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29/08/18 - 01h34 - atualizada em 29/08/18 às 13h05

Cleonice se manifesta sobre denúncia de favorecimento à candidatura de Richa

Procuradoria Regional Eleitoral ajuizou ação contra abuso de poder e promoção social contra Beto Richa, Cida Borghetti, Cleonice Schuck e Rafael Greca

Da Redação, com informações da Gazeta do Povo e Paraná Portal e reportagem de Paulo Henrique Sava e Rodrigo Zub

Prefeita de Fernandes Pinheiro disse que gravou vídeo com Beto Richa falando sobre a obra de pavimentação do Angaí, mas antes do período das convenções partidárias que confirmaram candidatura do ex-governador ao Senado

O Ministério Público Federal (MPF), através da Procuradoria Regional Eleitoral, ajuizou ação contra abuso de poder e promoção social contra o ex-governador e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB); a governadora Cida Borghetti (PP); a prefeita de Fernandes Pinheiro, Cleonice Schuck (PSB) e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN). Também são alvos do pedido o candidato a vice-governador da chapa de Cida, coronel Malucelli (PMN) e os suplentes de Richa, Nelson Padovani (PSDB) e Maria Iraclesia (PSDB).

Conforme o MPF, Cida, Greca e Cleonice teriam abusado da autoridade ao permitirem que eventos oficiais de prefeituras e do governo do Paraná beneficiassem a candidatura do ex-governador ao Senado. O teor do pedido é similar ao pedido de impugnação de candidatura apresentado contra Richa, na semana passada, pelo MDB.

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Confira o que disse Cleonice sobre o assunto no áudio disponível no fim do texto

Denúncia contra a prefeita de Fernandes Pinheiro

Pesa sobre a prefeita Cleonice Schuck a denúncia de que ela gravou imagens de agradecimento a Beto Richa pela realização de obras de pavimentação entre o Angaí e a BR-277, no dia 17 de julho de 2018. O problema reside no fato de que ela teria se referido a Richa como “governador”, mesmo tendo conhecimento de que ele não mais exercia o cargo público. Segundo a denúncia, “com nítido objetivo de promovê-lo a uma futura candidatura ao cargo de senador”.

Dessa forma, a denúncia aponta que Cleonice, juntamente com Cida Borghetti, fizeram publicidade de obras realizadas como se fossem de responsabilidade de Richa, como se ele ainda fosse governador, para impulsionar sua campanha.

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Cida também foi denunciada em função da presença de Richa na cerimônia de assinatura da autorização para abertura do edital de pavimentação da PR-364, no trecho compreendido entre Irati e São Mateus do Sul, em evento ocorrido em Irati no dia 1º de julho. “Neste caso, o investigado Beto Richa não apenas compareceu ao evento, como se colocou em todos os momentos ao lado da investigada governadora, fazendo crer erroneamente que ainda teria alguma relação com a gestão do Estado”, aponta a denúncia.

“Ainda não fui notificada oficialmente dessa ação. O que temos de informação é pela imprensa. Aguardamos o posicionamento da Justiça. Na verdade, fizemos uma filmagem com o atual candidato ao Senado, Beto Richa. Mas, na época, quando foi filmado, justamente nessa obra do Angaí, ainda não tinham ocorrido as convenções, ele não era candidato. Não tive acesso a essa filmagem, não fui eu quem postou. Então, em nenhum momento nos valemos disso para qualquer fim eleitoreiro. Foi realmente um agradecimento pelo tamanho, a proporção valiosa dessa obra para nosso município, liberada durante o governo dele”, afirma Cleonice.

A prefeita de Fernandes Pinheiro acredita que o questionamento da Justiça se restringe ao uso desse vídeo, em que ela aparece, pelo fato de a obra ser no município que ela governa. “Estamos aguardando a notificação, para repassar à nossa assessoria jurídica tomar as providências necessárias a essa situação. Estamos muito tranquilos, porque não fizemos nada de errado, foi tudo de uma forma muito informal e real, porque a obra está lá acontecendo. Aguardamos um posicionamento oficial para que possamos tomar as atitudes cabíveis em relação à defesa dessa questão”, resume.

Cida também foi denunciada em função da presença de Richa na cerimônia de assinatura da autorização para abertura do edital de pavimentação da PR-364, no trecho compreendido entre Irati e São Mateus do Sul, em evento ocorrido em Irati no dia 1º de julho

Denúncia

A Procuradoria Regional Eleitoral lista dez eventos em que, segundo a denúncia, Cida teria se valido do cargo para promoção pessoal e campanha eleitoral antecipada. A denúncia indica que, mesmo depois que Beto Richa se desincompatibilizou do cargo ao renunciar o governo para poder concorrer ao Senado, o ex-governador continuou participando de eventos para a liberação de recursos para as prefeituras.

A denúncia solicita à Justiça a cassação do registro de candidatura ou do diploma de Cida e de Richa e pede que ambos se tornem inelegíveis por oito anos. A ação também pede a cassação dos direitos políticos de Rafael Greca e de Cleonice Schuck.

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“Extrai-se dos documentos carreados no procedimento em anexo que a atual Governadora do Estado do Paraná, Maria Aparecida Borghetti, por diversas vezes, se utilizou indevidamente de seu munus público em benefício do ora candidato ao cargo de senador, Carlos Alberto Richa, ao promover constantes participações do investigado em eventos do governo, fazendo crer, em sua maioria, que Carlos Alberto Richa ainda interferiria nos atos de gestão, quando, em verdade, este já havia se desincompatibilizado para as eleições de 2018. Com tal conduta, além de realizar a promoção pessoal de Carlos Alberto Richa, visando ao cargo de senador ora disputado, a investigada buscou se beneficiar com o prestígio conquistado pelo candidato durante sua gestão, em vista da sua atual reeleição”, afirma a procuradora regional eleitoral Eloisa Helena Machado, autora da ação.

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O que dizem os citados

A assessoria de Cida Borghetti disse que tomou conhecimento da denúncia do MPF através da imprensa e que não houve, da parte da governadora, qualquer atuação em benefício da candidatura de Richa ao Senado, até porque na época dos eventos, nenhum dos dois eram oficialmente candidatos. “A presença em eventos pontuais e públicos não teve finalidade eleitoral. Os devidos esclarecimentos serão prestados após a notificação, visando demonstrar a improcedência da ação”, assegurou.

Richa classificou a denúncia como desproporcional. Em nota, o candidato ao Senado afirmou que a ação não tem cabimento, pois eram eventos públicos aos quais o ex-governador foi convidado, de modo que não praticou qualquer ato administrativo durante eles. "Esses eventos aconteceram fora do período eleitoral. Quem acompanhou os eventos sabe que nunca foram tratados assuntos de campanha nesses eventos e, principalmente, que esses eventos eram públicos e abertos. O Beto nunca participou deles como governador do estado, nunca praticou nenhum ato oficial, administrativo, que poderia dizer que ele poderia estar governando mesmo fora do governo”, disse o advogado Luiz Eduardo Peccinin em nota encaminhada ao jornal Gazeta do Povo.

Para Peccinin, a presença de Richa nesses eventos é natural, já que ele esteve no governo por quase oito anos e faz parte do grupo político que o sucedeu.

Na avaliação do advogado, a ação do MP decorre de denúncia do MDB, que na semana passada apresentou um pedido de impugnação à candidatura de Richa com base nos mesmos fatos narrados pela Procuradoria Eleitoral.

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Ouça o que disse Cleonice sobre o assunto

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