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16/09/11 - 03h43 - atualizada em 18/09/11 às 10h15

Para Pianaro quem avalia a qualidade da educação do País, é o Ideb e não o Enem

De acordo com o chefe do Núcleo Regional de Educação, José Antonio Pianaro, a classificação ruim dos colégios públicos no Enem deve ser vista com cautela, pois o exame tem o objetivo de analisar os conhecimentos individuais do aluno ao contrário do Ideb- Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- criado em 2007 para medir a qualidade das escolas e da rede de ensino.

Rodrigo Zub

Assim como na distribuição de renda, o Brasil avança lentamente na melhoria da qualidade do ensino pelos cálculos do governo vai levar pelo menos uma década para o País alcançar o nível de ensino compatível com os países de primeiro mundo. Das 100 melhores escolas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apenas 13 são públicas. No Paraná a situação é semelhante. Dos 20 melhores colégios somente três são públicos A diferença entre as escolas públicas e particulares ainda são muito grandes.

Enem
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante que já concluíram ou estão concluindo o ensino médio.

Atualmente o exame é utilizado também como critério para ingresso nas universidades. Nos últimos dois anos muitas instituições estão substituindo os tradicionais vestibulares pelo Enem ou utilizando através de outras três formas: Como primeira fase de seleção, usando parte da nota da prova para atribuir um percentual na avaliação final dos candidatos ou para preencher vagas remanescentes. Além disso, o candidato com bom desempenho na prova pode ser contemplado por meio do Programa Universidade Para Todos (ProUni) que oferece bolsas parciais ou integrais aos alunos de baixa renda.

Segundo a avaliação do Chefe do Núcleo Regional de Educação, José Antonio Pianaro, a classificação, no entanto, deve ser vista com cautela já que o Enem tem o objetivo de analisar os conhecimentos individuais do aluno ao contrário do Ideb- Índice de Desenvolvimento da Educação Básica criado em 2007 para medir a qualidade das escolas e da rede de ensino. “O Enem é utilizado por um grande número de universidades públicas e até mesmo particulares como critério para entrada na Universidade uma vez que avalia individualmente o aluno. Já o Ideb visa fazer uma avaliação coletiva, inclusive determinando a nota da própria escola”, destaca Pianaro.


Polêmica

Desta vez o Enem 2010 apresentou uma novidade. Os estudantes foram separados em quatro grupos para separar escolas que tiveram participação acima de 75% a outras que tiveram pouca adesão a prova (menos de 25%).  

Essa divisão por grupos acabou ocasionando uma grande polêmica. Em Rio Azul, por exemplo, a Escola Nossa Senhora Aparecida da localidade de Invernada ficou em último lugar entre as escolas avaliadas sendo caracterizada pela mídia em rede nacional como o pior colégio do Estado. Segundo Pianaro, o principal problema é que a prova foi fundamentada através do grupo I que concentrou as escolas particulares do Estado. Para explicar a situação, o chefe do núcleo regional de educação voltou a utilizar como argumento o índice do Ideb, que em sua opinião é o verdadeiro avaliador da educação brasileira.

“Em comparação aos grupos II, III e IV a escola [Nossa Senhora Aparecida] teve índices muito melhores que vários colégios do Paraná. No Ideb essa escola teve uma média superior ao índice Brasil. Em 2009, a média era de 3,9 e essa escola teve o índice 4”, confirma.

Pianaro lembra que praticamente todos os alunos da escola rio-azulense são oriundos da área rural e que a aspiração deles é diferente de outros colégios do grupo I. Ele destaca ainda a grande participação e o interesse dos estudantes em fazer a prova. De 16 formados, 13 fizeram o exame.

“Na maioria dos casos, estes estudantes não têm interesse de fazer uma graduação. Eles querem adquirir conhecimento e ficar na própria comunidade, trabalhando na terra com seus avôs e seus pais. Eu quero até parabenizar toda a equipe pedagógica e os professores porque tiveram um índice de participação próximo de 90 %.Volto a insistir dentro do geral do PR eles ficaram bem colocados, mas no grupo I é claro que eles ficaram abaixo porque concentrou as escolas particulares do Estado”, destaca.

Não obrigatoriedade do exame

Outro aspecto que pode ser levado em consideração é o índice de alunos que fizeram o exame, pois o comparecimento na prova do Enem não é obrigatório. Por esse motivo muitos educadores solicitam que os alunos realizem a prova, pois em alguns casos, a média de uma escola em que a participação foi pequena pode não representar a realidade da instituição.

“Essa não obrigatoriedade do exame pode eventualmente ocasionar essa situação. De repente uma escola particular pode até mesmo selecionar os melhores alunos para fazer a prova para elevar consequentemente à nota da própria escola”, indica.

Reforma na educação brasileira

Para especialistas os resultados mostram claramente que a educação brasileira precisa de uma reforma e não custa lembrar que o governo federal e os estados são os responsáveis pela rede pública de educação. Só para ter uma ideia, dados do Ministério da Educação revelam que o investimento das escolas privadas é dez maiores do que nas escolas públicas.

Questionado sobre o assunto o governo admite que falta dinheiro para investir na evolução do setor, mas diz que tem se esforçado para garantir melhores condições aos alunos, principalmente na última década quando dobrou o valor pago por aluno da rede pública de ensino.

Medidas no Estado do PR

No Paraná, por exemplo, a meta do governador Beto Richa é criar pelo menos 500 escolas de período integral nos municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), justamente para elevar à qualidade da população e consequentemente a condição econômica e social dos municípios.

Semana passada o governador em exercício Flávio Arns liberou R$ 105 milhões para ampliação e construção de salas de aulas para atender o ano letivo de 2012. A previsão é de que partir do ano que vem todas as escolas do Paraná recebam recursos de até R$ 150 mil que serão gerenciados pela própria comunidade escolar para ampliações não só de salas, mas de todo o ambiente escolar.

“Já são liberadas pela própria secretaria de educação as salas de apoio [contra turno escolas] de 5 a 8ª séries (6º ao 9º ano) agora. Porque quando se fala em investimento não é somente salário de professores, mas na estrutura, cursos, formação, qualidade da merenda, enfim criar condições para que o aluno realmente aprenda com qualidade”, entende.

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