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05/11/11 - 22h52 - atualizada em 08/01/12 às 15h14

Por falta de apoio, iratienses representam outras cidades na final do Fepart

Durante a final do Fepart, realizada no último fim de semana, na cidade do Portal do Paraná, Xandão, Gilson Rocha e Adriano Sabakiewicz representaram CTGs de Guarapuava e Pato Branco, respectivamente
Rodrigo Zub

Em 2009, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) entidade máxima dos CTGs paranaenses criou o Circuito Estadual de Rodeios. O Festival Paranaense de Arte e Tradição (Fepart), como é popularmente conhecido, acabou privilegiando as cidades maiores que tem maior poder aquisitivo. Dessa forma, muitos tradicionalistas deixaram de participar dos festivais por falta de apoio.

O alto custo com hospedagem, transporte, entre outras despesas, fez com que muitas pessoas se afastassem desse meio fazendo com o movimento perdesse adeptos. Quem continuou teve que se adaptar a situações inusitadas e até certo ponto constrangedoras. Representar outro município e não sua cidade de origem causou muita tristeza para muitos tradicionalistas.

Esse fato curioso ocorreu com três iratienses no último fim de semana durante a Final Fepart, realizada na cidade de Pontal do Paraná. Nenhum deles defendeu um CTG local.

Alexandre Oconoski (Xandão) e Gilson Rocha representaram o CTG Chaleira Preta de Guarapuava. Já Adriano Sabakiewicz defendeu as cores do CTG Tarca Nativista de Pato Branco.

Como a maioria dos municípios do interior, como é o caso de Irati, não costuma ajudar financeiramente os membros de CTGs, os tradicionalistas se veem obrigados a aceitar convites e ofertas de outros municípios. Para Xandão, a alegria de ter conquistado o título de campeão paranaense na modalidade Gaita Peão Adulto se transforma em frustração ao saber que não pode representar sua cidade de origem.

“Pra nós é muito triste isso. Eu fui campeão e se você pesquisar na internet consta como guarapuavano. Isso tudo por falta de incentivo daqui, porque os CTGs pararam com o movimento e a gente não tem apoio nenhum. O CTG Chaleira Preta de Guarapuava é o que patrocina todas as nossas viagens e banca as despesas, infelizmente”, revela.

Mobilização e apoio

Segundo Xandão, durante um período a prefeitura chegou a repassar um valor em dinheiro, espécie de ajuda de custo aos CTGs, que depois de um determinado período deixou de ser repassada. “Não era uma grande ajuda, mas já dava um alento. Porque era um dinheiro que entrava mensalmente e o pessoal folgava para outras despesas”, lembra Xandão.

De acordo com ele, seria importante fazer uma grande mobilização envolvendo  governantes, patrões dos CTGs e todos os tradicionalistas para reivindicar novamente junto ao MTG a realização de uma etapa do Fepart, em Irati. Evento este que já aconteceu na cidade em 2009, mas que deixou de ser realizado nos anos seguintes em função da estrutura precária do CTG.

“O pessoal está se movimentando para trazer o Circuito novamente para Irati. Muita gente da região, Rio Azul, Mallet, não foi a final do Fepart porque é obrigado a ir a duas etapas do Circuito no ano. Se o pessoal participasse aqui era muito fácil ir a Colombo pegar a nota e participar da final. Como não teve em Irati ninguém quis ir daqui a Toledo, Marechal Rondon, Capanema, Cascavel, é muito longe, muito gasto”, conclui.

Segundo Xandão, a região centro-sul possui uma tradição muito forte em competições a nível estadual e nacional, principalmente entre os jovens que tem conquistado vários títulos nos últimos anos.

“A participação é muito forte de nossa região. Falta mesmo o incentivo. O campeão brasileiro de gaita juvenil é de Rio Azul. O Campeão estadual juvenil também é de Rio Azul. Assim como o segundo colocado e o terceiro lugar de gaita modalidade infantil que é de Mallet. Nenhum deles participou do Fepart, porque é longe e dispendioso as viagens”, comenta.

Preocupação

Xandão analisa a situação como preocupante. De acordo com ele, a falta de incentivo pode fazer com que as futuras gerações deixem de ingressar nos CTGs, fato que pode trazer sérias consequências para o movimento tradicionalista. Dentre elas, a possibilidade do movimento gaúcho acabar em função da região estar isolada das demais.

Por esse motivo, Xandão faz um alerta para todos os tradicionalistas. “Irati já deixou de realizar o rodeio artístico. É muito doloroso, eu estive em um que reuniu os maiores grupos de dança do Estado. Nos últimos anos, tive a dor de ver a nossa cidade não sediar o evento. Não é tão difícil assim, se o pessoal se reunir e programar a coisa funciona”, solicita.

Cultura familiar

Xandão lembra que o movimento tradicionalista é uma cultura totalmente familiar e que abre espaço para pessoas de todos os gêneros e idades. As mulheres, por exemplo, participam de concurso de prendas, que valorizam os dotes artísticos e culturais das moças. Bordado, artesanato e pratos típicos da culinária gaúcha são apenas alguns dos itens trabalhados.

Já o rodeio artístico é um meio de manter o tradicionalismo e as raízes vivas. Crianças, jovens, adultos e até pessoas da melhor idade se misturam em um clima de muita cordialidade.

Para quem não gosta de dançar ainda há diversas opções de provas e atividades, explica Xandão. “Tem provas de Declamação, canção, chula, causo, gaita, violão o que você imaginar. Ele é muito abrangente, tem para todos, você não precisa saber de tudo para estar dentro do movimento gaúcho”, comenta.

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