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21/02/12 - 10h35 - atualizada em 21/02/12 às 10h53

A cultura pode virar cinzas

Por Dagoberto Waydzik

 

 

O incêndio do Teatro Ouro Verde em Londrina foi um fato lamentável. É uma mancha para a cultura brasileira, muito provavelmente, talvez, pelo descaso da falta de manutenção daquela construção.

Aqui em Irati temos várias vertentes de cultura, em se tratando de pessoas, tanto no passado como as que afloram no presente.Ouso a citar alguns exemplos, com devida vênia, certamente serão esquecidos vários. Primo Araújo, Seu Rosinha, Foed Chama, Olga e Monika Grechinski, José Maria Orreda, Julio Bronislawski, Denise Stoklos, Carlos Alberto Pessoa, Kako Sima (engenheiro e sanfoneiro de saudosa memória), Joel Gomes Teixeira, Edilson de Souza, os declamadores de tradições regionais, entre muitos outros. Contudo, também temos que voltar nossos olhos às obras e monumentos de nossa cidade.

Nem sempre a memória chega intacta de suas viagens através das gerações.

Temos a Casa da Cultura, belo e importante legado deixado a nós pela família Gomes, mas será que está recebendo a devida e necessária manutenção predial? Citamos também o prédio da primeira prefeitura, depois sede da polícia. Preocupamo-nos se esses prédios estão sendo devidamente tratados. E as edificações antigas, umas já colocadas abaixo, outras ainda resistindo às especulações, não mereciam e merecem tratamento especial? Mesmo algumas sendo particulares.

 

 

Talvez para isso houvesse necessidade de uma lei municipal de incentivo à manutenção periódica, se é que já não existe legislação específica. Quiçá com isenção de IPTU, subvenção para restauro, etc. Além de uma lei relacionada á vistoria e perícias preventivas em edificações antigas, que, além de preservar o patrimônio, garantiria a integridade física da população. Essa certamente deve ser implantada e, já existe em outros rincões.

“Cultura pode ser definida, entre outras definições, como às manifestações populares, artísticas mais relevantes da humanidade” Wilkipédia.

Na idade média, por conta da Inquisição, muitos livros da sabedoria árabe foram jogados na fogueira insanamente, quando parte dos mouros viviam na Andaluzia. Quanta cultura se perdeu. Lamentável esse episódio.

Como dissemos, já foram alguns pontos arquitetônicos de Irati “queimados”, por falta de projetos adequados, que poderiam preservar uma fachada, um portal, ou deixar algo que lembrasse aqueles locais, que fizeram parte da história de Irati. São e foram referências, cartões postais da cidade! Tristeza, nostalgia, progresso, projetos pessoais,tudo se poderia deixar de lado se o poder público trabalhasse acerca desse tema.

Vamos fazer a sala da memória de Primo Araújo, graças ao auxílio do Clube do Comércio, através do seu presidente Virgilio Trevisan. Vamos cuidar do acervo de Denise Stoklos. Vamos valorizar nossos artistas com um museu apropriado ou um local como queiram que se denomine, todavia, também vamos preservar nossos prédios históricos, sob o risco da noite para o dia virarem cinzas, como o Teatro Ouro Verde, de Londrina, que foi quase que totalmente destruído pelo incêndio.

As gerações futuras merecem conhecer suas raízes. O desenvolvimento de uma cidade é importante, mas qual desenvolvimento nós queremos? Somente o econômico? Ou o cultural, ambiental, histórico, educacional, da saúde pública eficiente, o da qualidade vida? Tudo isso pode ser aliado com o desenvolvimento econômico se houver planejamento e comprometimento de todos.

Desenvolvimento não é meramente um aumento da área urbanizada, e nem mesmo, simplesmente, uma sofisticação ou modernização do espaço urbano, ou mais empresas, mas antes e acima de tudo, um desenvolvimento sócio espacial na e da cidade: vale dizer, a conquista de melhor qualidade de vida para um número crescente de pessoas e de cada vez mais justiça social.

 


 

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