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01/09/12 - 03h37 - atualizada em 01/09/12 às 21h06

Usuária de cigarro durante 46 anos conta como largou o vício

Dona Cleide, de 67 anos, não fuma há quase um ano. Programa Irati Livre do Tabaco ajudou a ex-fumante a largar o vício
Rodrigo Zub, colaboração de Bete Budel

Estudos comprovam que fumar cigarro não causa apenas doenças respiratórias, como bronquite, enfisema pulmonar e câncer de pulmão. Fumar desencadeia doenças vasculares, cardiovasculares, dermatológicas e outros tipos de câncer como de esôfago, laringe e até na bexiga.
 
Números

Em abril deste ano, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa realizada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, que constatou que 18,1% dos homens brasileiros e 12% das mulheres admitem ser fumantes.
 
Dona Cleide tem 67 anos e durante 46 anos fez uso do cigarro. Ela diz que iniciou o vício ainda jovem e que, em determinado momento não acreditava mais em sua recuperação. “Fui internada, fui desenganada, minha família foi chamada em São Paulo para saber o que ia ser resolvido comigo. Meu filho conversou com a Cida e o Leandro [coordenadores do Projeto Irati Livre do Tabaco], e se eu escapasse desta, ele queria que eu não fumasse mais. Então ele conversou com ela, desenvolveu uma estratégia e conseguiu me salvar”, revela dona Cleide.
 
Ele avalia que o primeiro ato para largar o vício é criar a consciência dos malefícios que o cigarro faz para a saúde, tanto do fumante como dos familiares que acabam se envolvendo com o problema. Cleide enfatiza a ajuda dos médicos e profissionais de saúde que são os verdadeiros “anjos da guarda” das pessoas que fumam que muitas vezes são vistos com desconfiança e preconceito perante a sociedade.
 
“De fato eu não caminhava, não respirava e repente eu decidi a querer viver novamente, porque eu não respirava mais, não andava, eu era carregada. Eu agradeço muito a minha família em primeiro lugar, ao grupo que foi essencial, a Santa Casa de Irati que me salvou a vida, e as orações dos amigos, meio Irati fazendo corrente para a gente se livrar dessa”, revela.

Mudança de hábitos
 
Dona Cleide ao lado de Leandro Ditzel e Maria Rutina, coordenadores do Programa Irati Livre do Tabaco
Cleide afirma que sua vida mudou da água para o vinho depois de abandonar o vício do cigarro. Ela conta que hoje ela possui disposição de uma menina de 15 anos, seja para praticar esportes, sair, andar, correr ou desempenhar outras atividades.
 
“Hoje eu danço baile a noite inteira, faço academia, boto o pé na cabeça, não paro o dia inteiro, eu estou com uma disposição de 15 anos, impressionante, tenho 67, eu saio de manhã e volta à noite subo o morro e desço o morro e tudo, é inacreditável como a vida da gente muda depois que a gente deixa o tabaco”, comemora.
 
A ex-fumante diz que há quase um ano não usa cigarro. Esse fato, segundo ela, mudou sua aparência que ganhou novos traços e tons. “Meu rosto melhorou bastante porque eu não preciso mais carregar cigarro, eu não preciso mais estar fedida, porque você cheira mal, é uma coisa horrível. Agora eu sinto a diferença, eu passo por alguém que está fumando, e aquilo já me agride”, afirma.

Alerta

Uma das coordenadoras do Programa Irati Livre do Tabaco, Maria Aparecida Havresko Rutina, alerta as pessoas para que não experimentem e não criem o hábito de fumar. Ela relata ainda que o caso de Cleide é um exemplo de vitória, de superação, mas que não são todos os usuários que tem a mesma sorte.  “Nós tivemos uma pessoa com 48 anos numa situação lastimável, que depois de um mês ela não chegou a participar do grupo, ela faleceu. Então nós temos assistido cada vez mais, pessoas necessitando de transplante de órgãos, pessoas com câncer, pessoas com problemas sérios de coração, com cirurgia, com AVC, nós temos assistidos pessoas em situações deprimentes, em situações lastimáveis que o cigarro causa. Então não comece, não experimente, mas se experimentou, se conscientize, largue, deixe, procure ajuda, porque vale à pena”, solicita.


 


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