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22/10/18 - 11h09 - atualizada em 22/10/18 às 16h35

Onze seções apresentaram atrasos na zona eleitoral de Rebouças

Chefe do Cartório Eleitoral falou sobre os problemas identificados no 1º turno em Rebouças e Rio Azul

Edilson Kernicki, com reportagem de Jussara Harmuch

Boletim de Urna registra número de votos e comparecimento de eleitores em cada uma das seções

Segundo o chefe do Cartório Eleitoral da 62ª Zona Eleitoral que abrange os municípios de Rebouças e Rio Azul, Marco Kanever, houve atraso no encerramento da votação em 11 seções, durante o 1º turno. Foram realizadas algumas reuniões com a equipe do Cartório Eleitoral, com auxiliares e mesários, nas quais se constatou que o principal fator de atraso na votação foi a biometria. Entretanto, a identificação biométrica não foi a única causa a gerar filas nas seções eleitorais no 1º turno, em 7 de outubro.

“A biometria das nossas cidades é de má qualidade, principalmente no interior, é difícil de ser lida, e o equipamento da urna eletrônica demandava um posicionamento correto do eleitor. Muitos eleitores forçavam o dedo no leitor [biométrico] da urna e isso acabava prejudicando a leitura das digitais no equipamento e atrasando o processo de identificação do eleitor. Lembrando que, caso o eleitor não fosse reconhecido, o mesário precisava fazer pelo menos quatro tentativas para só então liberar a votação do eleitor, com a identificação padrão, mediante a apresentação do documento com foto”, explica Kanever.

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Outro problema apontado pelo chefe do Cartório Eleitoral para justificar a demora na votação do primeiro turno foi a de que houve, da parte de alguns eleitores, uma demora excessiva para digitarem suas opções de voto. Alguns alegaram até mesmo não terem conseguido concluir a votação. “Foram muitos candidatos, muitas vagas a serem escolhidas nessa eleição, seis vagas para cinco candidaturas, cinco cargos [presidente, governador, deputado federal, deputado estadual e dois senadores]. Muitos eleitores não levaram anotados os números de seus candidatos ou levaram números anotados errados, o que causou tumulto e uma demora exacerbada. Cito aqui um eleitor que afirmou que não aparecia a foto, mas que estava tentando escolher um candidato ao cargo em outro estado. Isso não é possível”, destaca.

Kanever menciona, ainda, que alguns eleitores chegaram a ter de sair da cabine de votação e verificar a lista de candidatos por não ter anotado corretamente os números. “Tudo isso acarretou numa demora na prática do voto, desde a identificação até a finalização da votação”, comenta.

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Mais um fator que contribuiu para as filas nas seções eleitorais da 62ª Zona durante o primeiro turno diz respeito ao fato de que a atualização do alistamento eleitoral, mediante o cadastro biométrico, fez com que seções menores fossem agregadas e formassem uma seção maior. “Tínhamos seções com poucos eleitores e, por medidas de corte de gastos, seções cuja junção não ultrapassou 420 eleitores foram juntadas. Em Rebouças, apenas uma seção ultrapassou 400 eleitores, que é o limite prudencial. Mesmo assim, não foi um motivo determinante em algumas seções. Cito, por exemplo, Taquari [interior de Rio Azul], que tinha agregação de seção, mas encerrou a votação até as 17h.”, diz.

De acordo com Kanever, era uma eleição “naturalmente mais demorada”, por serem cinco cargos eletivos, seis votos, 19 algarismos e um total de 25 teclas a serem pressionadas – considerando-se os números de cada candidato e a tecla “confirma” para cada um deles. “Alguns locais não possuíam estrutura compatível com a aglomeração de pessoas que aconteceu, como corredores apertados, falta de cobertura. Tudo isso foi um fator de acréscimo, um fator complicador no 1º turno dessas eleições. Nossos mesários souberam agir corretamente nessas eleições. Eles distribuíram senhas e todo mundo que chegou até as 17h e que tinha essa senha foi admitido a votar, mesmo passadas as 19h, como em uma das situações relatadas”, diz.

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Kanever alega que houve situações de princípio de tumulto, em que eleitores que não compreenderam a situação da demora na votação se exaltaram e levantaram a voz contra os voluntários das mesas receptoras de votos. “É bom que a população saiba que os mesários são pessoas do povo, geralmente, em sua imensa maioria, voluntários, que se dedicam a trabalhar no dia das eleições. Eles fazem um treinamento e abrem mão de um domingo para ir lá receber os eleitores, para que exerçam o direito de voto. Nas situações relatadas, eles tinham muito pouco a ser feito, porque não tem como melhorar a qualidade da digital do eleitor, tem que ter paciência, tem que tratar bem ao eleitor, saber qual é a atitude a tomar nessas situações”, emenda.

Chefe do Cartório Eleitoral, Marco Kanever, relata que foram identificados atrasos em 11 seções no 1º turno

2º turno

“Tomaremos algumas medidas no 2º turno para que esses problemas não aconteçam, não se repitam, pelo menos não com a gravidade que se verificou no 1º. O 2º turno será, naturalmente, mais tranquilo que o 1º. Serão menos candidatos e menos opções para o eleitor. Ele poderá votar em um dos dois candidatos, que concorrem à Presidência da República, poderá anular seu voto – digitando um número que não corresponda a nenhum dos dois, ou poderá votar em branco. Não existe outra alternativa”, salienta o chefe do Cartório Eleitoral da Comarca de Rebouças.

A primeira providência será a realização de um treinamento de biometria, especialmente nos locais em que foram registradas as maiores dificuldades e as maiores concentrações de eleitores em filas, como resultado da demora na votação. “Um auxiliar específico vai acompanhar esses locais com dificuldade. O eleitor será orientado sobre a ordem de votação, que é única nesse 2º turno e a necessidade de apertar a tecla ‘confirma’ após a digitação do número de seu candidato de escolha. As agregações, infelizmente, não podem ser feitas para o 2º turno. Mas nós estudaremos com mais cautela, mesmo que a ordem seja superior para que elas sejam feitas. Também reacomodaremos seções eleitorais naqueles locais que possuem maior estrutura, para que não haja aglomeração e junção de filas, uma confusão de filas nesse 2º turno”, esclarece.

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Kanever reitera que, ainda que, por serem apenas dois candidatos, a “colinha” talvez não seja necessária nesse 2º turno, o eleitor deve procurar, desde já, separar corretamente os documentos necessários: o título de eleitor e o documento de identificação com foto, para que se agilize a eventual necessidade de identificação convencional no dia das eleições. “O eleitor que não teve sua digital reconhecida pela urna já pode ir esperando que também não haverá esse reconhecimento no 2º turno e, portanto, ele tem que apresentar um documento de identificação com foto. Mas não custa levar o número de seu candidato de preferência anotado, para não dar ‘branco’ na hora. Na seção eleitoral, existirá uma lista com o número e o nome dos candidatos concorrentes a esse 2º turno”, frisa.

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