Irati e Região / Notícias

07/07/19 - 12h38 - atualizada em 07/07/19 às 12h40

Situação financeira da Santa Casa preocupa provedor

Despesas como água, luz e medicamentos sofreram reajustes, mas a arrecadação segue igual

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 

Em participação ao vivo no programa "Meio Dia em Notícias, Provedor Ladislau Obrzut Neto e administrador Sidnei Barankievicz falaram sobre repasse de recursos e situação financeira da Santa Casa de Irati

O provedor da Santa Casa de Irati, o médico psiquiatra Ladislau Obrzut Neto, aponta que a situação financeira do hospital ainda é instável, uma vez que a destinação de recursos estaduais e federais permanece a mesma e, por outro lado, as despesas aumentam. “Por exemplo, a luz teve 15% [de reajuste]; os medicamentos, 7%; a água teve reajuste [de 8,3%]. As contas continuam vindo e não temos como reajustar nossa arrecadação, que vem, basicamente, do governo estadual e federal, de convênios, como a Unimed, do Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS/Amcespar), do SAS também, mas não está fazendo frente ao que se gasta.

“A contrapartida, por exemplo, é que, recentemente, terminamos o heliponto, que também é um atrativo, pois transferimos pacientes com custo mais enxuto, tanto para a Prefeitura [quanto para o hospital]. O atendimento na Santa Casa ainda é grande na questão do atendimento de porta aberta, via SUS, que são os atendimentos de atenção básica à saúde, que deveriam ir para a Secretaria Municipal, mas que vão para a Santa Casa. Isso acaba encarecendo os custos, de certa forma, mas a população não está sendo desassistida”, assegura o provedor.

Nesse sentido, a Provedoria planeja criar, dentro da Santa Casa, um espaço exclusivo para atendimento de urgência e emergência a crianças. “Saindo do Pronto Socorro Geral, um espaço só para crianças. O que está difícil é achar o pediatra”, diz.

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Segundo o administrador do hospital, Sidnei Barankievicz, com a troca de governo na esfera estadual e federal, houve atrasos no repasse de recursos no início do ano. Somados, os repasses são de cerca de R$ 1,2 milhão por mês. “O que deveríamos receber entre o dia 15 a 20, dentro da normalidade, estamos recebendo no dia 27 ou 28, praticamente no último dia útil de cada mês”, frisa. De atendimentos conveniados, são arrecadados cerca de R$ 400 mil, mais R$ 230 mil de particulares.

Os cerca de 3 mil atendimentos mensais são distribuídos em: 530 internamentos via SUS, 1.500 pacientes atendidos no Pronto Socorro e Ambulatório e mais 1.500 exames, incluindo mamografia, tomografia, ecografia e raio-X.

“O problema são nossos custos. Por mais que façamos economia e cortemos despesas – e o hospital não tem como cortar muita coisa, mas temos que economizar – o custo mensal não diminui de R$ 2 milhões”, calcula Barankievicz. O déficit mensal gira em torno dos R$ 200 mil, ou 10% da despesa mensal.

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O administrador esteve no Conselho Estadual de Saúde, na última semana, onde o secretário da pasta, Beto Preto, mencionou que a média de pessoas que têm plano de saúde no Paraná é de 25%. Na região Centro-Sul, essa média cai para 6%. “Para nós, isso acaba sendo algo que precisa ser visto com mais carinho pelas esferas governamentais, porque a população aqui depende muito mais do atendimento via SUS do que do particular ou convênio”, avalia.

Para tentar reverter o problema de arrecadação ser menor do que as despesas, nesta semana o provedor esteve em Curitiba, onde conversou com Beto Preto; os deputados estaduais Hussein Bakri (líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e Artagão Júnior e os federais Evandro Roman e Leandre Dal Ponte, a fim de pedir apoio.

Captação de recursos em empresas

Uma indústria catarinense de equipamentos hospitalares realiza, voluntariamente, a captação de recursos junto ao empresariado iratiense em prol da Santa Casa há pelo menos dez anos. “Ele faz um trabalho voluntário, não é uma empresa contratada pela Santa Casa. Ele passa em várias cidades que eu conheço e que eu pesquisei antes. Já faz dez anos que ele faz essa captação para a Santa Casa e, quando entrei na administração, procurei me inteirar e, realmente, ele faz em Irati, em Prudentópolis, fazia em Imbituva – quando tinha hospital, faz em Rio Azul. Ele nos pede autorização se pode falar em nome do hospital e fazer a captação de recursos. As empresas que doam conseguem deduzir esse valor do Imposto de Renda, e ele repassa ao hospital conforme as demandas, que geralmente são cama hospitalar, colchões hospitalares, escadinhas, biombos e cabeceiras de cama”, conta o administrador do hospital.

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Ao longo desse tempo, estima-se que essa captação tenha rendido cerca de R$ 120 mil em equipamentos hospitalares, como as camas e colchões, que precisam ser comprados com frequência, devido ao uso constante. Nesse caso, o repasse ao hospital não é em espécie, mas em equipamentos.

“No ano passado, fizemos um ofício de agradecimento e enviamos a cada empresário que fez a doação, até para que ele tenha a certeza de que o hospital recebeu mesmo”, diz Barankievicz.


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