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23/10/18 - 19h20 - atualizada em 23/10/18 às 19h38

Pauliki comenta futuro político

Os 67.125 votos obtidos pelo candidato do Solidariedade não foram suficientes para se eleger deputado federal

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Henrique Sava 

Marcio Pauliki foi o 30º candidato mais votado no Estado, mas não conseguiu vaga na Câmara Federal com 67.125 votos

Trigésimo candidato a deputado federal mais votado no Paraná, com 67.125 votos (1,17% dos votos válidos) o empresário Márcio Pauliki (SD) não conseguiu, mesmo assim, ser eleito para a Câmara dos Deputados. Nas três maiores cidades da região, ficou entre os mais votados: em Irati, recebeu 1.280 votos (3,81% dos válidos) e foi o quarto mais votado; em Prudentópolis, com 2,76% dos válidos (734 votos), foi o nono mais votado e em Imbituva, onde obteve 5,96% dos votos válidos (ou 1.014 votos), obteve a sexta maior votação. 

“Ficamos entre os 30 mais votados para federal. Essa votação expressiva, teríamos êxito em qualquer coligação, menos nessa de que nós participamos. Posso dizer que ficamos a pé, pela desistência do Osmar Dias, de quem eu estava coordenando a campanha [para governador], praticamente um dia antes das convenções. Naquele momento, tivemos que correr atrás de uma nova coligação, em menos de um dia. Esta, de que eu participei, para se ter uma ideia, os 12 deputados que participaram dessa coligação, abaixo de mim, juntos, não fizeram mais do que 30 mil votos. Candidatos que já foram prefeitos em cidades grandes, como Londrina, não fizeram mais que 15 mil votos, o que comprometeu o número de cadeiras da nossa coligação”, analisa.

Ouça a entrevista completa com Pauliki no fim do texto

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Permanência no SD

O presidente estadual do Solidariedade descarta a hipótese de deixar a legenda diante do resultado das eleições, que tornou o partido uma das dez maiores bancadas na Câmara Federal. Segundo ele, o objetivo, a partir de agora, é fortalecer o partido visando às eleições de 2020, para vereadores e prefeitos nas cidades paranaenses.

“Olhando um pouco mais os bastidores e observando essa nova política que está surgindo, que é muito parecida com aquela que eu sempre preguei, do jeito certo, sem cargos comissionados e que diz não à reeleição. Vejo que o maior câncer em nossa política é a reeleição, muita gente sendo presa e investigada por tentar reunir o maior número possível de valores, de forma escusa, para poder se perpetuar no poder”, comenta.

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Deputado rejeita reeleição

Pauliki, que já afirmou ter preferido concorrer a outro cargo por rejeitar a ideia de reeleição, estima que conseguiria os votos suficientes para exercer um novo mandato na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Ele também afirma ser contra o abandono do mandato pela metade para disputar eleições para outro cargo. “Nos próximos anos, quero continuar defendendo essa política da independência, sem indicações políticas, em que se promove a não-reeleição”, diz.

Análise sobre mandato na ALEP

Em 2014, ainda pelo PDT, Pauliki foi eleito deputado estadual, com 62.792 votos (1,09%) dos válidos.“O que me propus a fazer como deputado estadual eu fiz. Conseguir fazer o mandato que mais trouxe recursos de um deputado de primeiro mandato para a região, foram mais de R$ 22 milhões e três grandes propostas ligadas ao emprego, à saúde e ao social”, avalia.

“Na parte da saúde, o Instituto do Câncer, que está sendo instalado no Hospital Regional de Ponta Grossa, que atende a toda a região Centro-Sul, ao Norte Pioneiro e a região dos Campos Gerais na parte de linfomas e leucemias. O setor de hematologia, agora em fevereiro, estará pronto”, antecipa. Na parte social, o deputado inclui o programa Nota Solidária, que destina os recursos das notas fiscais sem CPF para as entidades assistenciais. “Foram mais de R$ 100 milhões, em dois anos, para 1.250 entidades”, aponta.

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Quanto à geração de empregos, o deputado estadual aguarda a aprovação, nas próximas semanas, do Distrito Industrial Regional e a regulamentação dos distritos. A proposta prevê a descentralização da geração de empregos e melhor distribuição da arrecadação com impostos, a exemplo do ICMS.

“Mediante esse trabalho como deputado estadual, me sinto muito realizado e muito feliz por ter, inclusive, feito quase 70 mil votos. São votos que me dão, ainda, a possibilidade de bater à porta dos governantes e pedir recursos, mesmo sem mandato. Sempre trabalhei, com ou sem mandato, da mesma forma, com meus trabalhos sociais, através do Instituto Mundo Melhor, de capacitação dos jovens para o primeiro emprego, vai continuar também”, diz.

IML

O deputado estadual também assegura que foram incluídos no orçamento do Governo do Paraná, para 2019, R$ 1,5 milhão para a construção de um Instituto Médico-Legal (IML) em Irati; mais R$ 1,5 milhão para a construção do IML de Telêmaco Borba e, ainda, R$ 1,5 milhão para recuperar o IML de Ponta Grossa, que hoje abrange a 42 municípios.

A construção das duas unidades, aguardada há anos, deve agilizar o atendimento, que hoje fica concentrado no IML de Ponta Grossa, que atende o maior número de municípios. “É ridícula a situação de uma pessoa, por exemplo, de uma família, que precisa esperar em Inácio Martins por um rabecão que vem de Ponta Grossa, para recolher o corpo, trazer até a cidade, fazer a necropsia e devolver. Esse tempo todo tem que ser superado pela descentralização do IML e de outras áreas, como a da segurança”, afirma.

Pauliki defende que a 13ª Subdivisão Policial, sediada em Ponta Grossa, poderia ser fragmentada em outras SDPs, com a criação de uma em Irati. Da mesma forma, descentralizar o Corpo de Bombeiros, com a elevação do Subgrupamento de Irati a Grupamento de Bombeiros.

“No ano que vem, com os parceiros que se elegeram deputados estaduais e que eu apoiei, estaremos cobrando e fazendo esse trabalho para que tudo isso seja efetivado através do orçamento que estamos colocando neste ano”, diz.

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Apoio aos candidatos eleitos

Entre os candidatos a deputado estadual apoiados por Pauliki nestas eleições, ele enumera Mabel Canto, eleita pelo PSC. Mabel é filha do ex-prefeito de Ponta Grossa e ex-deputado estadual Jocelito Canto. Pauliki também apoiou a candidatura de Dr. Zeca (PPS), que deve ficar como 1º suplente na ALEP. Dr. Zeca cumpre o quarto mandato como vereador na Câmara de Ponta Grossa e foi vice-prefeito de Marcelo Rangel (PPS) durante seu primeiro mandato (2013-2016). Por fim, Pauliki reafirma a parceria com Plauto Miró Guimarães (DEM), eleito para a sétima legislatura consecutiva, a fim de trazer recursos à região.

“No Centro-Sul, temos deputados como a Cristina Silvestri (PPS), que até fez uma dobrada comigo em Irati, que vamos continuar apoiando para que possa levar recursos para toda a região”, acrescenta.

Candidatura a prefeito de PG

Pauliki despista sobre a possibilidade de voltar a concorrer nas eleições municipais de Ponta Grossa em 2020. Sua carreira política, aliás, começou na disputa mais acirrada que já houve na cidade, quando concorreu ao cargo de prefeito, em 2012, contra Marcelo Rangel (PPS) e Péricles de Holleben Mello (PT). Na ocasião, um saldo de 4.294 votos a menos que o ex-prefeito petista o tiraram da disputa do 2º turno. Marcelo Rangel teve 33,44% dos votos; Péricles, 32,42% e Pauliki, 30,01%. O 2º turno foi bastante equilibrado e decidido a favor de Rangel por uma diferença de apenas 1.682 votos, num resultado de 50,48% a 49,52%, ou seja, não chegou a 1% (0,96%).

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Pauliki diz que pretende ampliar os projetos de responsabilidade social de sua empresa e que deve voltar a concorrer a um cargo eletivo somente daqui a quatro anos, quando pretende novamente concorrer ao cargo de deputado federal.

“Minha votação como deputado federal pode, claro, acabar me projetando a uma candidatura a prefeito de Ponta Grossa, mas acho que ainda temos muito tempo pela frente. Tem a organização do partido em toda a região. Sei da importância de apoiar candidatos a vereador e a prefeito, mas minha intenção ainda é, agora, me dedicar, claro, ao lado empresarial, com as lojas MM, que têm uma responsabilidade social muito grande, são mais de 4 mil colaboradores, dar uma extensão ao Instituto Mundo Melhor, de capacitação dos jovens para o primeiro emprego. Vamos trabalhar muito nessa área social. Ainda tenho pretensões políticas, afinal de contas, são quase 70 mil votos, mas daqui a quatro anos, como candidato a deputado federal”, responde.

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Acompanhe a entrevista completa com o deputado Márcio Pauliki

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