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30/08/18 - 21h56 - atualizada em 04/09/18 às 01h54

Irmão e advogado falam sobre homicídio de Ivanilda Kanarski

Romildo Kanarski, revelou à Najuá, como foram os dias últimos dias da irmã antes do crime

Paulo Henrique Sava

Romildo Kanarski, irmão da vítima, falou com a Najuá sobre os dias que antecederam o crime e contou detalhes da forma como tudo aconteceu

O assassinato de Ivanilda Kanarski, de 30 anos, ocorrido no Parque Aquático de Irati no dia 26 de julho, completou um mês nesta semana. O crime causou muita comoção na cidade. Ivanilda foi morta na frente dos filhos e do irmão Romildo, que também sofreu uma tentativa de homicídio naquele dia.

O acusado, João Fernando Nedopetalski, de 36 anos, marido da vítima, foi preso em flagrante por um policial militar que estava de folga e ouviu os tiros. Ivanilda chegou a ser socorrida, mas morreu ao dar entrada na Santa Casa de Irati. No início de agosto, o delegado Paulo César Eugênio Ribeiro entregou o inquérito para o Ministério Público, que apresentou denúncia.

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Romildo Kanarski, irmão da vítima, falou com a Najuá sobre os dias que antecederam o crime e contou detalhes da forma como tudo aconteceu. Ele relata que Ivanilda havia se separado do acusado na segunda-feira, dia 23 de julho. No dia seguinte, ela foi levada pelo ex-marido até a casa de sua mãe, na localidade de Faxinal do Rio do Couro. Na ocasião, ele teria afirmado que iria para Curitiba com os filhos do casal.

“Ele foi para Curitiba e ela ficou conosco na terça e na quarta-feira. Na quinta-feira, eu estava vindo para a cidade, pois tinha dentista, ela pediu para vir comigo para conversar com ele e se acertarem”, relata Romildo.

Ouça a entrevista completa no fim desta matéria.

Depois de passarem em uma igreja e em uma agência bancária, Ivanilda solicitou que o irmão entrasse em contato com um dos seus filhos para saber se eles estavam se deslocando de Curitiba com o pai e em que ponto da estrada estariam. O garoto afirmou que eles estavam na rodovia. Em outra ligação, com os filhos já em Irati, o ex-marido teria afirmado que queria conversar com Ivanilda. Ela e o irmão teriam escolhido o Parque Aquático como local do encontro, por segurança, temendo o que o acusado pudesse fazer. “Nós cumprimentamos ele ‘de boa’, a Ivanilda deu um abraço de ‘despedida’ nas crianças, aquele abraço com sentimento mesmo, e eles pediram para conversar. Eu falei nestas palavras: ‘Vocês são marido e mulher, que se entendam”, comentou Romildo.

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Enquanto o irmão cuidava das crianças, Ivanilda e o ex-marido foram conversar nas proximidades de uma palmeira. A conversa teria durado aproximadamente 25 minutos. Depois, o acusado teria ido até a caminhonete dele por duas vezes. No entanto, Romildo não percebeu nenhum gesto que desse a entender que estava ocorrendo uma briga. “Quando eles voltaram para a caminhonete, eu vi que ele sentou no banco, e ela ficou na porta, que estava aberta. Eles conversaram mais um tempinho, cerca de uns dois ou três minutos. Eu estava sentando no banco, olhando as crianças brincarem, quando escutei os tiros e saí correndo. Ela [Ivanilda] só gritou ‘Nego, se cuide’, e nisso ele veio atirando em minha direção, e já tinha atirado nela. Eu fui de peito aberto para tentar salvar a minha irmã e pulei nele, que saiu correndo”, diz.

Depois de ser contido pelo cunhado, o marido de Ivanilda correu para o lado da caminhonete, mas não conseguiu entrar no veículo. Ele atirou novamente na direção de Romildo e retornou para o Parque Aquático. Neste momento, Romildo conseguiu derrubar o ex-cunhado. A arma dele acabou caindo, porém ele conseguiu recuperá-la, mas foi imobilizado. “Eu só sei que a hora que ele veio, levou a arma, mas não vi para que lado. Eu ergui as duas mãos dele e puxei a cabeça. Depois, eu corri e veio um policial, que deu voz de prisão para nós dois. Quando o policial viu que ele era o culpado, eu saí correndo e nem vi mais o que aconteceu, pois fui tentar salvar a minha irmã, que caiu. Daí, eu peguei ela no colo e tentei ajudá-la”, relatou.

Suspeito foi detido por um policial militar que estava de folga no dia do homicídio

Conforme Romildo, o casal sempre brigava, mas ele não percebia sinais de agressividade. No entanto, ele não costumava levar ‘desaforo para casa’. “Ele falava tudo o que tinha que falar, não guardava. Aparentemente, não era uma pessoa agressiva para nós. Porém, nos últimos dias, Ivanilda comentou tudo o que ele fazia para ela e para as crianças, o que nós, até então, não sabíamos”, frisou.

Romildo conta que a família ficou desestruturada após o ocorrido. Ele afirma que Ivanilda era muito carinhosa com todos, especialmente com o irmão. “Mesmo ela sofrendo, passava alegria, aquela emoção de ver a família feliz. As crianças, a gente sente que eles estão muito amedrontados pelo ocorrido e têm medo que o pai saia da cadeia e faça alguma coisa”, desabafou. Segundo Romildo, os filhos do casal parecem ter mais liberdade agora que o pai está preso. “Antes, eles iam na casa da minha mãe, que é avó deles, e tinham medo de ir brincar e o pai deles fazer alguma coisa. Hoje, eles brincam, estão soltos, mas com medo de que ele saia da cadeia e venha a fazer alguma coisa contra eles e contra nós”. Ele disse que uma das crianças falou que o pai as ameaçava se contassem o que ocorria dentro de casa.

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Vandir Fracaro, advogado assistente de acusação, elogiou a agilidade da polícia no caso

O advogado Vandir Fracaro, assistente de acusação, elogia a agilidade da Polícia Civil de Irati, que concluiu o inquérito em pouco tempo. O marido de Ivanilda será indiciado por homicídio e tentativa de homicídio, com o agravante de os crimes terem sido cometidos na frente dos filhos. “O juiz já aceitou a denúncia também, agora ele está na fase do réu indicar testemunhas com as quais ele pretende provar os fatos e também se ele tem documentos que possa juntar como prova documental para ajudá-lo. A partir deste momento, ele vai para a oitiva das partes”, afirmou.

Conforme o advogado, o processo tramita de forma sigilosa, mas o réu pode ser acusado ainda por mais um crime. Os menores serão ouvidos a respeito deste fato. Porém, somente pelas acusações já feitas de forma oficial, o réu poderá ser levado a júri popular. “No meu ponto de vista, como advogado de acusação, e pela minha experiência de anos na advocacia, entendo que dificilmente ele escapará do júri, isto é quase impossível. Aí, o júri vai decidir a pena dele. Ela varia muito porque depende se o fato novo vai ser incluído neste processo ou não. Se ele for incluído, a pena dele passaria e muito de 30 anos. A pena não leva em consideração somente o homicídio, mas também os agravantes. Por isto, ela pode aumentar bastante”, finalizou.

Procurado pela reportagem, o delegado da Polícia Civil de Irati, Paulo César Eugênio Ribeiro preferiu não gravar entrevista. O advogado de defesa do acusado, Adriano Minor Uema, disse que vai aguardar a liberação das imagens das câmeras de segurança do local para se manifestar sobre o caso.

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Ivanilda Kanarski, de 30 anos, foi morta no dia 26 de julho, na frente dos filhos, no Parque Aquático

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