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13/09/19 - 17h17 - atualizada em 13/09/19 às 18h09

SOS Amigo Bicho faz campanha para arrecadar ração neste sábado

Em paralelo, ocorre feira de adoção responsável de cães e gatos. Meta é obter meia tonelada de ração

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 

Amigo Bicho visa arrecadar em torno de 300 kg de rações durante campanha no sábado (14). Situação de animais de rua preocupa população

Uma campanha vai arrecadar ração para cães e gatos, em prol da ONG SOS Amigo Bicho, neste sábado (14), das 9 às 18h, na agropecuária Agrodog, na Vila São João. Apesar de a campanha ser uma parceria entre a loja e a Ração Magnus, podem ser doadas rações de qualquer marca. Em paralelo, a ONG realiza uma feira de adoção responsável de cães e gatos.

“Quem doar um quilo de ração da Magnus, empresa que está patrocinando o evento, vai concorrer a uma cesta de brindes. Teremos amostras de ração, que serão distribuídas, e vamos arrecadar todo e qualquer acessório relacionado aos cães: potes de alimento e de água, casinhas de cachorro, roupinhas”, explica a presidente da SOS Amigo Bicho, Bernadete Joffe. No local, ainda haverá venda de roupinhas e coleiras, que foram doadas pela Nutricial, e a renda será revertida em benefício da ONG.

Ouça a entrevista completa com a presidente da ONG no fim do texto

A empresa patrocinadora do evento vai doar 200 quilos de ração. A meta da SOS Amigo Bicho, entretanto, é de que a população iratiense contribua com pelo menos outros 300 quilos. “Temos cerca de 500 cães e não temos condições de alimentar a todos. São duas voluntárias que têm perto de 60 cães que recebem as rações compradas em agropecuárias e são repassadas quinzenalmente. As demais [voluntárias] que têm os cães em casa bancam as próprias despesas. Quanto mais conseguirmos arrecadar, os cães terão melhor qualidade de ração. Não temos conseguido dar uma ração de qualidade, damos uma ração intermediária e complementamos com alimentação diversa. É importante que todos colaborem. Temos muitos membros no grupo do Facebook, se cada um colaborar com um quilo, já conseguimos muito”, afirma.

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Adoção responsável

Em relação à feira de adoção de animais, Bernadete explica que será feita uma triagem dos candidatos a tutor da adoção responsável, a fim de identificar quais possuem, de fato, perfil para criar o filhote de forma adequada, provendo alimentação, água, espaço limpo, entre outras necessidades para que o animal tenha uma vida saudável. “Vai ter um termo de adoção, em que a pessoa vai se responsabilizar pelo animal. Porque não pode acontecer de pegar e, dali a dois ou três dias, abandonar. Temos um grande problema com abandono de filhotes”, salienta.

Bernadete explica que a adoção é concedida somente a adultos, que são orientados a conscientizar as crianças – especialmente as pequenas – de que bicho não é brinquedo, pois já houve casos de fraturas graves em animais pelo costume que crianças têm de querer levantar os filhotes no colo, como se fossem brinquedos.

A presidente da ONG também alerta para a ocorrência de um surto de cinomose, que é uma doença viral altamente contagiosa entre cães e que pode levá-los à morte. Segundo ela, a doença tem se proliferado porque muitos donos de animais têm deixado de vaciná-los. A parvovirose, que é uma doença transmitida pelas fezes caninas, também preocupa. A vacina previne essa infecção, mas a mortalidade chega a 91% em casos não tratados.

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Dívidas

A ONG gasta em torno de R$ 3 mil ao mês com ração, ainda que consiga obtê-la num local que vende mais em conta. No entanto, a entidade acumulou uma dívida de R$ 28 mil com clínicas veterinárias. “Na Vida Animal, pagamos R$ 14 mil de dívidas passadas. Na Nutricial, devíamos R$ 14 mil, de dívidas anteriores, que também já pagamos. Faltam as dívidas atuais e faltam 11 boletos antigos, de R$ 1.200. Parcelamos o total da dívida em boletos mensais. Há duas semanas, conseguimos com a Vet-Q, onde temos uma dívida de R$ 54 mil, desde 2013 e 2014; sabemos que a proprietária deixou de receber honorários e, mesmo assim, continuou fazendo o tratamento e benefício para os cães que necessitavam, muitas vezes, com internamentos longos”, explica Bernadete.

Agora, a ONG deve R$ 54 mil, que foram financiados em boletos mensais de R$ 1.096,40. Essa dívida deve ser paga na medida em que o Amigo Bicho receber recursos da arrecadação do Programa Nota Paraná e de outras ações.

O objetivo futuro da ONG é construir uma clínica que possa fazer castração e outros tipos de atendimento veterinário. “Queremos um local onde os animais possam fazer o pós-operatório e também queremos que a população tenha benefício com a ONG, até tornando as castrações mais baratas, quando conseguirmos viabilizar isso junto à Prefeitura”, comenta.

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“Nesse novo projeto de planejamento estratégico, pretendemos que não existam mais cães de rua na cidade de Irati. Essa é nossa nova meta, novo objetivo, e vimos trabalhando com o vereador Rogério [Kuhn]”, acrescenta.

Segundo Bernadete, há um constante problema de abandono de filhotes na cidade de Irati. Nas últimas semanas, foram contabilizados 28 filhotes abandonados. Há poucos dias, uma cachorrinha foi atropelada e deixou cinco filhotes. “Faz quatro dias que estamos correndo atrás de uma mãe de leite”, diz.

A ONG acredita que, num futuro breve, a legislação se tornará mais rígida e estabelecerá punição para quem atropela, para quem maltrata, deixa o animal amarrado sem comida, sem água. Da mesma forma, Bernadete acredita que será possível aplicar chip de identificação nos cães, a fim de evitar o abandono, porque o dono será igualmente identificado.

Confira a entrevista completa com a presidente da ONG Amigo Bicho

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