantes que desejam abandonar o tabagismo.
 
De acordo com Rutina, o índice de pessoas participantes do programa que conseguiram parar de fumar, oscila entre 65% a 80%.
 
“Cada grupo a gente monta numa média de 15 pessoas. Dessas, algumas estão preparadas e outras não. Terminamos com 12 ou 13 pessoas. O Índice é de 65 a 80%, mas depende muito da decisão da pessoa. Do querer e não do precisar parar de fumar.

Quem deseja parar de fumar em Irati, conta com o programa e com o apoio de uma equipe de profissionais da saúde. Os grupos são formados e se reúnem toda quarta-feira, durante cinco semanas, das 13h30 às 16h no Centro Administrativo Municipal (CAM), explica Rutina. “Esse trabalho possui metodologia com complemento. Os interessados devem fazer a inscrição conosco para encaixar nos próximos grupos. Já nas quintas trabalhamos as pessoas que já pararam e as que têm o objetivo de entrar no grupo”.

Ações


O enfermeiro afirma que são enfocados três tipos de ações no Programa. Os trabalhos são voltados para as áreas de pesquisa, prevenção e atendimento médico e psicológico. Ditzel conta que um das técnicas utilizadas é a da terapia em grupo que visa combater o uso do cigarro.

“Quando se torna dependente o trabalho é árduo para fazer o fumante parar. Não é impossível, mas é uma decisão que depende de um forçinha do grupo. Por isso, trabalhamos a terapia cognitiva comportamental”, comenta.

Danos ambientais

Ditzel diz que o Tabagismo além de ser um problema de saúde pública, ainda ocasiona danos irreparáveis ao meio ambiente, a fauna, flora e aos animais. “Durante o período de chuvas essas bitucas irão entupir as galerias pluviais, mares, rios e isso vai causar um desequilíbrio ambiental grande causando a quebra da cadeia alimentar”, alerta.

Segundo ele, as pessoas devem ficar mais atentas quanto os malefícios que as bitucas de cigarros e a fumaça tabagística causam a sua saúde.
 
De acordo com Ditzel, a fumaça causada pelo cigarro contém substâncias letais. O cigarro produz 4.726 substâncias tóxicas. Dessas 40 delas causam câncer.




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