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21/08/13 - 02h45 - atualizada em 21/08/13 às 11h39

População se mobiliza e cobra melhorias no hospital Darcy Vargas

Cerca de 150 pessoas participaram de audiência pública com o objetivo de discutir a falta de recursos e de profissionais no hospital
Rodrigo Zub


A onda de manifestações que tomou conta do País no mês de junho despertou o senso crítico e a intenção das pessoas criarem alternativas para resolver os problemas sociais. É desta forma que um grupo de reboucenses iniciou um movimento para tentar solucionar o déficit de custeio e a falta de profissionais no hospital Darcy Vargas. Nesta terça-feira, 20, cerca de 150 pessoas lotaram as dependências da Câmara de Rebouças, durante uma audiência pública que discutiu a situação do estabelecimento de saúde.

Audiência pública teve a participação de aproximadamente 150 pessoas
Os nove vereadores de Rebouças participaram das discussões. Por outro lado, ninguém esteve representando o executivo durante o encontro. Após a reunião, os vereadores se comprometeram de formar uma comissão para acompanhar o andamento das atividades do hospital.

O comerciante Luis Carlos Skiba, que está encabeçando o movimento que teve início nas redes sociais, conta que a principal dificuldade do hospital é que apenas um médico está atendendo a demanda. Desentendimentos entre a direção do hospital, profissionais e a secretaria de Saúde de Rebouças ocasionaram a saída de pelo menos seis médicos nos últimos 15 dias.

Presidente deixa direção do hospital

Na sexta-feira, 16, o presidente do hospital Barquet Ayub Filho, entregou o cargo. O enfermeiro, Marcelo Klein Gierez, foi designado para comandar o hospital a partir de terça-feira, 20.

Em entrevista ao repórter Sérgio Soriani, da rádio Alvorada, Barquet disse que durante o período que permaneceu a frente do hospital, cerca de seis meses, não houve entrosamento com a secretaria de Saúde. Segundo ele, algumas decisões referentes ao hospital receberam intervenções de outras pessoas. O ex-presidente disse que a estrutura é considerada boa, mas de acordo com ele, faltam médicos para atender a demanda. A falta de recursos é outro problema que dificulta a situação do hospital. O déficit mensal chega próximo de R$ 5 mil.

Barquet ainda mencionou que as gestantes do município estão enfrentando dificuldades, pois não há profissionais especializados para realizar partos. Ele relatou que visitou a Santa Casa de Irati e tentou resolver a situação, mas foi informado que as gestantes não poderiam ser atendidas. Durante o contato com funcionários da Santa Casa, Barquet teria sido informado que nenhuma pessoa da administração de Rebouças, procurou resolver o problema.

Um médico para atender a demanda

Skiba diz que a situação financeira do hospital é difícil. De acordo com ele, nem mesmo o aumento do repasse por parte da prefeitura ajudou a solucionar o problema. O doutor Hugo Correa de Oliveira Reis, único médico que atende no hospital Darcy Vargas, expôs durante a audiência pública, que o estabelecimento não possui corpo clínico. Reis também havia anunciado sua saída do hospital, mas depois repensou sua decisão e declarou que irá permanecer na instituição. Skiba reitera que o hospital poderá ficar sem médicos em caso de uma emergência.

“Quando há casos graves, como ocorreu quando um garoto foi atingido por um tiro, o médico é obrigado a deixar o hospital e acompanhar o paciente, caso haja outra emergência o hospital ficará desguarnecido”, afirma o comerciante. Ele enfatiza que o objetivo do movimento é mostrar a realidade do hospital para a população, a fim de fazer com que as pessoas pressionem o poder público.

Projeto pioneiro no hospital Darcy Vargas

Os problemas de estrutura e custeio do hospital Darcy Vargas vieram à tona justamente depois do estabelecimento ter sido selecionado para receber um projeto pioneiro de Cuidados Continuados. A ideia é criar uma unidade hospitalar capaz de dar um suporte especializado para pessoas que receberam alta no hospital, mas não têm condições psicossociais de voltar para casa – por algum tipo de dependência funcional ou falta de autonomia. O secretário de Estado da Saúde (Sesa), Michele Caputo Neto, anunciou o lançamento do projeto em julho, em Irati. Na oportunidade, ele destacou que o novo sistema irá atender pacientes estratégicos que necessitam de internamento em hospitais de maior complexidade. Rebouças foi o único município do Paraná que faz parte do projeto.

Valor do repasse pode ser insuficiente, alerta morador

Para Skiba, o valor que será repassado para o hospital é insuficiente para manter a estrutura de pacientes que vão procurar o município. “O problema maior vai ser o baixo repasse de verbas, cerca de R$ 180 mil, para manutenção de um projeto tão ousado. Vai causar uma despesa muito grande. Hoje somente o município repassa em torno de R$ 80 mil por mês e está sendo insuficiente pra manter apenas a demanda daqui, imagine recebendo pessoas dos mais diversos municípios”, analisa o comerciante.

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