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01/11/13 - 09h31 - atualizada em 01/11/13 às 09h38

Profissionais que irão atuar no hospital Darcy Vargas serão capacitados na Europa

Capacitação faz parte do projeto de Cuidados Continuados que será implantado no hospital em 2014
Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub

Em determinadas situações, como fraturas e acidentes vasculares cerebrais (AVC), a alta hospitalar não indica o fim do tratamento. Para diversas famílias, cabe a dúvida: como dar assistência a esse paciente que necessita de atenção multidisciplinar numa estrutura doméstica? Quando não há condições, alguns familiares desses pacientes recorrem a asilos, quando se trata de idosos. Além das escassas vagas, nem todas essas instituições acolhem pacientes que, por exemplo, dependam de sonda para se alimentar. A instalação de uma unidade de referência em cuidados continuados no Hospital Darcy Vargas, em Rebouças, proverá suporte a esses pacientes, com acompanhamento de profissionais da saúde de diversas áreas.

Unidade de Cuidados Continuados irá funcionar a partir de 2014 em Rebouças
Para que o projeto seja colocado em prática, os profissionais estão sendo capacitados para a atenção continuada. De acordo com o chefe da 4ª Regional de Saúde, João Almeida Júnior, profissionais da Santa Casa de Irati, de hospitais de Ponta Grossa e de Curitiba, além dos próprios servidores que atuarão no hospital reboucense, estão passando por essa formação, uma vez que são hospitais de referência que vão encaminhar pacientes para a unidade. O encaminhamento ocorre nos casos em que, mesmo com a alta hospitalar, os cuidados médicos precisariam ser mantidos em casa e a família não teria condições de dar esse suporte. Uma equipe multiprofissional em Rebouças deverá cuidar desse paciente durante sua reabilitação até que possa receber a alta definitiva.

A formação dos profissionais está no quarto módulo. O quinto módulo levará profissionais de Rebouças e da região para hospitais de Barcelona (Espanha) e Lisboa (Portugal), que são referências mundiais em atenção continuada, a fim de que observem e ganhem experiência antes de aplicar essa atividade no Darcy Vargas. Os profissionais irão permanecer 12 dias na Europa (de 7 a 19 de novembro). O atendimento deverá iniciar assim que concluída uma pequena reforma no prédio, prevista para acabar entre fevereiro e março de 2014. Uma parceria entre governo estadual, Hospital Samaritano de São Paulo e duas empresas patrocinadoras subsidiará a ida desses profissionais à Europa.

Projeto pioneiro

O Hospital Darcy Vargas será um dos quatro hospitais brasileiros a contemplar a atenção continuada; o único no Sul dos Brasil. Além de Rebouças, esse projeto inclui um hospital em São Paulo (SP), um em Campo Grande (MS) e outro em Teresina (PI). A unidade pós-alta hospitalar compreenderá o atendimento de pacientes pós-AVC e fraturados que não possuem condições de retornar imediatamente às suas casas, devido à debilidade nutricional, física ou até mesmo insuficiência nas acomodações em casa.

“Nessa unidade teremos médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, dentistas, técnicos de enfermagem cuidando da saúde total deste paciente, para que ele, após a alta desta unidade tenha autonomia, tenha um modo de voltar para sua casa com toda a integridade mental e física reabilitada”, ressalta o chefe da 4ª Regional de Saúde.

Conforme João Almeida Júnior, não será necessário ampliar o número de leitos do hospital, uma vez que eles são subutilizados. Dos 36 leitos hoje disponíveis, apenas sete ou oito são frequentemente ocupados. Os demais permanecem ociosos. Portanto, o hospital deverá ser dividido em duas alas e dispor de 20 leitos para os cuidados contínuos e o restante para o atendimento convencional. “Esses leitos seriam suficientes para a demanda que o hospital tem e os 20 para a necessidade que nós temos hoje na região para iniciar esse projeto”, assinala o chefe da 4ª Regional de Saúde.

Recursos

Há alguns anos, hospitais de pequeno porte da região Centro-Sul vêm enfrentando dificuldades em seu custeio e solicitando às prefeituras, continuamente, o aumento no repasse de verbas. Segundo Almeida Júnior, esse problema advém da falta de investimento em atenção primária – prevenção e primeiros cuidados, em Unidades de Saúde e através do Programa Saúde da Família (PSF) – o que evitaria a busca pelas emergências dos hospitais.

O projeto de cuidados continuados pretende fazer também com que o Hospital Darcy Vargas tenha independência financeira do poder público para manter as portas abertas. “Esses hospitais precisam ter uma unidade e, principalmente, uma vocação no que eles vão atender”, observa.

Ele explica que os hospitais não serão subsidiados pelas prefeituras, mas vão continuar contratando serviços, como o atendimento 24 horas, para atender à população durante a madrugada, enquanto as unidades de saúde não estão abertas.

Quanto ao hospital de Rebouças, uma parceria do governo federal e do estadual deverá custear o atendimento aos pacientes e o valor será suficiente para cobrir a unidade de Cuidados Continuados. “Queremos que o hospital de Rebouças, assim que inicie essas atividades, seja totalmente independente da Prefeitura”, frisa Almeida Júnior.

A 4ª Regional de Saúde prevê que será necessária a contratação de pelo menos 15 profissionais a mais nessa equipe – entre médicos, enfermeiros, psicólogos, dentistas, enfermeiros, entre outros. Apesar de o governo remeter um recurso financeiro, o vínculo empregatício será firmado com o hospital.


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