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04/09/12 - 17h50 - atualizada em 05/09/12 às 13h24

Ausência de Derbli domina conversas após debate entre os candidatos a prefeito de Irati

Os representantes da coligação "Juntos Por Irati" justificaram a ausência do tucano em função de compromissos políticos com o governo Beto Richa, também do PSDB
Da Redação


Lugar que seria ocupado pelo candidato Derbli, no debate do dia 3
Ele não estava presente, mas foi o principal tema de discussão, comentários e análise durante o segundo debate entre os postulantes ao cargo de prefeito de Irati. O candidato Jorge Derbli (PSDB) não compareceu ao evento promovido pelas rádios Najuá AM e FM e Alvorada de Rebouças, na noite de segunda-feira, 3. Os representantes da coligação "Juntos Por Irati" justificaram a ausência do tucano em função de compromissos políticos com o governo Beto Richa, também do PSDB.

“A coligação Juntos Por Irati vem ratificar a informação de que o candidato do PSDB, Jorge David Derbli Pinto não poderá participar do debate que esta emissora realizará no dia 03/09 devido a solicitação do governador do estado Beto Richa de sua presença em seu gabinete às 19 h do mesmo dia”, relatava o ofício enviado na quinta-feira, 31, pelo representante João Antonio de Almeida Junior, recebido pela gerente da Najuá, Rosicléia Harmuch, às 17h44 min.

Lei Eleitoral

A programação e a condução do debate foram feitos em consonância com o que prevê a lei eleitoral (Lei nº 9.504/97, art. 30 I e art. 46 II, que permite “a realização de debate sem a presença de candidato de algum partido político ou de coligação, desde que o veículo de comunicação responsável comprove tê-lo convidado com a antecedência mínima de 72 horas da realização do debate”.

Após o debate, a reportagem da Najuá conversou com os adversários de Derbli e também com alguns ouvintes que foram contemplados para assistir o evento através do sistema eletrônico de promoções da emissora. Todos destacaram que a ausência do candidato foi ruim para os eleitores, que não puderam comparar as propostas, ideias e planos de governo dos três postulantes ao cargo de chefe do executivo iratiense. 


OBS: O áudio completo do segundo debate entre os candidatos a prefeito de Irati está disponível no final desta reportagem.

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Opinião dos adversários

Segundo o candidato petista, Odilon Burgath, o debate foi mais uma forma de apresentar os projetos que sua coligação tem para mudar a realidade do município. No entanto, ele lamentou a ausência do adversário Derbli, que não compareceu em outros eventos promovidos por entidades de Irati durante o período eleitoral.

“Quero apenas lastimar a ausência do candidato do PSDB que já se ausentou em outras oportunidades, mas o evento é esse. Nós valorizamos o iratiense, as pessoas que confiam em nosso trabalho, que vão ouvir nossas propostas e ver o que é melhor para a cidade. Essa maneira do PT atuar vai ser assim até o próximo debate no dia 28 [setembro]”, destaca Burgath. Vale destacar que as rádios Najuá e Alvorada irão promover mais um debate entre os candidatos a prefeito de Irati, no dia 28 de setembro novamente na sede da Amcespar.

Burgath também salientou a oportunidade de expor a maneira que pretende conduzir o município caso seja eleito prefeito. “Foi uma pena que ele [Jorge Derbli] não compareceu, mas mesmo assim foi mais uma chance para mostrar nossas propostas e os objetivos que devemos colocar em prática em nosso governo”, comenta.

A candidata do PV, Ieda Waydzik, relatou que o debate foi uma maneira de criar laços e convencer o eleitor sobre a importância de renovar a política iratiense.

“O debate foi muito bom, uma troca de propostas e de ideias. Acredito que o iratiense é o maior beneficiado com essa oportunidade e tomara que tenhamos mais uma chance para discutir esses pontos no próximo debate”. Ieda também reiterou que a ausência de Derbli foi ruim para o eleitor de Irati, que não teve a chance de comparar as propostas dos candidatos em temas semelhantes, conforme determinado pela metodologia aplicada durante o debate. Lembrando que foram feitas perguntas fixas dos ouvintes e da equipe da Najuá, para os candidatos a prefeito de Irati, tanto no primeiro como no segundo bloco.

“Lamento a ausência do candidato Jorge Derbli porque seria muito importante que os três candidatos estivessem presentes para responder esses questionamentos, principalmente os eleitores que estão em dúvidas sobre qual candidato têm a melhor proposta para o desenvolvimento de Irati”, destaca Ieda.

Análise do debate

O jornalista Edilson Kernicki, que trabalha no jornal Hoje Centro-Sul, diz que os candidatos fizeram questão de lembrar o não comparecimento de um de seus oponentes e que esse fator em determinados momentos foi exagerado. De acordo com ele, Ieda e Odilon poderiam lembrar mais de seus projetos e planos do que se pautar em críticas ao adversário.

“Ele [Derbli] se fez bastante presente no debate até mesmo nas críticas, nos planos de governo apresentados pelos candidatos e no que eles anseiam na busca de recursos do governo estadual caso eles sejam eleitos. Em alguns momentos eles exageraram nas críticas e deixaram de mostrar o plano de governo”, analisa.

Kernicki que trabalha em Irati, mas vota em Ponta Grossa, cidade onde nasceu e que sua família reside, conta que os candidatos mostraram projetos que podem atender algumas carências do município. O jornalista se colocou na “pele” do eleitor e afirmou que o debate não convenceu as pessoas que ainda não tem opinião formada.

“Talvez falte esse complemento do dia 28, no último debate promovido pela Najuá, que terá a presença do terceiro candidato para que os indecisos tomem sua decisão definitiva”, destaca Kernecki. Segundo ele, o debate é fundamental para que o eleitor conheça melhor o candidato. Kernicki entende que esse confronto “olho no olho” com os adversários é a oportunidade para que todos demonstrem o que tem a oferecer em prol do município. Para o jornalista, outros tipos de propaganda e apresentação do candidato, como o horário eleitoral e os comícios acabam maquiando o que cada um realmente pensa e como devem aplicar determinado projeto na cidade.

“No debate você enxerga de fato o que o candidato pensa. Diferente da campanha que tem todo um staff. O debate é uma forma de apresentar as propostas e do eleitor entender se aquele projeto é viável dentro do orçamento do município”, avalia.

Sobre a ausência de um dos candidatos, Kernicki comenta que os próprios representantes da coligação Juntos Por Irati tem noção e sabem das consequências de não ter comparecido ao debate. “Foi uma opção dele. O candidato sabe o que isso pode implicar na sua campanha em função da relevância da rádio Najuá na região, na formação da opinião do eleitor. Quem sai perdendo no caso é ele [Derbli] ”, comenta.

Opinião dos ouvintes

Os ouvintes que foram contemplados para assistir o debate também criticaram a ausência do candidato Jorge Derbli. O vendedor autônomo, Edilson Duarte diz que ainda não definiu para quem irá votar. Ele conta que pretende ouvir mais os planos de governo de cada candidato para decidir que rumo deverá tomar. “Mesmo assim, tenho uma inclinação dentro de mim para um determinado candidato, mas espero até o final do período eleitoral para analisar bem em quem votar”, indica.

Duarte diz que acompanhou os dois debates promovidos pelas rádios Najuá e Alvorada de Rebouças. Em sua avaliação, o segundo teve mais relevância, principalmente em função do grau de dificuldade das perguntas que exigiram respostas convincentes dos candidatos. “O debate foi muito rico em informação. As perguntas do primeiro bloco coletadas em urnas foram bem difíceis, mas os candidatos se sobressaíram muito bem. O segundo bloco também foi bem conduzido. Parabenizo a equipe da Najuá e os candidatos que puderam expor suas ideias”, avalia.

Sobre a ausência de Derbli, Duarte conta que o eleitor foi o maior prejudicado com a decisão da coligação Juntos Por Irati, que optou em não comparecer ao debate. “Eu fico triste quando o candidato não participa. A democracia é quem perde”.

O eleitor, Marcelo de Souza diz que fica em dúvida sobre o não comparecimento de candidatos em debates. Segundo ele, esse fato pode indicar duas realidades. “Não sei se faz parte de estratégia ou se ele [Derbli] tinha um compromisso agendado”, argumenta.

Marcelo comenta que ainda não tem opinião formada sobre qual candidato é o melhor para Irati. Mesmo assim, ele diz que possui alguns critérios eliminatórios para descobrir quando o postulante ao cargo de vereador ou prefeito fala a verdade e não engana o eleitor com falsas promessas. “Não tenho o voto definido. A gente tem dúvidas. Eu trabalho e não posso escutar horário político e ouvir as propostas. Essa oportunidade de ver o debate foi importante e consegui tirar algumas dúvidas. Não esclareci todas elas, mas o povo não é burro e consegue definir o que cada pessoa está falando dentro de uma lógica que pode acontecer dentro do município”, afirma.

Quem também comentou sobre o debate entre os candidatos a prefeito de Irati foi o eleitor André Lucas Les. Para ele foi uma falta de respeito à ausência de Derbli. “Já defini o voto, tinha dúvidas, mas agora tirei todas elas”, enaltece.

Já o eleitor, Mariano Lukavei espera que os candidatos cumpram o que prometem durante a campanha eleitoral. “O meu candidato já está escolhido. Defini através de alguns critérios como ética”, diz.

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