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03/10/19 - 09h44 - atualizada em 03/10/19 às 15h15

Zequinha encaminha denúncia contra correligionário do PV por quebra de decoro

Declarações de Rogério Kuhn à Rede Sul de Notícias geraram desconforto no Legislativo iratiense

Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch 

Vereadores José Bodnar (Zequinha) e Rogério Kuhn são filiados ao Partido Verde (PV)

A polêmica em torno da entrevista do vereador Rogério Kuhn (PV) à Rede Sul de Notícias ganhou um novo capítulo: seu colega de partido, o vereador José Bodnar (Zequinha) leu a denúncia feita por ele ao Conselho de Ética contra seu correligionário, na sessão de terça-feira (1º), conforme já havia adiantado na semana passada.

Baseado no Código de Ética Parlamentar, Bodnar sustenta que houve descumprimento das regras e pediu apuração através de processo disciplinar, da conduta atentatória ao decoro parlamentar e posterior representação no Ministério Público do Paraná (MP-PR) para avaliar a prática de improbidade administrativa, por dispor de forma irregular de bem público.

Ouça o áudio da reportagem no fim do texto

Na denúncia, o vereador enumerou atos incompatíveis ao decoro parlamentar, da parte de Rogério Kuhn, na concessão de entrevista ao meio de comunicação. Segundo Bodnar, com suas declarações na entrevista, Kuhn teria deixado de zelar pelo prestígio, aprimoramento e valorização de instituições democráticas representativas e pelas prerrogativas do Poder Legislativo. Outra conduta incompatível com o decoro citada pelo vereador seria a de omitir a verdade ou prestar informações falsas e o abuso das prerrogativas parlamentares ao ultrapassar os limites da razoabilidade no uso da inviolabilidade, por opiniões e palavras e votos.

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O parlamentar declarou na entrevista que, à exceção dele, os demais vereadores se beneficiam de créditos para celulares e notebooks, enquanto ele recebeu o notebook, mas repassou a outro órgão – entendido, segundo a denúncia, como disposição irregular de bem público, por doar algo que pertencia à Câmara e não ao vereador.

Rogério Kuhn chegou a insinuar que vereadores e funcionários se beneficiam de diárias adicionais para participar de cursos fora de Irati, ao dizer que, dos três dias de curso, um serve apenas para inscrição e o terceiro apenas para o recebimento do certificado e que, portanto, apenas um dia seria produtivo. Da mesma forma, criticou a existência do recesso parlamentar em julho – que dura duas semanas e é previsto no Regimento Interno – e chamou de “férias”.

“No período em que não ocorrem as sessões ordinárias, chamado de recesso parlamentar, todas as demais atividades parlamentares continuam ocorrendo normalmente. Aliás, cabe lembrar que, em janeiro de 2018, período de recesso legislativo, ocorreram duas sessões extraordinárias, às quais o vereador representado, devidamente convocado, não compareceu, pois estava em viagem ao Nordeste, tendo, inclusive, postado fotos de seu passeio num grupo de WhatsApp, criado para partilhar somente assuntos institucionais, da Câmara de Irati”, apontou.

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Bodnar apontou a incoerência de Kuhn em condenar a possibilidade de aumento no número de vereadores na Câmara de Irati – de dez para 13 – pelo fato de que o vereador se manifestou favorável à matéria em discussão em outubro do ano passado. O parlamentar ressaltou, ainda, que Rogério Kuhn tentou impulsionar o alcance de sua entrevista, concedida a um meio de comunicação de Guarapuava, ao ampliar sua divulgação em grupos de WhatsApp.

“Além de conceder entrevista que compromete a imagem e a reputação de todos os demais vereadores que integram a Casa de Leis, o vereador denunciado compartilhou a matéria jornalística depreciativa em inúmeros grupos de WhatsApp, almejando que seu alcance fosse o maior possível, assim como o desgaste de seus colegas de vereança”, disse.

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