Irati e Região / Notícias

18/01/19 - 18h01 - atualizada em 18/01/19 às 18h38

Vigilância Epidemiológica investiga quatro casos suspeitos de dengue em Irati

Quatro casos sob suspeita são autóctones, ou seja, foram contraídos em Irati

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava e Rodrigo Zub 

Secretária de Saúde, Magali Salete de Camargo, ao lado da chefe do Setor de Epidemiologia, Jéssica Mattos

A Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Irati investiga quatro casos suspeitos de dengue na cidade. O Boletim da Dengue, da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), elenca apenas duas notificações e um dos casos já foi descartado. A divergência de dados tem uma explicação: o boletim estadual é divulgado apenas semanalmente e o mais recente foi publicado na terça-feira (15).

No mesmo período, em 2018, houve 13 notificações na 4ª Regional de Saúde, segundo o boletim divulgado em 16 de janeiro de 2018: eram cinco suspeitas em Irati; três em Guamiranga; três em Imbituva; um em Mallet e um em Teixeira Soares. Todos descartados.

Em participação no programa "Meio Dia em Notícias", a secretária de Saúde de Irati, Magali Salete de Camargo, alerta aos moradores para a necessidade de prevenir o surgimento de novos focos do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue, nas casas. “85% dos casos encontrados, dos focos encontrados, estão nas residências, nos domicílios. Não estão em terrenos baldios, nem em áreas públicas”, enfatiza.

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Magali ressalta que não é necessário um grande depósito de água, como o de um balde ou bacia, para que o mosquito se prolifere. “A tampinha de garrafa é suficiente”, adverte.

Os quatro casos sob suspeita são autóctones, ou seja, foram contraídos em Irati. “São pessoas que não viajaram, que não saíram de Irati”, observa. Há um quinto caso sob suspeita, de um morador da região que recentemente visitou Irati.

“O município está totalmente infestado. Foram analisados 16 focos e em todos tem o mosquito Aedes. Para sabermos se esse mosquito está contaminado, teríamos que mandar os mosquitos vivos para análise e isso fica difícil porque não conseguimos capturar esses mosquitos. Teríamos que mandá-los para Londrina. Mas temos casos de dengue confirmados. Se temos casos de dengue confirmados, temos mosquitos contaminados”, ressalta.

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Atenção e prevenção aos focos

Uma equipe da Secretaria de Saúde está aplicando o “fumacê” (inseticida e larvicida) nas ruas próximas aos locais onde foram verificados focos do agente transmissor. Magali frisa que todos precisam estar atentos e observar os locais que possam armazenar e acumular água parada, especialmente os vasos de plantas.

O apelo da secretária é para que toda a população coopere em verificar em seus quintais e na calçada da frente de suas casas se há qualquer reservatório de água, por menor que seja, e eliminar a água parada. Algumas das recomendações são: juntar o lixo e descartá-lo adequadamente, esvaziar recipientes, cobri-los ou deixá-los de cabeça para baixo.

“Uma orientação que se faz à população é em relação às caixas d’água é mantê-las fechadas. Uma situação detectada por um agente de endemias nosso é de que a maioria delas têm o ‘ladrão’, o cano que impede o extravasamento da água. Numa dessas vistorias, o agente de endemias, ao abrir uma caixa d’água tampada, como se orienta, encontrou focos do mosquito ali. O mosquito, provavelmente, entrou pelo cano do ‘ladrão’ e acabou depositando seus ovos naquela água”, alerta a enfermeira Jéssica Mattos, responsável pela Vigilância Epidemiológica.

Magali sugere cobrir essa ponta do ladrão com um pedaço de tecido voil ou tela anti-mosquito e prendê-lo com um elástico para bloquear a passagem do Aedes para dentro das caixas d’água.

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Agentes de endemias

O município de Irati conta com 25 agentes de endemias e outros 53 agentes comunitários percorrem as casas fazendo orientações e vistorias para evitar o surgimento de novos focos. “Temos um número suficiente [de agentes]. Não mais do que o necessário, mas o suficiente para fazer essa orientação”, avalia a secretária de Saúde. A programação, segundo Magali, é para que cada agente visite mil imóveis e Irati possui cerca de 23 mil imóveis em sua área urbana.

“Precisamos ampliar esse número para que possamos também atender a área rural do município. Mas na zona rural se encontra em menor quantidade, porque as comunidades já têm esse hábito de não deixar o lixo, porque tem a criação, que come, então eles já têm essa proteção natural, essa reciclagem natural. É bem mais difícil encontrar foco no interior do que na cidade”, destaca.

Já existe um pedido junto à Secretaria de Administração para convocar agentes de endemias da lista de espera, a fim de substituir dois deles, que pediram exoneração do cargo, conforme Magali. “Não há necessidade de ampliar o quadro [da zona urbana], mas sim de recompor”, complementa.

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Mudança de estratégia

Os agentes de endemias foram reorganizados no ano passado a fim de ampliar a frequência de suas visitas às casas. “Tínhamos uma metodologia de trabalho que era centralizada. Todos os agentes vinham em bloco e faziam [visitas a] um bairro, depois iam a outro. Tomamos a decisão, no final do ano passado, para que nessa época, em que temos maior incidência dessa doença por causa das chuvas e do calor, eles sejam distribuídos por Unidades de Saúde”, esclarece a secretária.

Evolução dos casos

Magali comemora que, até hoje, não houve registro de morte por dengue em Irati. Porém, ela alerta para o fato de que, no caso de reincidência da infecção – se, por exemplo, uma pessoa que está com dengue agora pegar a doença novamente no ano que vem – o quadro pode evoluir para dengue hemorrágica, que tem maior índice de letalidade.

“Quanto à situação epidemiológica, podemos dizer que o município está infestado pelo Aedes, mas não é um município endêmico. Todos os casos que tínhamos, até então, eram importados. Os pacientes adquiriam a doença em outros municípios, de áreas endêmicas, e retornavam para cá doentes. Quando temos uma situação dessas, uma série de ações precisa ser desencadeada para que esse mosquito, até então saudável, pique essa pessoa doente, possa contrair o vírus e se tornar um mosquito infectado. Agora, a situação já se inverteu. Com esse caso confirmado em Irati, autóctone, ou seja, que a pessoa adquiriu a doença aqui no município, significa que já tem o mosquito circulando infectado”, compara Jéssica.

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Sintomas

Fique atento aos casos de febre acima de 39°C, dores de cabeça muito fortes, dores nas articulações, dores musculares, vermelhidão na pele – acompanhada ou não de coceira e dor atrás dos olhos. Se apresentar a febre alta associada a pelo menos dois desses sintomas, não espere em casa por uma melhora e procure imediatamente o médico, na Unidade Básica de Saúde mais próxima.

“Diante desse quadro clássico de sintomas, já se levanta uma suspeita e a Vigilância Epidemiológica precisa ser notificada para que desloquemos os agentes de endemias até a área suspeita para que possa ser feito o fumacê, pois o objetivo é eliminar o mosquito que possivelmente está infectado”, ressalta Jéssica.

Focos de dengue

O levantamento realizado pela SESA (disponível em dengue.pr.gov.br) entre outubro e novembro de 2018, divulgado no Boletim da Dengue desta semana, demonstra que 48,8% dos depósitos positivos – locais que armazenam água e podem ser foco – se situam entre os classificados como “Grupo D”, que reúne os passíveis de proteção e remoção. O subgrupo D1, que inclui pneus e materiais rodantes representa 10,7% do total, ou 528 casos. O subgrupo D2, que agrupa o lixo comum (recipientes plásticos, garrafas e latas), sucatas em pátios e ferros velhos e entulhos de construção somam 38,1% desses casos.

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O segundo grupo a registrar maior quantidade de focos é o B, dos depósitos móveis: vasos/frascos com água, pratos, pingadeiras, recipientes de degelo em geladeiras, bebedouros em geral, pequenas fontes ornamentais, materiais em depósito de construção (sanitários estocados etc.) e objetos religiosos/rituais. Esse grupo soma 1357 depósitos positivos ou 27,4% dos casos.

Depois, vem o grupo A, de armazenamento de água para consumo humano. O subgrupo A1 (depósito de água elevado, ligado à rede pública e/ou ao sistema de captação mecânica) representa 1,1% do total, ou 51 casos. O subgrupo A2 (depósitos ao nível do solo para armazenamento doméstico) reúne 15,5% das situações ou 765 casos.

Os depósitos fixos (grupo C) totalizam 290 dos casos apurados, ou 5,9% do total. Esse grupo é composto pelos tanques em obras, borracharias e hortas, calhas, lajes e toldos em desníveis, ralos, sanitários em desuso, piscinas não tratadas, fontes ornamentais, floreiras/vasos em cemitérios, cacos de vidro em muros e outras obras arquitetônicas.

Outros 70 depósitos positivos foram detectados no grupo E, dos depósitos naturais: axilas de folhas (bromélias, por exemplo), buracos em árvores e em rochas e restos de animais (cascas, carapaças). Equivale a 1,4% do total.

Os 4.945 casos de depósitos positivos foram verificados em 383 municípios do Paraná entre os dias 1º de outubro e 24 de novembro de 2018.

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