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04/10/11 - 00h11 - atualizada em 10/10/11 às 07h27

Polêmica sobre caso de meningite que levou paciente a morte em Fernandes Pinheiro: Família reclama de diagnóstico tardio; secretária de Saúde afirma que forma da doença é rara

18 dias de angústia, dor e aflição. Este foi o quadro vivido nos últimos dias de José Roberto Gomes, 38 anos, vítima fatal de meningite. Triste desfecho para o agricultor da comunidade de Bituva dos Lopes que, segundo sua família, lutou com todas as forças para se manter vivo.
Da Redação


Dor de cabeça, vômitos, rigidez de nuca, manchas vermelhas na pele e febre alta são alguns dos sintomas característicos do quadro de meningite, doença que até pouco tempo era associada à fatalidade, pois poderia levar à morte em poucas horas, mas que hoje, graças aos mecanismos que possibilitam diagnosticá-la precocemente, tem possibilidade grande de cura, dependendo do tipo de microorganismo causador.


Meningite

A meningite é a inflamação das meninges, ou seja, das membranas que envolvem o cérebro embaixo do osso da cabeça. Ela pode ser causada por vírus ou bactérias.

A transmissão se dá pelo contato da saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente.  A doença chega a matar em 10% dos casos e atinge 50% quando a infecção atinge a corrente sanguínea e é este um dos motivos da importância do tratamento médico.

A vacina é a melhor prevenção para os casos de meningite e pode ser aplicada nos primeiros meses de vida, porém, não existe vacinas para todos os tipos da doença. 

As meningites bacterianas são mais graves e devem ser tratadas imediatamente. Os principais agentes causadores da doença são as bactérias meningococos, pneumococos e hemófilos, transmitidas pelas vias respiratórias ou associadas a quadros infecciosos de ouvido, por exemplo.

Diagnóstico

Todos os tipos de meningite são de comunicação compulsória para as autoridades sanitárias. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica do paciente e no exame do líquor, líquido que envolve o sistema nervoso, para identificar o tipo do agente infeccioso envolvido.

Tratamento

Assim como para as outras enfermidades causadas por vírus, não existe tratamento específico para as meningites virais. Os medicamentos antitérmicos e analgésicos são úteis para aliviar os sintomas.

Meningites causadas por fungos ou pelo bacilo da tuberculose exigem tratamento prolongado à base de antibióticos e quimioterápicos por via oral ou endovenosa.


* Alguns sintomas da meningite podem ser confundidos com os de outras infecções por vírus e bactérias. Não fique na dúvida: criança chorosa, inapetente e prostrada, que se queixa de dor de cabeça, precisa ser levada, o mais depressa possível, para avaliação médica de urgência.

* Fonte Site Dráuzio Varella

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) até maio deste ano haviam sido registrados mais de 400 casos e 15 óbitos em decorrência da doença, em todo o Estado do Paraná. Infelizmente um homem de 38 anos de Fernandes Pinheiro, também passou a fazer parte desta estatística.

Certidão de óbito consta que José morreu de um tipo de meningite raríssima muito difícil de ser tratada
18 dias de angústia, dor e aflição. Este foi o quadro vivido nos últimos dias de José Roberto Gomes, 38 anos, vítima fatal de meningite. Triste desfecho para o agricultor da comunidade de Bituva dos Lopes, em Fernandes Pinheiro, que, segundo sua família, lutou com todas as forças para se manter vivo. Para a família Gomes, o momento agora é de tentar superar o luto e retomar a vida. Mas a esposa, filha, os irmãos e os demais familiares sabem que isso será muito difícil.
 

A família reclama da demora no atendimento e da falta de diagnóstico correto, uma vez que a hipótese da doença só foi apontada quando o quadro teria se agravado, já no Hospital Bom Jesus em Ponta Grossa, pouco mais de 13 dias depois do primeiro atendimento.


“Tinha cura se fosse diagnosticada antes. O Dr. Derly de Ponta Grossa já foi sincero desde o início porque meu marido já saiu em coma aqui de Irati. Se eles sabiam desde o início que era meningite porque não investigaram?”, questiona  a esposa de José, Nanci Zenaide Gomes, que ao lado de outros familiares, conversou com a equipe da Najuá para contar mais detalhes sobre o caso.


No atestado de óbito consta que José morreu de um tipo de meningite raríssima muito difícil de ser tratada - "Meningoencefalite fungo". Para a secretária de Saúde de Fernandes Pinheiro, Elizângela do Carmo Moreira Pires, as lesões neurológicas que a doença provoca nesses casos podem ser irreversíveis.


Secretária de Saúde de Fernandes Pinheiro, Elizângela do Carmo Moreira Pires
“Ele faleceu por Meningoencefalite causada por fungo, muito rara [com alto índice de mortalidade] e quando a pessoa se salva desta meningite ela fica com sequelas. Por isso neste caso era muito difícil de salvar a vida deste paciente”, disse Elizângela, que concedeu entrevista no Programa Meio Dia em Notícias na última semana.

Drama vivido pela família

O “calvário” e o drama deste paciente teve início no dia 19 de agosto quando passou o dia reclamando de febre alta e dores no corpo. Percebendo que o estado de saúde de José inspirava cuidados, a família o levou ao posto de saúde em Fernandes Pinheiro.

“Ele dizia que doía o olho como se fosse pequeno o local de tanta dor que ele sentia. Não levantou, ficou o dia todo da cama e também não comeu, isso foi no dia 19. No dia seguinte, procuramos o médico do posto que tratou ele como se tivesse uma gripe ou vírus não identificados”, diz Nanci afirmando que seu marido nunca apresentou este tipo de problema. Ela também relatou que a filha do casal teve meningite quando tinha dois anos, mas que depois de 12 dias internada acabou sendo tratada e liberada sem nenhuma sequela.

Quando esteve internado pela primeira vez, José reclamava cada vez mais de dores chegando a desmaiar enquanto estava sendo atendido, relatam os familiares. Depois de medicado, o paciente retornou para a casa. No entanto, novamente José procurou à unidade com os mesmos sinais e permaneceu lá durante o dia todo, só voltando para casa à noite.

“Nesse dia, ele nem desceu do carro da saúde. A enfermeira viu a pressão dele e verificou que ele estava com muita febre. Vendo a situação, contamos ao médico de plantão que suspeitou que fosse meningite”, diz a cunhada da vítima, Nilce Zoraide Blan, relatando que neste mesmo dia, um domingo, o paciente foi encaminhado à Santa Casa de Irati onde foi solicitado o exame de Tomografia, que não pode ser feito em função do aparelho estar estragado.

“O médico de plantão [do posto de saúde de Fernandes Pinheiro] encaminhou o caso à Santa Casa [de Irati], com suspeita de meningite. Chegando em Irati, ele foi atendido com quadro clínico de cefaléia e ficou em observação até que no final da tarde, os médicos pediram para se feito uma tomografia. Só que no domingo, o tomógrafo da Santa Casa [de Irati] estava estragado, por isso ele teria que ser encaminhado para a Santa Casa de Ponta Grossa”, confirmou Elizângela.

Tomografia não detecta nenhuma anormalidade

De acordo com Nanci, seu esposo foi conduzido ainda no domingo para Ponta Grossa, onde foi realizada a tomografia. Nada foi detectado neste exame e o paciente não ficou no hospital. “Ele retornou novamente na segunda-feira, foi atendido por dois médicos durante o dia todo. Um dos médicos ligou para Ponta Grossa, perguntando sobre a tomografia o que tinha dado e eles falaram que o resultado deu normal”, comenta a secretária de Saúde, Elizangela.

O sinal que o caso era realmente grave veio no dia 24 de agosto, quando ele novamente foi encaminhado ao posto de saúde em Fernandes Pinheiro. Desta vez com sintomas diferentes.  Pressão sanguínea alterada e uma leve rigidez de nuca. Novamente foi encaminhado a instituição hospitalar de Irati com solicitação para que fosse realizado o exame de líquor, que detectaria se o paciente estava ou não com meningite.

“Ele sofreu vários desmaios nesse dia. Ele gritava de dor, rigidez na nunca, perda da visão, ficou surdo. Mas, mesmo assim, eles diziam para não se preocupar que não era nada grave que era um problema psicológico. Ele passou 18 dias fora de casa na tentativa de se curar. Porque se era 90% psicológico como os médicos diziam ele só tinha 10% de dor. Será que a pessoa estaria fingindo sentindo todos estes sintomas”, argumenta a irmã de José, Ana Lúcia Dorochinski.

Durante a edição do Programa Meio Dia em Notícias do dia 26 de agosto, o médico, de Fernandes Pinheiro Alessandro Shimidt, que atendeu o paciente e fez o encaminhamento ao hospital de Irati, se pronunciou sobre o caso. Segundo Shimidt, a possibilidade mais provável era de que o paciente estava com meningite, mesmo sem a confirmação laboratorial já que ele apresentava uma leve rigidez de nuca. No entanto, o médico informou que vários testes e exames foram realizados na tentativa de detectar alguma anormalidade, inclusive uma tomografia, mas que nada de anormal doi detectado.

“Não é um estado grave como foi colocado, nós estamos monitorizando o caso e todos os exames estão sendo feitos em continuidade. O médico não tem uma bola de cristal ele tem que se basear em sinais e sintomas para buscar o diagnóstico e é isso que estamos fazendo”, afirmou o médico.

Tratamento

Entretanto entre os dias 24 e 31 de agosto, José permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição hospitalar de Irati, em coma induzido, segundo o que informaram os familiares, e neste momento foi iniciado o tratamento contra a meningite, que teria sido interrompido assim que o paciente apresentou melhoras em seu estado clínico.

“Assim que ele melhorou os médicos descartaram o problema de meningite e começaram a tratar de problemas psicológicos. Porque eles começaram a tratar meningite e pararam? Eles nos trataram muito bem, mas eles não deram uma resposta. Não chegaram e falaram para a família que o caso era grave. Se a gente não tira ele daqui e leva para Ponta Grossa ele tinha morrido aqui e nem se saberia de que”, questiona Nilce.

Conforme citou Nilce, após o segundo internamento na Santa Casa de Irati, o paciente foi transferido para o Hospital Bom Jesus em Ponta Grossa (no dia 31 de agosto) permanecendo internado por três dias, vindo a óbito no dia 4 de setembro às 20h30m.


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