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06/10/11 - 23h33 - atualizada em 12/10/11 às 08h58

Zezo diz que não paga dívida com o hospital e vai usar o dinheiro para construir uma maternidade

Prefeito de Imbituva questiona o valor da dívida apresentada pelo hospital São João de Santa Cruz, diz que não vai pagar e vai usar o dinheiro devolvido pela Câmara para construir uma maternidade. A justificativa é que donos do hospital não cumpriram acordo na negociação de compra pela prefeitura.
Jussara Harmuch Bendhack


Procurado na tarde de hoje, 6, o prefeito de Imbituva, Zezo Pontarolo, atendeu à reportagem da Najuá para explicar porque não usou dinheiro que havia pedido à Câmara Municipal, para quitar a dívida da prefeitura com o hospital São João de Santa Cruz.

O dinheiro, R$ 300 mil, se trata de uma antecipação do valor que normalmente é devolvido pelo legislativo no final do ano, como sobra do orçamento. No ofício, datado de 5 de setembro, o prefeito justifica que o motivo da antecipação é a dívida com o hospital e que o dinheiro seria usado para este fim.

Cheque de R$ 300 mil, assinado pela Câmara no dia 13 de setembro
Depois que recebeu o cheque [assinado em 13/09] da Câmara, a pouco menos de um mês, Zezo diz que não vai mais quitar a dívida e que vai usar este dinheiro para construir uma maternidade.

A justificativa alegada pelo prefeito é que os donos do hospital não cumpriram o acordo de venda, negociado na presença do chefe da 4ª Regional de Saúde, em que a prefeitura pagaria pelo hospital à vista, mediante uma avaliação do estado. Ele também questiona o valor da dívida divulgado pela administração do estabelecimento hospitalar – R$ 438 mil. Segundo Zezo, uma parte deste valor já foi paga diretamente aos médicos o que reduz o total para R$ 321 mil e a negociação para o pagamento deste valor restante está na justiça.

“Foi comprado o hospital, foi efetuada a compra. Tem uma ata assinada pelos três proprietários do hospital. O chefe da Regional estava junto, chegou a ser chamada uma empresa do estado para fazer a avaliação e nos já tínhamos arrumado recurso para fazer o pagamento à vista, como tinha sido acertado, mas eles não cumpriram a parte deles e não nos procuraram mais. Não vai ser paga a dívida e este dinheiro vai ser usado para a construção de uma maternidade. Tá na justiça, é a justiça que vai dizer como é que nós vamos pagar”, disse Pontarolo.

Ofício assinado pelo prefeito no dia 5 de setembro
Indagado sobre o documento onde vincula a devolução do dinheiro ao pagamento da dívida, o prefeito diz que não tem valor e que a Câmara não tem gerência para direcionar onde o valor deve ser aplicado.  

“O legislativo não tem como direcionar o dinheiro que é do município em questão de negócio que não é dele. Não tem validade nenhuma este documento [ofício 359/211 assinado pelo prefeito]”.
 
De acordo com o que disse o chefe da 4.ª Regional de Saúde, João Almeida Junior, à Najuá no dia 1 de setembro, duas reuniões aconteceram, uma no dia 25 de agosto, na sede da prefeitura, onde não houve acordo porque o advogado do hospital, único a comparecer do lado da instituição, não pode decidir sozinho sobre a proposta.

A outra reunião foi no dia 31, com a presença do prefeito, duas funcionárias da Regional, o advogado e os administradores do hospital. Nesta reunião Zezo se comprometeu a pagar a dívida em quatro parcelas e prometeu adquirir o prédio depois de uma avaliação que atestasse o preço do imóvel fosse providenciada pelo estado. Antes disso, uma empresa particular já havia avaliado o imóvel e o valor ficou em R$ 2,4 milhões com uma margem de negociação de 15% a mais ou a menos. Sobre o pagamento, o prefeito havia comentado que teria disponibilidade de levantar R$ 2,2 milhões que é a capacidade de endividamento do município através do Paraná Cidade e que este dinheiro seria liberado entre 90 a 120 dias. Enquanto isso, a prefeitura pagaria um aluguel de R$ 15 mil para os atuais donos.

Foi elaborada uma ata nesta reunião e todos os participantes assinaram, no entanto, para firmar o acordo de compra e venda, decidiu-se que um contrato de intenção, que seria elaborado pelos advogados da prefeitura, deveria ser assinado na manhã do dia 1º, mas neste dia, não houve comparecimento por parte do hospital e o contrato não foi assinado.

Atualização de hoje, dia 7

Em contato com o chefe da Regional na manhã de hoje, dia 7, ele informou que uma avaliação do imóvel por parte do estado seria solicitada por ele mesmo à Secretaria Estadual de Obras Públicas - SEOP, mas que isso não foi feito.


Confira o áudio da entrevista com o prefeito:


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