Opinião / Notícias

03/10/11 - 16h23 - atualizada em 04/10/11 às 01h44

É preciso sair da comodidade e produzir algo transformador

Jussara Harmuch Bendhack


O respeito que eu tinha pela minha professora da 3ª  série do primário (em escola pública), um freira chamada Irmã Terezinha, me deixava temerosa nas semanas em que eu perdia a missa dominical, pois, sempre às segundas, ela sorteava alguém da sala para interpretar as palavras do evangelho, e não valia ler, tinha que contar o que entendeu. Agora não tenho mais quem me obrigue, mas não perdi o costume, continuo fazendo o que a querida irmã me pedia.

Jesus fazia uso de parábolas para transmitir mensagens aos discípulos e aos cidadãos. Para ter efeito, uma mensagem precisa tocar a alma dos indivíduos e fazer com que ele transforme as palavras em atitudes concretas. A parábola da vinha, que foi tema do evangelho na missa deste domingo, ensinou que não somos donos das coisas que temos na terra, mas apenas responsáveis por elas e se deixarmos de produzir, a oportunidade será dada a outro que esteja disposto.
 
Diante de Deus somos todos iguais, não existem mais ricos, nem mais sábios, no entanto, somos tão diferentes quando se trata de compreender a mensagem que nos é passada. Por comodidade ou medo, a humanidade prefere atenuar temas difíceis de por em prática, a ter que aprofundar a discussão e enfrentar um embate com ela própria. Mas em certos momentos, quando algo nos toca, tendemos a reconsiderar o assunto e direcionar a compreensão daquilo que outrora não foi percebido. Também é preciso ter confiança para não deixar que o medo nos impeça de assumir aquilo que acreditamos de verdade.

Sobre a parábola da vinha, sugiro a busca por comentários de padres pela internet, há vários, inclusive no final do folheto da missa deste domingo, mas me arrisco escrever o que me tocou ao oví-la desta vez.

“O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas por que produziu ela uvas selvagens? (comparado, o povo é a plantação) eu esperava deles frutos de justiça – e eis injustiça; esperava obras de bondade – e eis iniquidade” Trecho da I Leitura [Is 5, 1-7].

“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. (...) o reino de Deus vos será tirado e entregue a um povo que produzirá frutos” Trecho do Evangelho [Mateus 21, 33-43]

Os textos [quem quiser pode ler o texto completo na Bíblia] pedem que não vivamos apenas para nós mesmos, no individualismo, ociosos e omissos ao que afeta o grupo de pessoas em que estamos inseridos. Chama a responsabilidade de cada um pela produção de algo transformador na sociedade.

Pode acontecer do cidadão pensar que sua atitude pode gerar benefício para a sociedade, mas aquilo não surte o efeito que se espera e o “semeador”, não encontra resposta para tal infortúnio. Então, é hora de avaliar a concepção  do que cada um estabelece como certo.

É duro admitir o equívoco, ainda mais quando envolve a percepção sobre a vida. Mas para quem quer acertar, não há outra maneira se não rever os princípios, analisar melhor as situações e começar tudo de novo. Jamais desistir.

A possibilidade da dúvida

Descartes propõe antes de aceitar, a duvidar de tudo que lhe é recebido como verdadeiro.

As pessoas não gostam de serem colocadas à prova, de receber críticas, por mais positivo que isso possa ser, incomoda. Durante a homilia, boa parte dos padres que ouço “puxa as orelhas dos fiéis”. Eles dizem que nas basta apenas gostar de ser acolhido pela igreja e amá-la. A igreja também se faz presente no dia-a-dia do cidadão, está estampada nos objetivos do trabalho que desempenha, na forma como se posiciona e como tudo isso pode influenciar na construção de uma sociedade mais justa. Os padres nos convidam a assumir o compromisso da verdade e a deixar de lado ideias antigas e equivocadas que concedem falsas credenciais para o reino do céu. Para o cristão, a pedra angular que alinha todo o pensamento é o que Jesus nos ensina, mas devemos ter o cuidado de não interpretá-la à nossa exclusiva maneira.

Não são todos que entendem como eu ou como você que está lendo este texto. Por um lado isso é bom, porque com interpretações diferentes, admite-se a possibilidade da dúvida, o que faz com que as pessoas de boa fé reflitam sobre suas ações e procurem a verdade em todos os lugares.


Anjo da Guarda

Eu costumo dizer que tenho pena do meu Anjo da Guarda porque dou muito trabalho a ele. Confio na sua proteção desde pequenininha, quando rezava para a imagem do “Anjinho” estampada em cima de minha cama e também fazia o sinal da cruz com água benta que minha mãe colocava na capelinha.

Que saudades daqueles tempos, a sensação boa de olhar para a imagem do anjo me invade até os dias de hoje, tanto que depois que tive meus filhos, tratei logo de providenciar um quadro igualzinho ao que eu tinha.

Ontem a igreja católica comemorou o dia do Anjo do Guarda. Não perdi o costume de invocá-lo e descobri que rezar o fortalece, pois a mim ele nunca falhou.

Quando perco a fé,
Fico sem controle
E me sinto mal, sem esperança
E ao meu redor,
A inveja vai, fazendo
as pessoas se odiarem mais. (Estrofe de “Cedo ou Tarde” – NX Zero)


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