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23/02/19 - 12h01 - atualizada em 23/02/19 às 18h12

Candidaturas femininas "laranjas" e a violência contra a mulher

Temas foram abordados na estreia do programa "Mulheres, política e tudo mais", da Super Najuá 92,5
Texto Jussara Harmuch
Sônia Mara Gerchevski, Otília Setenarski, Jussara Harmuch e Ieda Waydzik

A ideia de fazer um programa para discutir política entre mulheres se concretizou com a estreia do programa “Mulheres, política e tudo mais”, na Super Najuá 92,5. O primeiro foi ao ar as 8h da manhã deste sábado, 23, e a promessa é de repetir mais vezes este encontro entre as ex-vereadoras Otília Seternarski, Maria Helena Sékula Smolka e Ieda Regina Schimaleski Waydzik, com a participação da diretora das rádios Najuá, Jussara Harmuch.

No papo de hoje, a ausência de Maria Helena (em viagem) foi compensada pela convidada Sônia Mara Gerchevski, primeira mulher a assumir a presidência da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Irati. Confira em detalhes o que foi discutido sobre as candidaturas laranjas e a violência contra a mulher. Você também pode acessar em vídeo (mais abaixo).

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Se a situação de antes, quando as mulheres emprestavam o nome para candidaturas “laranjas” para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas, prevista na lei eleitoral, era desconfortável, agora, desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que pelo menos 30% dos recursos do fundo eleitoral devem ser destinados a candidaturas femininas, a coisa se agravou. 

É incontestável que um avanço ocorre, no sentido de que o assunto está sendo discutido, com a vinda à tona dos casos que estão sendo investigados por todo o Brasil, envolvendo vários partidos.

“Até então não se comentava e as mulheres sempre foram usadas como massa de manobra para proporcionar as candidaturas masculinas”, conta Ieda, que aponta a ausência do financiamento de empresas, aprovada na mini reforma eleitoral, como fator que propulsionou o gasto do dinheiro público com campanha.  Lembrando que o fundo partidário distribuiu R$ 888 milhões em 2018 e o fundo eleitoral R$ 1,7 bilhão.

A presidente da OAB afirma que “a atuação em candidaturas 'laranjas' é passível de investigação, pois usa recurso público para uma finalidade que está sendo desviada. É um caso de corrupção, igual ao que acontece nas investigações policiais que temos visto”.

Existe a preocupação da OAB em não se omitir nas discussões de interesse da sociedade. “A Ordem [dos Advogados] não tem bandeira partidária, mas faz política, tanto em relação a projetos de lei. Além de defesa dos advogados, faz a defesa da sociedade”, relata Sônia, destacando o papel da mulher nos processos decisórios.

As mulheres gostam de política,

Sônia Mara Gerchevski

As mulheres que emprestam seu nome, na prática, estão ajudando ainda mais a eleger os candidatos homens, pois o dinheiro que deveria ser usado nas candidaturas delas é desviado para eleger os outros.

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A promotora Vera Lúcia Taberti, que apurou os casos envolvendo candidatas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa paulista (Alesp), levantou que das cerca de 100 candidaturas investigadas, cerca de 60 são de candidatas de "fachada". Para ela, essas candidaturas são o "novo perfil de laranjas": quando a mulher é enganada e não tem intenção de agir "com dolo".

Os políticos eleitos nestes partidos devem ser responsabilizados. "Eles só conseguiram se eleger porque a chapa atingiu 30% exigido pela legislação eleitoral de candidaturas femininas. Se não fosse isso, eles não conseguiriam nem concorrer às eleições. Então, essas pessoas, ainda que não tenham participado diretamente da fraude, eles foram beneficiadas por elas - por isso que são atingidas.", diz Taberti em entrevista ao G1.

Algumas mulheres, talvez a maioria delas, não se deram conta mulheres ainda da forma como vem sendo usadas. Otília acredita que a maioria foi realmente enganada. “Não mereciam ser castigadas por isso, muitas são pessoas com pouca informação que emprestam o nome em troca de pouca coisa, nem sabendo a dimensão disso tudo”.

O partido convence a mulher a ajudar cumprir a cota e no meio do caminho a abandona. “O objetivo que era de levar as mulheres a participar mais não está sendo atingido, porém elas não tiveram o respaldo dos partidos. O partido as abandonou, não é novidade, acontece desde sempre aqui na nossa cidade, problema cultural, não criamos as filhas para serem atuantes na política’, lembra Ieda.

Se as mulheres querem igualdade por que criar políticas de empoderamento? É uma questão cultural de subjugação e inferioridade. Chica da Silva e a princesa Isabel são exceções, a maioria das mulheres não teve outras oportunidades”, comenta Ieda, instigando as mulheres a aproveitar o potencial natural, que lhes é peculiar, de trabalhar várias conexões cerebrais ao mesmo tempo.

É um problema cultural, não criamos as filhas para serem atuantes na política. Infelizmente temos também muitas mulheres que julgam as mulheres muito severamente,

Ieda Waydzik

Dentro de casa e no trabalho também se faz política, a política rege nossa vida, tudo que acontece na cidade e no país envolve a política,

Otília Setenarski

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A reeleição da deputada Federal Leandre Dal ponte (PV) é considerada como exemplo de posicionamento e liderança feminina. “Sua candidatura não foi alavancada por políticos, pais maridos, que já vem com outras intenções ou até mesmo para acobertar aqueles que não puderam sair como candidatos [ficha suja].

Casos de violência

O peso da violência do homem recai nos ombros da mulher, tanto faz a situação, quer seja num relacionamento corriqueiro, quanto a uma tradicional, em que homem e mulher vivam juntos há anos.

A Lei Maria da Penha vem para amparar a mulher em casos de violência física ou moral, mas as condições de atendimento nas delegacias, o medo da crítica da sociedade e da própria família, inibe a procura de ajuda.

“Casos de violência estão acontecendo ao longo do tempo. É preciso ter uma delegacia da mulher para um atendimento mais humanizado e encorajar a denúncia”, orienta a presidente da OAB Irati.

Durante a conversa foram citados os casos da paisagista carioca que foi agredida, amplamente divulgado na mídia nacional e a audiência do caso de feminicídio de Ivanilda Kanarski, que aconteceu esta semana em Irati.

Assista o debate no vídeo abaixo.


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