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30/10/18 - 01h07 - atualizada em 30/10/18 às 10h12

Combate à violência e corrupção: população espera mudanças do novo governo

Passada a eleição, reportagem da Najuá ouviu opiniões da população e de políticos iratienses sobre a vitória de Jair Bolsonaro

Jussara Harmuch e Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Confira fotos da comemoração da vitória de Bolsonaro


Confirmada a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), na noite de domingo (28), centenas de eleitores tomaram as ruas de Irati para comemorarem o resultado. Grande parte dos eleitores usava camisetas com a imagem do presidente eleito. Outros, carregavam bandeiras do Brasil e vestiam camisetas da Seleção Brasileira de Futebol – que caracterizaram nos últimos anos as passeatas contra a corrupção e pró-impeachment. Houve concentração de pessoas nas ruas e carreata com veículos e caminhões com a bandeira nacional na dianteira.

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A Najuá falou com alguma pessoas sobre o resultado das eleições. A necessidade de mudanças na administração pública foi um ponto comum de todas as declarações.Wellington Souza, baiano, é camelô e está trabalhando em Irati. Ele espera que o presidente eleito administre melhor o País e que traga mudanças. Para ele, é preciso baixar os impostos, para que as pessoas comprem mais.

Ouça o áudio da entrevista no fim do texto

Nós precisamos do povo, que não tem dinheiro para comprar, porque sofre com os impostos”, opina. Outro aspecto destacado por Wellington é a honestidade. “Um governo direito, honesto, que não seja corrupto, que olhe mais para o povo, 
diz o camelô baiano, Wellington Souza.

Fernando Matozo atualmente mora em Curitiba, mas ainda vota em Irati, porque os familiares permanecem na cidade. Ele também manifesta desejo de mudanças, como a redução do desemprego e da violência.

Sabemos que não depende só do presidente, tem deputados, Senado, que dependem também deles. Abrimos uma notícia, ouvimos no rádio e vemos muita violência. Espero que [o novo governo] corresponda à ansiedade do povo por mudança,
resume Fernando Matozo.

Caroline Rodrigues, de 22 anos, demonstra otimismo e afirma preferir dar chance ao novo.

Já conhecíamos o que tínhamos até hoje. O Brasil estava sendo corrompido. Precisamos de novas pessoas, precisamos de um País que nos ajude a desenvolver profissionalmente e não precisemos sair fora [do país]. Como católica, creio que, depois de nós sofrermos tanto com o governo que estava, este é um olhar de misericórdia de Deus sobre a Nação, 
afirma a iratiense Caroline Rodrigues.

Para André Lucas Less, de Irati, a necessidade de mudança para combater a corrupção foi o principal fator desta eleição.

O brasileiro cansou de escândalos de milhões sendo roubado e ainda tem gente que não vê. O País foi assaltado. Apesar de o Bolsonaro já ter vários mandatos, foi o que mais representou esta mudança. Ele falou de um jeito simples o que o povo queria escutar. Hoje o que mais precisa é o emprego, depois a educação, saúde e o agronegócio, que foi o único setor que ainda gerou emprego e trabalhou no azul, 
analisa André Lucas Less.

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Nossa reportagem também ouviu a opinião dos representantes políticos de Irati. O secretário de Planejamento e Coordenação de Irati, João Almeida Junior, filiado ao PSDB, ressalta que o Brasil precisa de alternância no poder, já que a esquerda comandou o País nos últimos anos.

“Nós achamos que, na democracia, precisamos da alternância de poder. Ficamos 16 anos com um governo mais à esquerda. Nossa democracia é jovem, é recente. Não tem nem 50 anos. Precisamos dessa alternância, dessa mudança de mentalidade, para que tenhamos uma visão diferente, de família, de conservadorismo”, defende.

No entanto, Almeida Junior rejeita a ideia de que a onda conservadora seja um anseio por um retorno a um regime militar – como chegou a ficar subentendido por uma parcela das pessoas que vinham participando de protestos pró-impeachment. Para o secretário, tem mais a ver com moralidade. “Não pelo militarismo, mas pelos valores. Sabemos o quanto nossa população vem sofrendo nos últimos anos, o quanto a escola e nossos professores foram desgastados, o quanto eles sofrem, porque falta no nosso dia a dia e em casa um pouco mais de educação. E educação não é na escola que se dá; ela vem de casa”, acrescenta.

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A “guinada à direita”, na compreensão do secretário, reflete uma necessidade de resgate do “moralismo, educação, família e civismo”. “Esperamos um governo que resgate um pouco disso na sociedade e, ao mesmo tempo, traga um pouco mais de confiança no nosso empresariado, que possamos investir, ter mais empregos, mais dinheiro circulando, o que faz bem a toda a nossa sociedade. Como cidadão, é isso que eu espero desse novo governo. Por isso que votei no Bolsonaro, principalmente para ter essa alternância, num primeiro momento, mas que, no futuro, traga mais dinheiro, mais paz, mais saúde para nossa população”, diz.

Iratienses comemoraram vitória de Bolsonaro na Rua da Cidadania. Em Irati, presidente eleito obteve 23.159 votos (65,25% dos votos válidos)

"Ponte" com Governo Federal

Almeida Junior afirma ter recebido do prefeito Derbli a incumbência de estabelecer a “ponte” entre o município de Irati e a equipe de transição do presidente eleito. O secretário de Planejamento conta que já possui contato com o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro chefe da Casa Civil.

“Quanto ao município, esperamos trazer mais obras, esperamos trazer mais dinheiro, mais recursos e, principalmente, mais indústrias para nossa cidade, para gerarmos mais empregos. A pedido de nosso prefeito, também estávamos empenhados nesse 2º turno, para fazer com que a votação fosse expressiva no nosso município”, comenta.

Polarização

O ex-prefeito de Irati, Odilon Burgath (PDT), que foi candidato a deputado estadual nas eleições deste ano, também deu sua opinião sobre a vitória de Bolsonaro. Ele destaca que o Partido Democrático Trabalhista possui, como valores primordiais, a defesa da Constituição, da Democracia, dos Direitos Trabalhistas e conquistas sociais que não podem ser perdidas e defende que elas sejam ampliadas.

“Acompanhamos esse processo no 2º turno com dois projetos distintos, polarizados, em que, no dia a dia em sociedade, houve muito embate e, infelizmente, até ofensas no seio familiar, com os amigos, em rede social e isso aconteceu no Brasil inteiro, pelas demonstrações que vimos”, analisa o presidente do diretório municipal do PDT em Irati, partido de Ciro Gomes, que ficou em 3º lugar na corrida presidencial no 1º turno.

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Odilon analisa que essa polarização deve ser encerrada. Para ele, deve prevalecer o respeito às ideias contrárias. “Isso é democracia”, resume. “Nós, dos movimentos trabalhistas e sociais, tínhamos uma orientação. O PDT emitiu uma nota de apoio crítico à candidatura de Fernando Haddad (PT) no 2º turno, em defesa da democracia, em defesa das conquistas sociais e políticas públicas em favor de quem mais precisa”, argumenta.

O político reconhece a vitória de Bolsonaro sobre Haddad. “O eleito é Jair Bolsonaro, pelo voto, democraticamente. Isso é o que nós sempre lutamos: que a Constituição seja respeitada, que o processo democrático aconteça, mesmo não sendo, por vezes, o representante que escolhemos. Mas, a partir de hoje, reconhecer que Jair Bolsonaro recebeu o voto da maioria dos votantes, dos votos válidos. Que ele tenha sabedoria, capacidade para unir o povo brasileiro. Que seus discursos, seu posicionamento, sua maneira de governar seja para todos, independente de raça, de crença religiosa, de orientação sexual, de classe social. Que todos, brancos, negros, homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, todos estejam na pauta do presidente. Que as políticas de Estado, de governar para quem precisa, sejam a pauta do presidente e de quem serão seus ministros e ministras, que tenham essa sabedoria de agregar as pessoas”, sustenta Odilon.

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Para o presidente do diretório do PDT em Irati, o Brasil só vai superar as dificuldades com as pessoas dando as mãos e respeitando a opinião política do outro, mesmo que divergente. “Mas cobrar também, do presidente, as promessas, que elas sejam cumpridas, que seus compromissos sejam honrados e que, não o sendo, haja respeito pela resistência. Os grupos trabalhistas e os movimentos sociais vão ficar no movimento de resistência e vão poder fazer isso democraticamente. Isso tem que ser respeitado. Tenho a certeza de que a união vai acontecer, passo a passo, e o Brasil vai enfrentar todas as dificuldades”, conclui.

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