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20/03/12 - 01h07 - atualizada em 20/03/12 às 07h02

Iraty e Batel: a triste realidade de duas forças do futebol paranaense

Rodrigo Zub


Associação Atlética Batel de Guarapuava e Iraty Sport Club, o que estes dois clubes têm em comum? Um completou 61 anos no domingo, dia 18 de março. O outro está perto do centenário. Em 2012, o Azulão chega ao seu 98º ano de existência. Mas que motivos os dois times têm para comemorar? 

Ilustração


Relembrando o passado

Antes de avaliarmos a fundo a situação atual dos dois clubes, vamos falar um pouco de nostalgia. Vou relembrar um fato que me chamou à atenção durante a infância. O ano era 1998. Apaixonado por futebol e fiel companheiro do time da minha cidade, o Batel de Guarapuava, liguei meu radinho num domingo a tarde e fiquei aguardando para ouvir mais um jogo do rubro-negro paranaense no Campeonato Paranaense. A partida era especial, o adversário, o temível Coritiba.

O movimento na cidade era diferente e todos aguardavam com expectativa pelo embate. Logo a partida começou e a apreensão tomava conta a cada chance perdida. Andava pra lá, corria pra cá, ruía as unhas e aguardava com expectativa por um gol do Batel. O tempo foi passando, o placar de 0 a 0 teimava em continuar para desespero meu e de todos os torcedores rubro-negros. Porém, um lance entrou para história do Batel e certamente será lembrado por todos que viram, ouviram ou celebraram aquele momento. Segundo tempo da partida, jogo equilibrado. Cruzamento para a área e Evair Censi desvia de cabeça para o fundo das redes do Coritiba.  Rir, gritar, pular, abraçar meu pai, nem eu e certamente todos que estavam no estádio Waldomiro Gelinski sabiam o que fazer. Todos ainda estavam perplexos com o que havia ocorrido, Davi derrotou Golias, o “pequeno” Batel venceu o Coritiba por 1 a 0. Assim, o time guarapuavano mostrava a cada partida diante dos clubes grandes da capital, que era um dos principais clubes do interior do Estado.

Nessa mesma época outra equipe da região começava a dar os primeiros passos no cenário do futebol paranaense.  Era o Iraty Sport Club, que ao final daquele campeonato estadual terminou na surpreendente 4ª colocação. Zebra? Não, um trabalho bem montado que já havia dado frutos no ano anterior. Em 1997, o time formado por jogadores das categorias de base como Auecione, Rogério Belém e Paulinho ficou em 5º lugar. Nesse ano, um jovem baixinho e canhoteiro destoava dos demais. O meio-campista Arinélson que logo foi negociado com o Santos, onde teve boa passagem durante os anos de 1997 e 1998. Desta forma, o Iraty começou a ser reconhecido não só dentro de campo, mas fora com um grande formador de atletas através das categorias de base.

Do inferno ao céu e vice-versa

Chegamos ao ano de 1999. O Azulão foi rebaixado após terminar na 11ª colocação, enquanto que o Batel encerrou a competição em 9º lugar. Daí em diante, tudo mudou da água pro vinho na história dos dois clubes.

O Iraty se reestruturou e com uma bela campanha na 2ª divisão retornou a elite do Paranaense, depois de ser vice-campeão da divisão de acesso, em 2000. No mesmo ano, o Batel investiu pesado em jogadores experientes e consagrados do futebol brasileiro, como Washington, que marcou época no futebol brasileiro ao fazer dupla com Assis, no Fluminense, quando foram campeões nacionais em 1984. Porém, fora de forma e com idade avançada, o atleta pouco contribuiu com a equipe que caiu para a Série Prata do Campeonato Paranaense.

A queda foi trágica para o Batel. Afundado em dívidas o clube nunca mais conseguiu retornar a primeira divisão. Pior: licenciou-se e hoje mantém apenas as categorias de base. Atualmente, o time luta com unhas e dentes para disputar a 3ª divisão do Paranaense. Porém, a falta de apoio da prefeitura e de empresários da cidade tem inviabilizado o sonho do torcedor de ver novamente o rubro-negro brilhado no cenário do futebol paranaense.

Se a década de 2000 foi trágica para o Batel, o mesmo não pode ser dito do Iraty.  O Azulão trilhou um caminho de títulos e vitórias que começou em 2002, com o título de Campeonato Paranaense, quando Atlético, Coritiba e Paraná não disputaram a competição. Em 2003, o time comandado por Play de Freitas realizou o sonho de disputar a Copa do Brasil. A participação durou apenas 90 minutos. A derrota por 3 a 0, no estádio Emílio Gomes para o Vila Nova/GO, eliminou o Azulão da competição. No ano seguinte, a equipe quase conseguiu o acesso à segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Com uma boa campanha, o Iraty terminou a disputa da Série C do Brasileirão na 5ª colocação. 

Depois disso, o Iraty continuou sendo a grande pedra no sapato dos clubes grandes da capital, sendo respeitado como o melhor time do interior.  Em 2005 e 2010, a equipe terminou na 3ª colocação do Campeonato Paranaense, sendo considerado o Campeão do Interior e conseguindo vaga para as edições de 2006 e 2011 da Copa do Brasil. Em 2006, aliás, o clube teve uma campanha histórica na competição. Depois de eliminar o Ulbra/RS na primeira fase, o Azulão encarou o Vasco da Gama. No primeiro jogo, empate por 2 a 2. Na volta, derrota por 5 a 1. No entanto, o time voltou do Rio de Janeiro com o sentimento de dever cumprido reconhecido pelo torcedor que recebeu de braços abertos e com festa os jogadores na chegada à Irati.

Atual momento

Todos esses momentos nostálgicos da história do Azulão ficaram no passado. O ano de 2012 começou e com ele surgiram derrotas, derrotas e mais derrotas... O temível time da região centro-sul virou motivo de chacota e piada. Vexames em casa como a goleada sofrida frente ao Toledo deixaram o torcedor desconfiado, triste, frustrado.  Um ano sem uma única vitória e o incômodo jejum de 21 jogos sem vitória são apenas fruto do mau planejamento que começou no ano passado.

Última equipe a se apresentar, última a contratar treinador, última a regularizar a situação do estádio e última na tabela de classificação. O caminho dá 2ª divisão está próximo, mas de quem será a culpa?  Para muitos iratienses, é do gestor e ex- presidente do clube, Sérgio Malucelli, que também comanda o Londrina. Como qualquer empresário que visa lucro ele escolheu o que era bom para sua empresa.
Investiu e trouxe jogadores de mais experiência e qualidade para o Lec, ao invés do Iraty. Essa é uma opção dele não podemos questionar. Podemos questionar é a atitude da diretoria do clube que sabia desde o ano passado que o investimento e a atenção seriam menores em relação ao Tubarão. Se todos sabiam, porque optaram em votar na continuidade, isto é, elegendo o ex- diretor de futebol, Geraldo Campagnoli, braço direito de Malucelli? As eleições ocorreram em dezembro. Era o momento para reivindicar, questionar e até eleger um presidente da oposição.

Novas ideias, outra cabeça, um novo grupo de trabalho poderia fazer bem ao clube. Aí fica a pergunta: Porque ninguém, além de Campagnoli concorreu ao cargo de presidente do clube? Se todos estavam satisfeitos não adianta agora chorar pelo leite derramado. Volto a lembrar, o Iraty caminha a passos largos para a 2ª divisão.

Quem perde com isso, somos todos nós. Imprensa, torcedores, comerciantes, enfim, toda a população da região, que ficará carente e órfã de um clube na 1ª divisão. Meu maior medo é que o Iraty acabe assim como aconteceu com o Batel de Guarapuava. Por isso, devemos nos unir. Corinthians, Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Vasco recentemente disputaram a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro. Esses clubes refletiram, reestruturaram o seu departamento de futebol e hoje estão todos no lugar que nunca deviriam ter saído.  É preciso ter forças para cair, levantar e seguir a vida. Assim, deve ser feito no Iraty, seja com A, B ou C, no cargo de presidente, treinador ou dentro de campo como jogador. As pessoas passam pelo clube, mas o que não termina e não deve se encerrar nunca é o Iraty Sport Club.

Hoje, estamos tristes com o momento atual da equipe, mas quem sabe num futuro próximo poderemos estar comemorando a volta por cima do grande e temido Azulão do Centro-sul. Para que isso aconteça é preciso organização e principalmente união. Não vamos deixar o Iraty acabar...


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