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08/08/19 - 16h08 - atualizada em 08/08/19 às 21h01

Surto de sarampo no estado de São Paulo acende alerta no Paraná

Doença havia sido erradicada do país em 2016. Entretanto, sarampo voltou a preocupar em 2019

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Secretária de Saúde de Fernandes Pinheiro, Emanuelle de Matos, alerta para a importância da vacinação contra o sarampo

Em 2016, o Brasil havia obtido o certificado de erradicação do sarampo junto à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Neste ano, porém, o país perdeu esse status desde que campanhas anti-vacinas, proliferadas nas redes sociais, passaram a convencer muitos pais a não vacinar seus filhos. Baseadas em fake News, essas campanhas são consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das 10 principais ameaças à saúde global.

Segundo o Informe nº 45, de 26 de julho de 2019, divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, desde o início do ano já foram confirmados 646 casos de sarampo no Brasil. Destes, 567 se concentram no estado de São Paulo, o que corresponde a quase 88% dos casos. O surto também está ativo no Rio de Janeiro, onde foram confirmados 13 casos e no Pará, onde foram confirmados 53 casos.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes por sarampo caiu de 478, em 1990, para dois casos, em 2018. Os casos de mortes por sarampo registrados no ano passado ocorreram no estado de Roraima: uma das vítimas era uma criança venezuelana indígena, de três anos, sob quadro de desnutrição; a outra era uma criança brasileira, de três meses de vida. No Paraná, a última morte por sarampo foi registrada em 1997.

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Em outros cinco estados houve confirmação de casos em 2019: um em Sergipe; quatro em Minas Gerais; três em Santa Catarina; um em Roraima e quatro no Amazonas.

O Paraná registrou nesta quarta-feira, 07, o primeiro caso de sarampo depois de 20 anos de erradicação da doença no estado. Após a realização de diversos exames, uma paciente de Campina Grande do Sul foi diagnosticada com a doença. Ela esteve em São Paulo entre os dias 15 e 22 de julho e começou a apresentar os sintomas na sexta-feira, 02. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), a mulher está em isolamento e todas as pessoas que tiveram contato com ela estão passando por bloqueio vacinal. Outras duas pessoas com suspeita da doença estão sendo monitoradas.

Apesar destes registros, o estado ainda não está em campanha de vacinação contra o sarampo. A vacina faz parte do calendário de imunização do Ministério da Saúde. A primeira dose da Tríplice Viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada em crianças de 12 meses. Aos 15 meses (um ano e três meses), a criança recebe a dose da Tetra Viral ou Tríplice Viral + varicela, que protege contra o sarampo, rubéola, caxumba e varicela/catapora. “A orientação é que fiquemos em alerta, porque essa doença é de notificação compulsória. Caso venha a surgir alguma demanda maior, aí sim o Estado entra em ação e, com certeza, fará uma campanha específica”, afirma a secretária de Saúde de Fernandes Pinheiro, Emanuelle de Matos.

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Ela explica que as mães têm sido orientadas a apresentar as Carteiras de Vacinação dos filhos em todos os procedimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como consultas, exames e verificação de peso. “Todos os profissionais nas UBS têm competência e sabem verificar se está ou não alguma vacina em atraso. Intensificamos o trabalho de divulgação sobre as doenças e a questão do horário de atendimento em Fernandes Pinheiro. Todas as segundas-feiras existe uma profissional específica, que fica no período da noite, até as 21h, para a verificação das carteirinhas e para vacinação das pessoas que não podem ir durante o dia”, frisa.

Segundo Emanuelle, esse trabalho de conscientização sobre as vacinas visa orientar aos responsáveis pelas crianças sobre a importância de levá-las para receber, também, a segunda dose da Tríplice Viral, aos 15 meses. “É importante que as mães levem as crianças para receber as duas doses – aos 12 e aos 15 meses – porque apenas uma dose não é suficiente para ficar imune contra a doença”, adverte.

Tem havido resistência, por parte de alguns pais ou responsáveis, em vacinar os filhos em decorrência da propagação de fake news acerca das vacinas – de que elas causariam doenças em vez de evitá-las, por exemplo. Essas crenças são infundadas, de acordo com Emanuelle, uma vez que o vírus presente na vacina, para a criação de anticorpos contra a doença, é inativo.

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A vacina tríplice viral é contraindicada a crianças com alergia grave ao leite de vaca, com reações imediatas como a anafilaxia, pois a lactoalbumina é um dos componentes da vacina. Para quem é alérgico a ovo, o risco de choque anafilático em decorrência da vacina é baixíssimo, ainda que a vacina traga traços de proteína de ovo de galinha. Já as reações adversas mais comuns são febre, mal-estar, dor no local da injeção e vermelhidão. Mesmo assim, os sintomas e a gravidade dos efeitos colaterais são consideravelmente menores que os da infecção em si.

“Existem pessoas que se negam e não querem fazer. Orientamos e fazemos as tentativas, as buscativas. Diante da negativa do paciente, respeitamos sua vontade, demonstramos todos os problemas que podem vir a ter, mas respeitamos a vontade do paciente, em qualquer situação”, diz.

De acordo com a secretária de Saúde, em Fernandes Pinheiro, não ocorreu queda na vacinação contra o sarampo. “Sempre tivemos ótima cobertura vacinal. O município está sempre entre os mais bem colocados da região. Mas ficamos sempre atentos e verificamos os índices, vendo os que levaram para aplicar a primeira dose e ainda não levaram para a segunda. Conscientizamos as mães para que procurem as unidades de saúde, porque essa doença tem várias complicações, que podem levar a problemas muito graves de saúde”, alerta.

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Ainda não há previsão de campanha de vacinação contra o sarampo em Fernandes Pinheiro. “Os números são bem favoráveis, então não é momento para alarme ou preocupação. Mas pedimos que a população se conscientize e faça sua parte e verifique a carteira de vacinação. Quem não tem a carteira e tem dúvida se fez, procure para que faça a vacinação, se não fez ou não”, diz.

Em caso de surto, a vacinação pode ser feita já em crianças com seis meses de vida. Para adultos que não têm certeza se foram vacinados ou se nunca foram vacinados, são aplicadas duas doses para quem tem entre 20 e 29 anos e uma dose única para quem tem entre 30 e 49 anos.

Sintomas

O sarampo é uma doença viral e se aloja nas vias respiratórias, fazendo com que sua transmissão seja pelo ar, através da fala, tosse, respiração e espirros. Ou seja, a transmissão se dá por contato com gotículas de saliva espalhadas no ar por uma pessoa infectada. Os sintomas podem levar até 10 dias para se manifestar após o contágio. “Esse é o maior problema, pois as pessoas podem transmitir sem sequer saber que estão com a doença”, adverte Emanuelle.

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Os principais sintomas são febre alta (38,5°C ou mais); dor de cabeça; irritação nos olhos ou conjuntivite; dor de cabeça e manchas de koplik (manchas brancas na mucosa bucal, na parte interna da bochecha, que aparecem um ou dois dias antes das manchas vermelhas); tosse; coriza e manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas e, depois, se espalham pelo corpo (exantema).

As complicações podem evoluir para meningite ou encefalite e trazer cegueira definitiva, perda de audição, pneumonia e problemas gastrointestinais, como diarreia e gastrite, e até mesmo retardo no crescimento da criança. O agravamento da doença pode levar à morte, o que afeta especialmente crianças em desnutrição e jovens adultos. Um sinal de alerta do agravamento da doença é a persistência da febre por mais de três dias após o aparecimento do exantema. O tratamento é sintomático.

Uma vez confirmado o diagnóstico, através de exame de sangue, a pessoa deve manter repouso absoluto e ficar isolada. Uma única pessoa doente pode contaminar outras 18. O paciente deve se hidratar bem e ingerir alimentos leves, para evitar complicações gastrointestinais.     

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