Irati e Região / Notícias

04/06/19 - 16h19 - atualizada em 05/06/19 às 20h44

Projeto de extensão da Unicentro oferece atendimento psicológico na Agência do Trabalhador

Atendimento gratuito é estendido tanto para quem está inserido no mercado de trabalho quanto para os desempregados

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Estudantes Gabriel Andrade e Luana Dias oferecem apoio aos trabalhadores e desempregados na Agência do Trabalhador de Irati

Um projeto de extensão do curso de Psicologia da Unicentro leva à Agência do Trabalhador atendimento psicológico gratuito. Segundo o estudante Gabriel Andrade, a atividade integra o estágio da disciplina de Psicologia de Trabalho, do 5º ano do curso. 

“Estamos sendo orientados e supervisionados pela professora Claudia Magnabosco e envolve vários projetos que podem ser desenvolvidos junto aos trabalhadores e aos próprios funcionários da Agência do Trabalhador. Esse serviço envolve o apoio ao trabalhador que vem até a Agência, na elaboração de currículos, na preparação para uma entrevista de emprego – pois, muitas vezes, a pessoa fica nervosa. Nossa ideia é fazer um serviço de apoio, que estará aqui todas as quartas-feiras, das 13 às 16h”, explica. 

O serviço de plantão psicológico oferece ao trabalhador atendimentos mais breves e pontuais, diferente de um trabalho de psicoterapia. O plantão psicológico é direcionado àqueles que estão com dificuldades relacionadas ao trabalho ou à falta do trabalho – ou seja, para quem já tem uma ocupação no mercado de trabalho e para quem está à procura de emprego. 

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Luana Dias, também aluna do 5º ano de Psicologia e estagiária no projeto, ressalta que o serviço é oferecido gratuitamente e que o atendimento é prestado numa sala sigilosa. “O atendimento não será feito de forma exposta ao público, mas numa sala separada, somente a pessoa e um dos estagiários, ou eu ou o Gabriel”, comenta.

Desde o início do estágio, os estudantes estão aplicando uma enquete entre os trabalhadores que procuram a Agência para levantar quais seriam as maiores demandas na área da Psicologia do Trabalho, até mesmo para compreender o perfil dos trabalhadores que frequentam a Agência. 

A questão-chave que os estagiários pesquisam durante esse projeto de extensão é qual seria a maior dificuldade enfrentada por aqueles que buscam uma inserção ou uma reinserção no mercado de trabalho. “Estamos tentando entender qual seria a maior dificuldade, se é a falta de experiência profissional, que muitas empresas exigem, ou a questão da especialização, a falta de cursos. O que percebemos, até agora, é que muitas pessoas respondem que é a falta de experiência. É importante que isso seja visto e mostrado, para que a partir dessas respostas possamos formular novas estratégias, políticas públicas, projetos de intervenção, oficinas”, afirma Luana. 

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Outra atividade importante dos estagiários será a de sistematizar e analisar parte das informações produzidas pela Agência do Trabalhador de Irati, quanto às características e dos trabalhadores que buscam os serviços ali prestados e as situações que estão vivenciando em seu momento de vida, para assim fornecer subsídios para o aprimoramento de ações municipais voltadas para as necessidades específicas dos trabalhadores de Irati e região. 

No atendimento prestado pelos estagiários no plantão, o trabalhador pode, inclusive, receber encaminhamento para profissionais especializados, a depender da necessidade. Para casos mais simples, se a demanda for grande, os horários podem ser remarcados para a semana seguinte. O trabalhador também pode procurar o plantão psicológico quantas vezes desejar. 

Gabriel destaca que a importância dos projetos de ensino universitário é a oportunidade de poder entregar algo, de forma gratuita, à comunidade que, por sua vez, contribui para a existência do ensino gratuito nas universidades públicas. 

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O chefe da Agência do Trabalhador de Irati, Marcelo de Ávila Francos, entende que o projeto desenvolvido pela Unicentro é de suma importância para o trabalhador. “Estamos vivendo um momento de crise, ainda vivendo um momento de crise econômica e o desemprego é latente. No primeiro trimestre de 2019, foram 1.049 desempregados na cidade de Irati. É um número extremamente alto. São dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O estágio da Luana e do Gabriel procura dar uma assistência a esses trabalhadores, que podemos classificar que estão em sofrimento, porque o desemprego é um sofrimento. Temos esse número elevado de pessoas desempregadas e, em média, gera por mês 300 seguros-desemprego só do município de Irati. São números bastante altos e o seguro-desemprego é bem passageiro, tem um período para começar e vai terminar. Essa situação que muitos dos trabalhadores vive vai causar sofrimento”, opina.

O projeto já existia na Agência do Trabalhador, mas ficou suspenso por um período de dois anos e foi retomado no início deste ano letivo. “É uma nova proposta e eles estão num novo caminho, num viés diferente agora, procurando entender essa situação que o trabalhador passa hoje, que é o sofrimento pela falta de perspectiva de um emprego”, acrescenta Marcelo. 


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